Fora do gramado, a taça já é nossa

Definida a chave da seleção na África do Sul, podemos dizer sem errar: em turismo, só dá Brasil

O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2009 | 02h23

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No momento em que entrar em campo para fazer sua estreia na Copa de 2010, em 15 de junho, o Brasil já terá vencido ao menos uma disputa contra a Coreia do Norte, nossa primeira adversária no mundial: a turística. Em Johannesburgo, a tarefa do time canarinho será apenas mostrar um belo futebol. Porque no quesito atrativos para os visitantes, estrelas nacionais como as Cataratas do Iguaçu, a floresta amazônica, as praias da Bahia, o Pantanal e o Rio formam uma seleção que impõe respeito e conquista a torcida.

O mesmo não se pode dizer dos norte-coreanos. Não por falta de belezas naturais ou outros atrativos em seu território. Mas porque poucos sabem, de fato, o que existe no país. O regime político mais fechado do mundo procura manter visitantes longe de suas fronteiras.

Um dos passeios possíveis pode ser feito a partir da Coreia do Sul: uma visita à "terra de ninguém", na linha divisória entre os dois países, uma área desmilitarizada de uns 30 metros de largura vigiada por soldados dos dois lados. Dali você vê a cidadezinha de Kaepoong entre as montanhas do outro lado.

SEGUNDO DESAFIO

Contra a Costa do Marfim, nossa segunda adversária na primeira fase da Copa do Mundo, a vitória turística dá um pouco de trabalho. Mas só um pouco. Em campo, esse país da costa oeste da África aposta no perigoso atacante Didier Drogba para superar os brasileiros. Fora do gramado, apesar da infraestrutura turística ainda em formação, tem como trunfo uma coleção de reservas naturais. O Parque Nacional La Comoé, por exemplo, habitado por búfalos, hipopótamos, leões e panteras, é patrimônio da Unesco. Assim como as áreas de preservação Tai e Mount Nimba.

Os 500 quilômetros de praias também podem pesar a favor do país africano. Uma das melhores, como Sassandra, fica a oeste da capital, Abidjã. E, se nós temos carnaval, eles têm festas típicas de mais de 60 etnias e a tradição das máscaras, criada pelos povos dan e baulé.

ALÉM-MAR

No futebol e no turismo, há dezenas de pontos em comum. Tudo culpa do intercâmbio intenso entre Brasil e Portugal desde o Descobrimento. Por aqui, herdamos ícones arquitetônicos como o Paço Imperial, no Rio, que foi residência da família real portuguesa. Eles, recentemente, levaram estrelas como o técnico Felipão e o atacante Liedson, que vai até disputar a Copa com a camisa verde e vermelha.

Dentro e fora do gramado, a vitória será conquistada ponto a ponto (ou gol a gol). Nada em Portugal se compara à exuberância verde da Amazônia, ao ciclo de cheias e vazantes do Pantanal ou às lagoas em meio às dunas dos Lençóis Maranhenses. Em compensação, só lá você pode viajar por estradas cercadas de vinhas, se hospedar em castelos medievais e provar, a cada refeição, uma nova e inesquecível garrafa de vinho fresquíssimo.

Gastronomia? Quem tem coragem de escolher apenas uma opção entre a moqueca baiana e o bacalhau com natas?

Como se vê, a partida é bonita e sobram gols para os dois lados. Só que aqui, como os juízes somos nós, não vai ter empate nem pênalti. O apito final é certeiro: Brasil-sil-sil!

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