Natália Zonta/AE
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Fortaleza que virou cartão-postal

Do alto das torres, espanhóis observavam a movimentação dos inimigos árabes em Lorca

Natália Zonta, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2009 | 02h17

Durante muito tempo, a Fortaleza del Sol marcou a fronteira entre dois mundos. Do alto do morro, espanhóis católicos conseguiam observar cada movimento dos inimigos árabes, que avançavam perigosamente pelo sul - o califado de Córdoba já havia dominado a Andaluzia inteira e queria tomar de volta antigos territórios na Múrcia.

Disputas que instigam a imaginação de quem está no topo da Torre Alfonsina, a mais alta da fortaleza que é o cartão-postal de Lorca. Ao longe, campos cobertos por vegetação tímida, incapaz de esconder as tropas muçulmanas.

Mesmo assim, um soldado de chumbo, em tamanho natural, faz sua vigília eterna lá no alto, como se estivesse pronto para dar o sinal de alerta. O clima, no entanto, não poderia ser mais bucólico nos dias atuais (calma quebrada apenas pelo movimento dos turistas - tirar uma foto ao lado do guarda parece ser inevitável).

 

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Na fortaleza, erguida no século 13, a longa batalha entre as duas crenças ganha vida com o auxílio de fotos e maquetes. Na alta temporada, atores encenam lutas , vestindo roupas medievais. Quando as temperaturas estão mais baixas, em outubro, no Dia das Bruxas, há uma noite mal assombrada.

ARQUITETURA

Faz calor em Lorca. Nos meses de verão, as temperaturas beiram o insuportável - algo entre 30 e 35 graus. Clima que acabou por determinar a arquitetura da cidade. Ruas estreitas, janelas uma de frente para outra, pouquíssimo espaço para os raios de sol entrarem. Cenário típico Mediterrâneo (com direito a turistas de rostos bronzeados), mesmo estando a bons quilômetros de distância do mar.

No centro histórico da cidade, resquícios de uma época medieval e dos tempos em que o barroco era seguido por todos. Na Ex-Colegiata de São Patrício, a fachada rica em detalhes mostra a qualidade dos artistas da região, que conseguiram unir os diversos estilos que surgiram ao longo de seus dois séculos de construção. No mesmo local, outros belos prédios da Plaza Mayor.

Bem perto desse ponto está também o Porche de San Antonio, um grande portal que fazia parte da muralha medieval que cercava a cidade. A estrutura data do século 14 e é o único trecho original.

A última parada, e também a mais breve, deve ser no Palacio de Guevara, antiga residência de um nobre da cidade, um cavaleiro da ordem de Santiago. Os ambientes preservam móveis e decoração da época. Tudo um tanto sombrio.

Fortaleza del Sol: www.lorcatallerdeltiempo.es. Ingresso a 10 (R$ 27);

Museo del Paso Azul: www.lorcatallerdeltiempo.es. Entrada a 3(R$ 8);

Palacio de Guevara: Calle Lope Gisbert, s/n.º; 3

SEMANA SANTA

Em Lorca, a Semana Santa é marcada por festividades grandiosas. Entre os pontos altos, por incrível que pareça, está um desfile que lembra o carnaval brasileiro. Divididos em dois grupos - os chamados pasos -, os moradores saem às ruas vestidos como personagens históricos (vale ser Júlio César, rei Salomão...). As fantasias são caprichadas e custam verdadeiras fortunas. Mais um detalhe, a rivalidade entre os 'pasos' azul e branco é imensa: uma pessoa gosta de um e torce contra o outro, como um fanático fã de futebol.

Os dois grupos montaram museus para exibir as magníficas fantasias usadas nos anos anteriores. O mais interessante é o do Paso Azul, que funciona num belo casarão de 1890. Os mantos são perfeitos, com rostos bordados que mais parecem pinturas.

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