Seth Kugel/NYT
Seth Kugel/NYT

Fim de semana econômico em Melbourne

No verão passado, Melbourne, uma cidade graciosa, alegre e incrivelmente limpa da Austrália foi nomeada a mais habitável do mundo pela Economist Intelligence Unit. Um ponto de vista bem diferente da minha impressão anterior - uma cidade australiana sem a casa de ópera famosa -, o que fez dela um lugar atraente para tentar um fim de semana frugal gastando apenas US$ 100 (96 dólares australianos ou R$ 192).

SETH KUGEL / MELBOURNE , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2012 | 03h07

E embora também esteja entre as cidades mais caras do mundo, a pesquisa aparentemente não levou em conta o fato de que você pode comprar um bife de canguru marinado em molho de ameixa no supermercado por 8 dólares australianos (R$ 16) e grelhá-lo em um parque público.

Fiquei no apartamento de um casal que conheci em 2010, na Colômbia, Patricia Salazar e Wes McCarthy. O belo prédio de tijolos vermelhos ajudou a aliviar a dor de pagar 7,60 dólares australianos (R$ 15) no bilhete diário de transporte. O grande sistema de trem, simples de compreender e eficiente, dissiparam ainda mais o gasto.

No sábado, a primeira parada foi no Queen Victoria Market, bazar coberto onde vende-se frutas e legumes, bugigangas e petiscos cinco dias por semana. Peguei uma massa turca parecida com calzone por 7,50 dólares locais (R$ 15) e gastei 75 centavos (R$ 1,50) em uma maçã e uma pera para comer mais tarde. Não experimentei o caro presunto cru de canguru, mas levei um adesivo das clássicas placas "Canguru nos próximos 5 quilômetros".

Tenho uma regra rígida, mas simples, sobre museus para os meus fins de semana de US$ 100: ir apenas aos que são grátis. Essa foi nossa atividade principal à tarde, graças aos dois museus do descolado Federation Square. A National Gallery of Victoria reúne de escudos aborígines a pinturas australianas contemporâneas.

Já o Australian Center for the Moving Image conta a história do cinema e da TV australiana - que, em várias partes do país, só chegou em 1971. Mas o destaque é a sala onde se pode jogar videogames antigos, como Atari. Para uma dose de seriedade após os jogos, termine a tarde no Shrine of Remembrance, memorial aos veteranos de guerra.

Era hora de jantar. Difícil escolher entre tantas opções apetitosas do Footscray (leia mais ao lado) - apelei para a técnica de entrar no lugar mais lotado. Assim, fui parar no Hung Vuong, um vietnamita moderninho com preços incríveis: 10 dólares australianos (R$ 20) o prato principal.

Acabamos a noite no Section 8, bar num dos vibrantes becos do centro da cidade. Houve espera para entrar, mas o espaço ao ar livre e boas cervejas locais a 5,50 dólares (R$ 11) valeram a pena. Para terminar, fomos a um pub irlandês, PJ O'Brien, uma casa cheia de gente, com música ao vivo. Gastos totais de sábado: 58,35 dólares australianos (R$ 118).

Domingo. No dia seguinte fomos para St. Kilda, o bairro da moda em frente à praia de South Melbourne, famosa pelo parque de diversões Luna Park e sua diversidade de lugares ideais para para tomar um brunch.

Depois, andamos pelo Esplanade Waterfront Market, uma simpática feira de artesanato. Patricia parecia interessada em pinturas e joias, embora eu estivesse mais tentado por um conjunto de abotoaduras feitas a partir da tecla de um antigo computador da Apple.

A cada fim de semana, Melbourne realiza algum tipo de festival - e geralmente mais de um. Eu estava uma semana atrasado para o Food Melbourne, voltado à gastronomia, e para o Festival do Vinho; porém, uma adiantado para o de Comédia. Sendo assim, decidimos passar pelo Viva Victoria, que celebra os encantos multiculturais da cidade.

Melbourne teve ainda outra atração gratuita para oferecer: pinguins. Voltamos para St. Kilda e fomos ao quebra-mar no final do cais, onde pinguins do tamanho de uma caneca de cerveja constroem suas casas. Alguns saíam das tocas e arrancavam suspiros da plateia. Era difícil imaginar que qualquer um dos espectadores trocaria os bichinhos pela vista de uma casa de ópera extravagante.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.