Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Figurinhas fáceis

Não demora dez minutos, pode contar no relógio. A beleza da África do Sul turística grita e tem pressa. Surge quase imediatamente, sem aviso nem se fazer de rogada, onde quer que se pise pela primeira vez no país.

MÔNICA NOBREGA , CIDADE DO CABO, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2013 | 02h11

A girafa mastiga folhas ao lado da trilha na qual o 4x4 se pôs agorinha mesmo, cheio de visitantes recém-desembarcados do táxi aéreo, ainda com as malas a caminho do lodge na savana. A Table Mountain acompanha a van no traslado do aeroporto ao hotel. Vinícolas exibem seus contornos milimetricamente planejados enquanto descemos pelas curvas da montanha que leva a Franschhoek. É tudo aquilo de que se ouviu falar e com que se sonhou.

Uma sequência de clichês, sem qualquer demérito. Começa no aeroporto de Johannesburgo, o que recebe voos diretos desde São Paulo, onde as lojas vendem de pelúcias a camisetas, de bijuterias a coisas para a casa, tudo de tecidos multicoloridos e estampas de animais, mulheres de turbante e por aí vai.

A Copa do Mundo de futebol de 2010 sobrevive em uma ou outra loja, nos turistas em busca de camisas de seleções variadas. E na infraestrutura: o próprio aeroporto, que hoje lembra o Charles de Gaulle em Paris, vias expressas duplicadas (mas ainda tão congestionadas quanto as paulistanas), viadutos e um esforço para melhorar os índices de segurança. Os dados oficiais da polícia sul-africana indicam que a taxa de crimes que envolvem contato direto com o criminoso no país, como homicídio, assalto e violência sexual, caiu de 1.910 ocorrências para cada 100 mil habitantes, em 2003/ 2004, para 1.232 por 100 mil, em 2011/2012. Já é um começo.

Quarteto. É grande a chance de que o roteiro de uma primeira visita ao país seja recheado de obviedades das quais muito se ouve falar, mas que são absolutamente surpreendentes quando encaradas frente a frente.

Por exemplo, nenhuma foto prepara o espírito para a lindeza que é seguir de carro pelo litoral em direção ao sudeste, no comecinho da Rota Jardim, desde a Cidade do Cabo, com as cadeias de montanhas da Península do Cabo e Hottentots Holland a acompanhar a estrada. Nem para a delícia de pedalar entre vinhedos e acabar em uma galeria de arte de altíssimo nível e, nela, dar de cara com outro inescapável ícone local: em um belo óleo sobre tela da artista de Johannesburgo Arlene Amaler-Raviv, o retrato do ex-presidente Nelson Mandela, o homem, o mito.

A minha visita abarcou o quarteto básico do turismo sul-africano. Começou na Cidade do Cabo, que, daqui por diante, vou chamar de novo amor. Seguiu de forma aventureira, em um encontro com tubarões-brancos. Depois, vinícolas. E terminou em uma série emocionante de safáris nos limites do Kruger Park. A melhor parte, coisa de derramar lagriminhas tímidas ao dar de cara com o primeiro leão, a poucos metros do hotel.

Muito óbvio? Me dá um desconto, vai: ao contrário dos guias locais, que não se cansam de falar na animação da Disney, eu consegui chegar até aqui sem citar O Rei Leão.

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