Bruna Tiussu
Bruna Tiussu

Fiorde tropical no litoral do Rio

Para chegar a um dos recantos mais preservados da costa fluminense, só mesmo de barco. Por lá, delicie-se com a cozinha e a prosa dos caiçaras

Bruna Tiussu/ Paraty, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2011 | 03h07

A imprensa em peso rondava a área em seus helicópteros, fãs alvoroçados gritavam e tentavam uma aproximação (mesmo que a nado), driblando barcos e seguranças espalhados ao redor da pequena Praia das Flores. Lá dentro da mansão, Kristen Stewart e Robert Pattinson incorporavam mais uma vez os protagonistas Bella e Edward nas gravações de Amanhecer, quarta parte da saga Crepúsculo - com lançamento previsto para novembro.

Naqueles dias, a região do Saco do Mamanguá, na Costa Verde do Estado do Rio, vivia seu período mais agitado. Dona Gracinha, que mora a poucos minutos da área tomada pela produção cinematográfica, estranhou o tumulto nada convencional, mas nem por isso se abalou. Seguiu fritando os mais deliciosos bolinhos de chuva para o café da tarde, com a tranquilidade típica dos moradores dali.

Por muitos considerado um fiorde tropical na costa brasileira, este refúgio natural é formada por um longo braço de mar que se forma pertinho de Paraty Mirim e se estende por oito quilômetros. Ao redor, cadeias de montanhas (há até uma versão do Pão de Açúcar), manguezais e as mais tradicionais comunidades caiçaras. Que não desejam nada além de preservar toda aquela paz e sossego.

Para chegar a este paraíso, só mesmo de barco. No passeio comum, eles partem da prainha de Paraty Mirim com destino ao Regato, última comunidade do Mamanguá - paradas para mergulhos em algumas das 33 praias da área também podem ser incluídas. Dali, é hora de sentir a energia do local um pouco mais na pele, em um tour de caiaque.

Remando em águas calminhas, com a brisa do vento batendo e um constante silêncio, chega-se ao riozinho do mangue, que também serve de berçário para espécies variadas. A mata atlântica ali na beira acompanha o percurso, assim como os caranguejos vermelhos e pássaros diversos. Certa força nos braços será necessária, pois uma deliciosa cachoeira só é alcançada após uma hora de remadas.

À mesa. Depois do vaivém pelas águas, é com o melhor do cardápio caiçara que o visitante é recebido: arroz, feijão, farofa e frescas postas do peixe parati, típico da região.

O banquete é preparado pelas mãos mágicas de dona Gracinha em sua própria casa, ali no Regato. A hora feliz é enriquecida com histórias e causos das comunidades locais, que cuidam e tiram da natureza seu sustento. Vivem da pesca, do artesanato e, mais recentemente, do turismo sustentável. Se cogitam sair dali e encarar os grandes centros urbanos? Nem pensar.

O papo corre solto e se estende até o cair da tarde sinalizar que o passeio está quase no fim. E também que é chegada a hora de fritar os tais bolinhos de chuva para o café. Não tenha dúvidas, espere por eles. Afinal, para quê a pressa?

Mais conteúdo sobre:
Paraty turismo viagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.