Folia sem fim no Recife

Ícones do carnaval, bonecões ganham endereço fixo para o resto do ano

O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2009 | 02h32

.

O número 183 da Rua do Bom Jesus, no centro histórico do Recife, ganhou outros moradores. Um time de peso: Jô Soares, Alceu Valença, Serginho Groisman e mais 19 personalidades se mudaram na semana passada para a casa tombada pelo Iphan. Não, não se trata de um novo reality show, mas da Embaixada dos Bonecos Gigantes. O espaço expõe, o ano inteiro, os bonecões típicos do carnaval pernambucano.

 

Jô Soares, Alceu Valença e até Lampião desfilam pelas ruas da cidade

A partir de 5 de setembro, haverá um atrativo extra. Todos os sábados, às 15 horas, os bonecos sairão em cortejo, acompanhados de maracatus, caboclos de lança, blocos líricos e outras manifestações culturais típicas, pelo projeto Pernambuco é Carnaval do Brasil. Aos domingos, a "trupe" alternará desfiles pela Avenida Boa Viagem e em outras praias.

Segundo Luiz Carlos Filho, o Lulinha, que idealizou o projeto ao lado do sócio Leandro Castro, a ideia é que os bonecos ajudem a revitalizar a Rua do Bom Jesus, que ainda mantém casas da época da dominação holandesa (1630-1654). Além de observar de perto os astros da folia local, os visitantes poderão descobrir um pouco mais sobre como surgiu a tradição dos bonecos gigantes.

O acervo conta com 45 bonecões - os expostos serão trocados de tempos em tempos. Na próxima semana, deve chegar o de Michael Jackson. "O manipulador está aprendendo a fazer o moonwalk", explica Lulinha. Até o carnaval, ele espera ter um total de 70 personalidades retratadas em fibra de vidro. "Todos os artistas autorizaram", afirma.

HISTÓRIA

Quem visitar o espaço pode descobrir que os bonecões são, na verdade, típicos da Bélgica. E como foram parar em Pernambuco? Um jovem da cidade de Belém do São Francisco, no interior do Estado, gostava de ouvir as histórias de um padre belga. Inspirado por ele, decidiu esculpir o primeiro boneco, chamado de Zé Pereira. A diferença é que, no país europeu, a tradição era sacra. Em Pernambuco, virou carnaval.

Sorte dos foliões, que têm uma companhia de peso na hora de subir e descer as ladeiras de Olinda. E bota peso nisso: alguns bonecos, como o do Homem da Meia-Noite, chegam a pesar 47 quilos. As peças de Lulinha, no entanto, têm em média 15 quilos. "Como são feitos em fibra de vidro, ficam mais leves e mais resistentes".

Na loja da Embaixada, é possível até encomendar uma miniatura dos bonecos com seu próprio rosto. Mas prepare o bolso: custa R$ 300.

linkEmbaixada dos Bonecos Gigantes: Rua do Bom Jesus, 183, Recife. Telefone: (0--81) 3441-5102. Entrada: R$ 4

Mais conteúdo sobre:
Viagem Pernambuco Recife bonecos gigantes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.