Monica Nobrega/Estadão
Monica Nobrega/Estadão

Um passo a passo para curtir as férias no Beto Carrero World

Com mais de 100 atrações - incluindo a nova área do Hot Wheels -, o parque pede dois dias inteiros. Veja dicas, o que fazer por lá e como organizar a viagem. Sem deixar de lado a diversão, é claro

Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2018 | 05h00

PENHA - Enquanto eu gritava com força “por que foi que deixei você me convencer a entrar neste carrinho?”, meu filho de 7 anos, ao meu lado, gargalhava. Era a primeira descida na montanha-russa Star, no Beto Carrero World: 23 metros de altura e uma sensação aguda de queda livre, que dava vontade de gritar, rir e chorar ao mesmo tempo. Mas crianças são mesmo convincentes: não era ainda 10 horas e já tínhamos repetido a brincadeira outras duas vezes.

Era o começo nublado de segunda-feira na semana de Páscoa, e nós tínhamos acabado de chegar. O maior parque temático da América Latina fica na cidade litorânea de Penha, em Santa Catarina. É lembrado pela atmosfera cowboy que cercava seu idealizador, o empresário João Batista Sérgio Murad, aquele que montava a cavalo, girava o laço e fazia brincadeiras com Os Trapalhões nos longínquos anos 80. Mas, desde que morreu o criador, em 2008, o parque vem investindo em atrações mais pop, mais atentas aos tempos.

Desde 2014, personagens da franquia de filmes Madagascar têm no parque uma área inteira com cenografia, brinquedo e show. Graças ao contrato com o estúdio Dreamworks, Shrek, Fiona e o Gato de Botas também aparecem para encontros e fotos com visitantes. E há novidade programada para as próximas férias: em 12 de julho estreia a atração dos carrinhos Hot Wheels, um espetáculo radical de velocidade. Virá acompanhada de loja exclusiva da marca e de um restaurante temático.

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Inaugurado em dezembro de 1991, o parque vê a frequência crescer continuamente desde 2006 – em 11 anos, o número de visitantes passou do patamar dos 500 mil a 600 mil por ano para o de 2 milhões, em 2017. Ou seja, o Beto Carrero World não cresce como consequência do dólar alto, que encareceu a viagem dos brasileiros a Orlando. Pelo menos, este não parece ser o principal motivo. 

“A economia é uma contingência, claro, mas também intensificamos parcerias focadas em conteúdo, que criam no visitante uma percepção de valor”, afirmou o diretor Comercial, Roberto Vertemati. 

A tal percepção de valor das parcerias fica clara durante a visita. Embora importante como símbolo, a área focada no personagem Beto Carrero, com cenografia de Velho Oeste, parece cansada e um tanto deslocada. É nas atrações e conceitos mais novos que o parque mostra por qual motivo é um atrativo turístico de peso não apenas no Brasil, mas no continente. Segundo Vertemati, o número de argentinos cresceu 20% na alta estação de 2017/2018 em relação ao verão anterior. Durante a nossa visita, o público uruguaio superava numericamente o brasileiro, e o paraguaio era expressivo. 

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O tamanho do desafio

Começar o primeiro dia de parque em uma atração extrema como a Star foi uma estratégia para driblar um começo de mau humor no pequeno. Logo na entrada, crianças devem passar pela tenda de medição. Ali, meu menino descobriu que, com 1,25 metro, ainda não tinha altura suficiente para o brinquedo que mais cobiçava: a Big Tower, torre de queda livre de 100 metros de altura. 

Por segurança, exige-se na torre – e na montanha-russa FireWhip – uma altura mínima de 1,30 metro. Mas a frustração do pequeno durou pouco: com mais de 100 atrações, os dois dias inteiros foram repletos de descobertas para ele. Das radicais às mais simples, como o carrinho de bate-bate, ao qual eu também fui tantas vezes que perdi a conta. 

Para garantir férias gostosas também para os adultos, montamos nossa base na estruturada Balneário Camboriú, a 40 quilômetros. Nesta reportagem, o passo a passo para organizar a viagem

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Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2018 | 04h40

Quanto custam os ingressos?

Os preços variam de R$ 100 a R$ 390 por pessoa, de acordo com a idade, a data da visita, o número de dias (1 a 3) e a antecedência da compra. Até 1.º de julho e de 2 a 31 de agosto, há ingressos mais em conta – 2 dias saem a R$ 170 para criança e R$ 180 para adulto, se comprados pelo site até um dia antes da primeira visita. Meses de férias escolares e o verão são períodos mais caros. Comprar na bilheteria no dia da visita aumenta em até R$ 55 o preço do ingresso. Site: betocarrero.com.br

Vale ficar em Penha?

A cidade onde fica o parque Beto Carrero World tem em torno de 15 praias e alguma infraestrutura turística, basicamente pousadas familiares, hotéis básicos a uma distância que dá para ir a pé até o parque e restaurantes com funcionamento irregular fora do verão. Você não perde muito por não conhecê-la; à noite, falta o que fazer. Balneário Camboriú, a 40 quilômetros, tem mais opções de hospedagem, alimentação e outros passeios.

Onde ficar em Balneário?

Toda a orla é boa localização. O miolo mais agitado, com hotéis e restaurantes, fica no quadrilátero formado pela Avenida Atlântica (a da orla), a Avenida do Estado (duas ou três quadras para dentro, dependendo da configuração dos quarteirões), a Praça Almirante Tamandaré e a Barra Norte. Considere imóveis de temporada. Na semana da Páscoa, aluguei o meu no Airbnb.com.br, uma quitinete gostosa e bem equipada para até quatro pessoas, 5 noites, por R$ 589,32, com taxas. A Avenida Brasil, paralela à orla, concentra o comércio. 

Como ir de Balneário ao Beto Carrero World?

De transfer em van ou micro-ônibus. Os meus foram com a Padrinho Cirino, que atende por Whatsapp (47-9266-2148) e cobra R$ 30 por pessoa, por dia, ida e volta. Há agências na Avenida Brasil que vendem o transfer com desconto de R$ 5 a R$ 10 por pessoa, se você comprar junto os ingressos do parque. O Uber custa de R$ 40 a R$ 50, mas a plataforma tem poucos motoristas em Penha, o que dificulta achar carro e aumenta a tarifa no retorno.

Alugar carro é uma boa opção?

Só para quem pretende fazer outros passeios, como ir à praia em Bombinhas (40 quilômetros ao sul) e passear em Blumenau (70 quilômetros). Considere, na hora de comparar, que o estacionamento no Beto Carrero World custa R$ 50 por dia para carro comum.

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SAIBA MAIS

Aéreo: Latam (R$ 253), Gol (R$ 271), Avianca (R$ 332) e Azul (R$ 389) têm voos diretos SP-Navegantes-SP. De Navegantes a Balneário: são 33 km e não há transporte público. De Uber, sai R$ 45 a R$ 55. O táxi oficial do aeroporto (tel.: 47-3319-5103) é tabelado: R$ 137 por trecho (crédito e débito) e R$ 125 (dinheiro).

LEVE NA MALA

1. Pecado fashion. Nos pés, usem Crocs. Sim, até os adultos, e com meias se estiver frio. Os polêmicos tamancos de plástico são o único modelo de calçado possível para um dia confortável no parque. Secam rápido (é inevitável molhar os pés), são fáceis de tirar e calçar. A alternativa são os chinelos de borracha, que não funcionam para crianças e em dias gelados. Tênis não são boa ideia: molhados, viram um incômodo, que piora se vocês levarem calçados extras para a família. Quem vai carregar isso tudo?

2. Contra a chuva. Aceite: uma possível chuva não segura as crianças debaixo das áreas cobertas (que são poucas) por muito tempo. Leve capa; guarda-chuva é um estorvo. Pense em proteção para a mochila, celulares e máquina fotográfica.

3. Roupa seca. Leve uma muda extra, pelo menos para as crianças poderem voltar para o hotel à noite. Principalmente agora que é inverno e a roupa úmida e gelada o dia todo no corpo pode abrir caminho para um resfriado.

4. Produtinhos amigos. Nós gostaríamos de ter ficado mais tempo no setor do zoo no primeiro dia, mas fomos praticamente expulsos pelos mosquitos. Aqui, o repelente é indispensável. Protetor solar é bem-vindo, mesmo nos dias frios – são horas de caminhada sob o sol.

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Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2018 | 04h40

PENHA - Um dia no Beto Carrero World  é pouco. Dois são suficientes, com tempo para repetir atrações queridas. Chegue no horário de abertura, às 9 horas, para pegar pouca fila nos principais brinquedos. Às 11 horas, o parque enche. 

São nove áreas temáticas, e a ordem para visitá-las vai depender dos interesses do grupo e também da altura e da idade das crianças. Na chegada, pegue um mapa perto dos bloqueios, dentro do Castelo das Nações.

Aventura Radical

Recomendo começar por aqui com crianças aventureiras. É onde fica a já citada Star Mountain, que meu filho adorou. E outras duas atrações que ele não pôde curtir porque exigem altura mínima de 1,30 metro: a FireWhip, montanha-russa mais radical do parque, com as pernas soltas e cinco loopings; e a torre de queda livre Big Tower, com 100 metros de altura. Outro brinquedo gostoso é Tchibum (1,20 metro). O barco para até quatro pessoas despenca em um tanque d’água, com molhadeira garantida. 

 

Madagascar

É a área mais bonita, a melhor cenografia. Crazy River (altura de 80 centímetros) é a atração: uma descida por corredeiras entre personagens de Madagascar, uma quedazinha d’água que faz a criançada gritar e um final com os macacos despejando baldes d’água na cabeça dos visitantes. O brinquedo ficará fechado para manutenção em agosto. Confira o calendário de manutenções do parque em 2018: bit.ly/bcwmanutencao.

 

Mundo Animal

No zoo do Beto Carrero World se destacam os exuberantes tigres brancos. Tem serpentário, elefantes, girafas. Em uma das saídas fica um clássico de parquinho de bairro: a Monga, transformação de uma mulher em gorila. Tem efeitos especiais tão bons que passei a metade dos 15 minutos de duração com a criança de 26 quilos no colo, assustada. 

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Ilha dos Piratas

Tem ótima cenografia, com ponte pênsil e tubarão saindo da água, e o Covil do Tesouro, uma caminhada cheia de efeitos e sons um pouco assustadores. E o irresistível balanço do Barco Pirata (1,20 metro), superconcorrido. Fomos na primeira hora do segundo dia e pegamos filas ainda pequenas. 

Para pequeninos

Triplikland é onde estão o elefante voador, o pedalinho, as xícaras malucas. Meu filho adorou guiar o carrinho de bate-bate – permitido com mais de 1,20 metro. 

Outra área boa para os menorzinhos é a Terra da Fantasia. É um trem que percorre 5 quilômetros entre cenários como uma colina habitada por dinossauros e um túnel-serpente. No fim do trajeto, o trem é assaltado e o cowboy Beto Carrero surge para salvar o dia. Dica: tente conseguir lugar no meio do trem para ver tudo.

 

O legado do personagem

Por falar em Beto Carrero, duas áreas, Avenida das Nações e Velho Oeste, celebram o personagem-tema do parque, como Betinho Carrero 4D, forte apache, passeio de pônei e o Memorial Beto Carrero. Também ficam aqui o barco estilo montanha encantada Raskapuska, que é uma graça, e a montanha-russa para piticos acima de 80 centímetros Dum Dum. 

 

Vila Germânica

Também é parte da velha guarda do parque. Mais antiga entre as áreas temáticas, encanta pelo paisagismo e pela arquitetura. A Tigor Mountain (1,10 metro) é uma gostosa montanha-russa calminha. É aqui que aparecem os personagens de Shrek para fotos. 

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Shows 

São cinco para distribuir pelos dois dias de visita. Abri mão de Excalibur, tanto porque é pago à parte (R$ 70 por pessoa, com almoço incluído) quanto pelo fato de que o tema, duelo medieval e Rei Artur, interessava menos. 

Assim, no primeiro dia vimos o eletrizante Extreme (às 13 horas) – que em 12 de julho reabre como o espetáculo de velocidade e acrobacias em carros com a marca Hot Wheels, a grande novidade do ano. E Blum (15 horas), um show à moda do Cirque du Soleil. 

No segundo dia constatamos que Madagascar Circus (13 horas) é o melhor show do parque. Conta a fuga de Alex, Rei Julien, Gloria e os Pinguins da capitã Chantel DuBois, magistralmente caracterizada. Em meio à história, acrobacias em cama elástica e bicicleta. Empolgante – nós nos remexemos muito.

Com mais de 40 artistas, cantores e bailarinos e muita beleza visual, O Sonho do Cowboy é uma superprodução à moda da Broadway. Conta uma história de Beto Carrero no Velho Oeste – infelizmente datada e que chega a ficar cansativa pelo acúmulo de clichês. Tem salvamento de donzela, bandido gay cheio de trejeitos, travesti dona de bordel, índio uga-buga... Ao menos começa depois que todos os brinquedos fecham, às 18 horas, então dá para assistir sem medo de perder algo melhor.

 

COMIDA DE VERDADE OU SÓ PARA BELISCAR

Um grande acerto do Beto Carrero World é o esquema de alimentação. Praticamente todas as atrações têm como parte integrante de sua estrutura uma barraca de bebidas não alcoólicas e petiscos. Dá tranquilamente para beliscar enquanto espera na fila. 

Ao todo, o parque tem cerca de 50 opções para matar a fome. Uma enorme praça coberta com 2.500 lugares concentra restaurantes de bufê por quilo com algumas especialidades – tem comidas brasileira, açoriana e outras. O quilo custa cerca de R$ 85. Almoçamos ali no primeiro dia, enquanto a criança brincava no lindo carrossel veneziano na hora do café. No segundo dia, testamos a churrascaria de preço fixo, também na praça, mas com mesas ao ar livre – um ambiente mais gostoso. Custou R$ 42 por adulto e R$ 20 para a criança. No fim, a conta dá praticamente na mesma. 

Também há várias pizzarias, sorveterias e lanchonetes de cachorro quente e hambúrguer, tanto na praça como espalhadas por outros pontos do parque. Combos de sanduíche e bebida começam em R$ 30. 

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Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2018 | 04h45

Diga Balneário. E não Camboriú. É este o apelido local da cidade de 120 mil habitantes, a segunda mais importante do litoral catarinense para o turismo, atrás de Florianópolis. 

Balneário complementa os dias de parque com dias de passeio à beira-mar e boa infraestrutura. A orla central tem quase 7 quilômetros de um calçadão pontilhado de quiosques que vendem churros, milho, bebidas e alugam cadeiras de praias (R$ 5). O trecho mais gostoso está para os lados da Barra Norte, com areia mais fina e firme e mar calmo. Do extremo norte parte uma passarela de madeira que costeia o morro até a Praia Brava, linda e... brava. Se for passar o dia, leve lanche. 

Na Barra Sul está o ponto de embarque do teleférico do Parque Unipraias. As 47 cabines acabaram de ser todas trocadas. É uma subida linda em meio à Mata Atlântica. No alto, a Fantástica Floresta (R$ 30) tem trilha e mirante. O trenó de montanha Youhooo! (R$ 45, duas pessoas) desliza em meio à mata em alta velocidade. E é possível chegar à praia de Laranjeiras, do outro lado, também via tirolesa (R$ 45). Ingressos a R$ 42, adulto, e R$ 21 (6 a 12 anos e acima de 60). 

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