Mônica Nobregra
Mônica Nobregra
Imagem Mônica Nobrega
Colunista
Mônica Nobrega
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Férias pandêmicas com pré-adolescentes

Pela primeira vez, vivi a situação de planejar uma viagem em família com filho nessa idade. Aprendi algumas coisas

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 03h00

Meu filho estava com 8 anos quando a pandemia começou. Era uma criancinha. Agora, quase um ano e meio depois, com 10, é um pré-adolescente. E então, nas semanas anteriores a estas férias de julho, vivi pela primeira vez a situação de planejar uma viagem em família com filho nessa faixa de idade. E com possibilidades muito limitadas, dado que ainda são, em média, 1.500 mortos por covid a cada dia no Brasil. Não está nem perto de acabar: os cuidados continuam mais do que necessários.

O tipo de viagem que faríamos estava previamente decidido. De carro, porque aeroportos ainda representam uma aglomeração desnecessária; para o destino mais vazio possível; na praia, pela diversão ao ar livre; e hospedagem em casa alugada, porque dá para cozinhar - ainda não confio em restaurantes. 

Aprendi algumas coisas que compartilho aqui. 

Melhor dois pré-adolescentes do que um só

Em algum momento do planejamento eu parei para lembrar de mim mesma na pré-adolescência e isso me salvou. Por melhor e mais divertida mãe que eu seja, ninguém aos 10 anos quer passar dez dias em isolamento numa casa de férias só com os pais. Sugeri ao meu filho que convidasse um amigo da mesma idade cuja família sabemos que respeita o distanciamento social. É o arranjo perfeito. Os dois se bastam: têm passado os dias conversando, jogando bola no quintal, brincando no mar, tramando argumentos para pedir o terceiro sorvete. Assim, me deixam bastante tempo livre para ler, dormir e ficar na rede admirando a vista. 

O percurso é um desafio

A praia que escolhemos está a 5 horas da cidade de São Paulo, onde moramos. Achei que a distância fosse razoável para os meninos, mas não foi. Mesmo com muitas opções de lanchinhos, paradas para ir ao banheiro, brincadeiras no percurso, a última hora e meia foi de muita impaciência, inquietação, mil vezes a pergunta sobre quanto faltava para chegar e um pouco de mau humor. Aos adultos, resta manter a calma. 

Todo mundo chega com fome

Eu falei ali em cima que ainda não confio em restaurantes, certo? Pois o plano de chegar e cozinhar algo rápido como um macarrão se mostrou irreal. Todo mundo estava com tanta fome depois das horas de estrada que a impaciência foi às alturas e mal colocamos as malas dentro de casa, saímos para um restaurante que nosso radar esfomeado detectou na chegada à vila. Felizmente, um deque aberto para o mar, com mesas bem distanciadas. E, como julho não é alta temporada de praia, estava bem vazio. Ufa.

Exercícios de autonomia

No quartinho deles na nossa casa temporária, eu mal entro. Apenas sugiro que arrumem a cama e que organizem as roupas, mas a escolha final entre viver na completa bagunça ou gastar 5 minutos dando uma ajeitada é deles. O efeito é o de espelho: um vê o outro fazendo, vai lá e faz também. Outra liberdade possível em uma vilazinha de praia pequena como essa em que estamos é permitir passeios curtos sem a presença dos adultos, até o fim da faixa de areia, por exemplo. Eles estão adorando. 

No próximo texto eu conto onde estamos e o que fizemos por aqui. 

Tudo o que sabemos sobre:
fériascriançaturismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.