Mariana Veiga
Mariana Veiga

Fish River Canyon: 11 horas na estrada que valeram a pena

Caminho de 333 quilômetros cruzando o Parque Richtersveld garantiu incrível paisagem

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Foi com uma interrogação que começamos a jornada seguinte. O Google nos dava três opções de trajeto até a próxima parada: dois mais longos, com 410 e 483 quilômetros de distância e estrada asfaltada até pertinho do destino; e um mais curto, de 333 quilômetros, cruzando o Parque Richtersveld e com promessa de uma rústica estrada de areia e pedra, muita pedra. Nosso carro não era um 4X4, e sim uma valente SUV Toyota RAV 4. Antes de iniciar as férias, a promessa que fizemos para nós mesmos era tentar sempre privilegiar as rotas mais bem estruturadas, mas...

Mas e a paisagem do tal parque? Viajar, afinal, não era desbravar lugares incríveis? Decidimos trocar uma ideia com o proprietário do lodge. Mapa na mesa, ele foi incisivo. “Podem ir sem medo, vários turistas com carros simples encararam essa rota, sem problemas”, encorajou.

Fomos. Realmente foi incrível dirigir por trechos de estrada que quase sumiam em meio à seca e pedregosa paisagem, muitas vezes com um desfiladeiro de um lado e um penhasco do outro – apenas a largura do carro, sorte que nunca encontrávamos ninguém pelo caminho. Ao longo do percurso, eram muitos os sinais de rios intermitentes, todos secos, cruzando a estrada. No final da rota, um com água e a dúvida: conseguimos passar ou vamos ficar atolados até amanhã? Não tínhamos escolha: fomos.

Eram 333 quilômetros, repito. Para vencê-los, gastamos 11 horas. E por aí dá para se ter uma ideia da precariedade da estrada. Enfim, chegamos ao hotel que foi o ponto alto de toda a viagem: o Fish River Lodge (leia na página 9), com seus 20 chalés distribuídos na borda do Fish River Canyon.

OK, mas não bastava acordar, abrir a sacada e dar de frente para o cânion. Era preciso conhecê-lo por dentro. Senti-lo. Mergulhar no Fish River. Então, cedinho do dia seguinte, foi a vez de um tour de jipe com um dos guias do hotel. No caminho, começamos a avistar bichos – ainda poucos, aqueles que conseguiam se adaptar à aridez da região. Avestruzes, antílopes... Na flora, destacava-se a peculiar árvore quiver, uma parente da babosa, autóctone da região.

O cânion impressiona pelo gigantismo. São 160 quilômetros de comprimento e, no trecho maior, 27 quilômetros de largura. Na parte mais funda, 550 metros de profundidade. O almoço foi um piquenique às margens do rio. Depois veio o mergulho, gelado, mas necessário. O dia seguinte seria de estrada, mais uma vez.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.