Gastronomia

Beleza também se põe à mesa

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 15h31

A maioria dos restaurantes pergunta o que cliente quer comer. Alguns, no entanto, subvertem essa convenção: só querem saber se há algo que você não come de jeito nenhum. Deste segundo tipo, atrevidos, apareceram dois neste roteiro belga-holandês: primeiro, L’epiceria du Cirque, em Antuérpia; dias depois, Oogst, em Haia. 

Confiar na sensibilidade dos artistas da cozinha me pareceu uma ideia que realmente combinava com a proposta da viagem. Entre um museu e outro, conheça os restaurantes que nos apresentaram a comida dos dois países, das receitas tradicionais às “gourmetzices”. 

Bozar Brasserie, Bruxelas

Tem uma estrela Michelin. Os pratos vêm parecendo pinturas de tão bonitos, servidos em tábuas e potes de madeira rústica. Mas fique tranquilo: a comida é farta. O peito de pato com abóbora, figo e couve-de-bruxelas estava delicioso. Vá no almoço, com menus de cerca de 40 euros, um quarto do preço no jantar. 

Tom’s Diner, Bruges

Como não amar um lugar em que se pode pedir refil da ótima batata frita? O cardápio é conciso, mas variado, que vai de carne uruguaia a penne com camarões e molho de leite de coco.

De Halve Maan, Bruges

No restaurante da cervejaria De Halve Maan provei o hutsepot, um sopão de legumes em pedaços com linguiça e carne – era de porco, mas podem ser outras. É como comida de vó, caseiríssima. Menu a 22 euros.

L’Epicerie du Cirque, Antuérpia

O chef Dennis Broeckx é um dos Flanders Kitchen Rebels, os rebeldes da cozinha de Flanders, grupo de jovens cozinheiros que serve comida flamenga, mas desafia seus cânones. Aceitamos a proposta de “menu surpresa do chef”, com altos e baixos: o camarão recheado não deu certo, a lagosta estava excepcional, quem comeu mariscos pediu mais. O cardápio muda sem periodicidade definida, para acomodar os ingredientes da época. Menus custam de 32,50 a 75 euros.

City Castle Oudaen, Utrecht

Em um castelo do século 13, esta cervejaria e restaurante serve quatro tipos de cerveja (há tour guiado pela produção, com agendamento) e pratos individuais enormes (em média, 18 euros). Peça qualquer coisa que acompanhe as memoráveis batatas fritas.

Stan & Co., Utrecht

Além de um ambiente gostoso, moderninho e baladeiro, é o lugar certo para os chatos à mesa. Tem carne, massa, salada e sanduíche. Deu vontade de comer algo básico: escolhi nhoque com cogumelos e parmesão e fui dormir feliz. Cerca de 35 euros por pessoa. 

Dara, Amersfoort

O dia em Amersfoort terminou com um delicioso jantar de múltiplos sabores neste restaurante meio marroquino, meio árabe. A comida é servida em pequenas porções para compartilhar, as mezzes (4 a 9 euros cada). 

Encore by Simonis, Haia

Este novo restaurante na Marina de Scheveningen serve comida asiática em um ambiente chique e moderno. Camarão “pipoca”, supercrocante, e lula com amendoim e cebolinha foram alguns dos minipratos que compartilhamos. Quase tudo custa mais de 15 euros. É caro, mas memorável. 

Oogst, Haia

Último e melhor restaurante da viagem. É da categoria Bib Gourmand (anterior às estrelas) no Guia Michelin. De novo, aceitamos a proposta de menu surpresa do chef. A comida valoriza ao extremo os ingredientes, modificando-os o mínimo, por um lado; por outro, há espumas, esferas, cremes. Foram cinco pratos deliciosos com verduras frescas, linguado no ponto, aspargos. Três pratos e uma sobremesa custam 28 euros. Reserve.

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