França e Holanda num só Caribe

Com características dos dois países europeus, Sint Maarten/Saint Martin tem variedade que beira o exagero

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

09 Março 2010 | 02h54

Quem a conhece que a explique. Era noite alta numa praia caribenha quando o escritor nigeriano Fabian Badejo despejou, sob luzes intermitentes do cassino próximo - flashes em vermelho, laranja, amarelo e azul -, sua definição sobre o local onde se encontrava: "É o que chamamos de ar da Holanda. São os bares, boates, cassinos capazes de deixá-lo acordado a noite inteira, numa atmosfera que só poderia ser holandesa", resumiu, com a experiência de quem vive ali há duas décadas.

  

 Selo-Verao

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Horas antes, à tarde, em outro extremo da mesma ilha do Caribe, ele concedera, para idêntico pedido, explicação diferente: "É o charme, tradição e boa mesa que só se encontram na França. É legítimo solo francês". França? Holanda? Duas Europas, um só Caribe.

Em dois momentos do mesmo dia, Badejo definiu o que é visitar Sint Maarten/Saint Martin, ilhota nas Antilhas Holandesas, no Mar do Caribe, com território dividido entre as duas nações desde 1648. Em 95 quilômetros de extensão, por onde se distribuem belezas naturais - 37 praias, uma a cada 2,5 quilômetros - e boa estrutura turística, com 360 restaurantes e 14 cassinos, também coexistem diferenças culturais.

 

DOIS PERFIS - Praça central de Marigot e um forte na parte holandesa

Numa ilha tão pequena - em duas horas, é possível percorrê-la toda - a variedade parece beirar o exagero: entre os 75 mil habitantes, além do universal inglês, outros quatro idiomas são falados: francês, holandês, espanhol e papiamento (língua que mistura português, holandês e espanhol). Há dois salários mínimos, três moedas (euro, dólar e florim), dois feriados de Dia das Mães e dois carnavais.

DIFERENÇAS

Mas, para perceber as diferenças entre Sint Maarten (Holanda) e Saint Martin (França), nada como um bom passeio pela paradisíaca ilha. Subindo e descendo morros e vencendo as sinuosas estradas à beira do oceano azul-turquesa nota-se gradual mudança no ar.

De repente, as residências ficam mais antigas, charmosas, levam estilo neocolonial. Estamos perto de Marigot, capital do lado francês, com suas marinas, lojas de grife e chiques galerias de arte. Nos cafés, mesas invadem as calçadas, no melhor estilo das casas parisienses. No bairro Grand Casa, polo gastronômico da ilha, os cerca de cem restaurantes funcionam em casas de madeira ao longo de um deque, numa atmosfera que faz recordar tempos passados. Para os nativos, eis a definição do chamado charme francês.

Delimitada por uma única placa, reaparece a fronteira, e a paisagem começa, novamente, a mudar. As construções são condomínios residenciais planejados - pelo menos 20, e dão impressão de que a ilha toda acaba de ser construída. Estamos em Cupecoy Beach, onde celebridades como Oprah Winfrey construíram mansões e hotéis de luxo. Mais alguns minutos e chegamos a Philipsburg, capital do lado holandês (41 quilômetros quadrados de área), onde paira clima festivo nos calçadões enfeitados com bandeirinhas e animados por músicos de rua. De repente, Holanda.

"Mas, no fundo, o que interessa é que é sempre Caribe. E sabemos que é isso que os turistas vêm procurar", continua a explicar o escritor Badejo, que também dá expediente como guia turístico local. "Todo o restante nos diferencia, é um bem-vindo bônus que faz a ilha ser o que é."

A comprovar que a estratégia vem dando certo, cerca de 1,7 milhão de turistas desembarcam em Sint Maarten/Saint Martin todos os anos. A maioria, 1,2 milhão, chega pelo Aeroporto Princess Juliana, à beira-mar. Tão bem localizado que acabou se tornando atração à parte (leia mais abaixo).

Viagem a convite do St.Maarten Tourist Bureau e da CVC

ONDE FICA

Vá ao lado francês para...

Comer bem: Grand Case é o centro gastronômico da ilha, onde há uma centena de restaurantes nos deques à beira-mar. Cafés charmosos ficam nas ruas centrais de Marigot.

Comprar itens de luxo: Montblanc, Ralph Lauren e Hermès têm lojas na cidade. Cobram em euros (mas sem impostos).

Descobrir a história: perto de Marigot, o Fort St. Louis, construído em 1767, tem painéis que contam a história da ilha.

Passear com a família: na Butterfly Farm, fazenda de borboletas próxima a Orient Beach, são criadas 30 espécies.

E ao holandês se quiser...

Apostar: os 14 cassinos ficam no lado holandês. Os mais famosos são o Princess, Dolphin e o Cassino Royale, em Maho Bay.

Badalar: também em Maho Bay estão as principais baladas, como a recém-inaugurada Tantra (US$ 10 ou R$ 18, sem consumação) e a descontraída Bliss (US$ 15 ou R$ 27). Há mais de 20 bares na Simpson Bay.

Pechinchar: são quase dois quilômetros de lojas duty free (e com preços em dólares) na Frontstreet, a rua principal de Philipsburg,. Na mesma via fica um armazém que vende apenas produtos criados a partir da fruta local guavaberry, como licor.

AEROPORTO PÉ NA AREIA

Muito mais que os atributos naturais, os aviões que dão rasantes na areia fizeram a fama de Maho Bay. Distante apenas 40 metros da praia está a pista do Aeroporto Princess Juliana - com certeza, um dos mais bem localizados quando o assunto é a beleza dos arredores. Turistas se aglomeram na areia para acompanhar pousos e decolagens. O Sunset Bar mantém um painel atualizado das aterrissagens, anotadas numa prancha de surfe.

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Saint Martin Caribe Verão 2010

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