Fôlego extra para a selvagem Temimina

Você vai levar 2 horas para andar 2 km, mas terá sua recompensa

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2009 | 03h17

Dois quilômetros de trilha e duas horas de trekking. Já deu para perceber que o caminho que leva à caverna Temimina vai exigir disposição e preparo físico, não? Mas, ao fim do dia, apesar da fome atroz e do corpo dolorido, você terá certeza de que o esforço compensou.

 

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É preciso sair bem cedo para o passeio, que dura um dia inteiro. Sua primeira missão será chegar ao núcleo Caboclos, o mais selvagem do Petar, que ainda engloba as cavernas Aranhas e Chapéu Mirim I e II, próximas umas das outras. Você terá de enfrentar uma estrada de terra bastante sinuosa desde o núcleo Santana, o mais popular, até a entrada de Apiaí. De lá, são mais 10 minutos de asfalto até a portaria.

A trilha começa larga, com uma leve subida. No percurso, você dificilmente encontrará outros trekkers. Pássaros e borboletas são as principais companhias, mas, com sorte, é possível observar tatus e macacos. Fique atento às pegadas: onças também passam por ali.

O cenário muda após meia hora de caminhada. A trilha se torna fechada e íngreme. As mãos ajudam o corpo nos trechos mais difíceis. Quando finalmente a subida acaba, nada de respirar aliviado. É aí que começa a descida, igualmente íngreme. Algumas vezes, é preciso ir sentado. Em outras, você acaba sentando, mesmo à revelia.

FALTA MUITO?

Agora falta pouco, certo? Nada disso. É preciso enfrentar outra subida, tão radical quanto a primeira, para, aí sim, chegar à Temimina. Acostumado à trilha, Sérgio Ravacci, da Ecocave, chama a atenção para uma grande pedra à direita. "Quem não conhece, passa batido", diz. É preciso atravessar uma fenda estreita para ter a bela vista panorâmica da dolina, que integra o complexo da caverna.

A dolina nada mais é que uma caverna desmoronada. Estalactites e estalagmites, outrora protegidas das chuvas e do vento, agora interagem com a vegetação da mata atlântica, enquanto diversas espécies de pássaros usam as fendas nas pedras como ninhos. Encantados com a amostra, seguimos mais uns metros até a entrada da Temimina.

Antes, no entanto, mais um obstáculo. A descida, entre pedras, parece impossível à primeira vista. As pernas reclamam, mas atingem o objetivo. Ufa.

Basta começar a explorar a caverna para o cansaço dar lugar à empolgação. A dificuldade de acesso ajudou a Temimina a manter suas preciosidades longe da ação de vândalos. Como os travertinos grandes e largos, que espelham quem os admira. Salas protegidas guardam grupos de estalactites branquinhas e delicadas. E ninhos de pérolas, uma rara formação que, ao longo de milhares de anos, transforma partículas de calcário em pedras redondas e alvas, tal qual uma pérola verdadeira.

A natureza reservou ainda um chuveiro gigante. Uma ducha d"água geladíssima, que cai sobre uma enorme estalagmite. Mesmo que você tenha coragem, não é possível se banhar ali.

Na saída da caverna, o último show. O verde da mata reflete no Rio Temimina, dando um colorido especial ao lugar. Ainda será preciso enfrentar o caminho de volta - duro, é verdade, mas mais curto que o da vinda. Sem problemas. A essa altura, você já se sentirá recompensado.

OLHA A ONÇA

Parte da diversão da Temimina está em sua trilha, bem natural. No caminho, encontramos até pegadas de onça. Pelo menos foram só as pegadas...

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