Goles de inspiração

Nos vales californianos de Napa e Sonoma, a produção de vinhos finos se mistura a museus e galerias de arte

Frank J. Prial e Jaime Gross, The New York Times, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2010 | 01h40

       

 

 

 

 

 

 

 

Na região, Francis Ford Coppola é mais conhecido como produtor de vinhos do que como cineasta vencedor do Oscar. Fama conquistada graças aos cabernets e merlots produzidos pela Rubicon Estate, a vinícola do diretor em Napa Valley. E que deve se intensificar com a recente abertura de outra fazenda dedicada aos vinhos, batizada com seu nome, no vizinho (e menos badalado) Sonoma Valley.

Localizados 80 quilômetros ao norte de São Francisco, na Califórnia, os vales produtores de vinho praticamente se confundem. Costumam ser vendidos como passeio de um dia para quem está em São Francisco. Um desperdício turístico, consideradas as opções culturais, gastronômicas e de bem-estar que se instalaram na região.

A própria Vinícola Francis Ford Coppola (franciscoppolawinery.com) tem mais a oferecer que apenas degustações. Na propriedade ainda em obras, o restaurante Rustic serve os pratos preferidos do diretor. Duas piscinas tornam o lugar ótimo para crianças. E há exposição de memorabilia hollywoodiana, como a escrivaninha de Vito Corleone, de O Poderoso Chefão.

Na primeira visita você deve investir também em opções testadas e aprovadas, como a Vinícola Robert Mondavi (robertmondavi.com), um clássico. Bob, como ele gostava de ser chamado, foi o responsável pelo renascimento da indústria do vinho em Napa nos anos de 1960. Virou referência, um divulgador da ideia de que vinhos finos são parte indissociável da boa vida.

Mondavi levou para a região as técnicas europeias de produção do vinho, como o uso de tonéis de carvalho francês e o envelhecimento da bebida em tanques de aço inoxidável. Ele morreu em 2008, aos 94 anos.

Na sequência, basta partir para explorações entre os vinhedos, quase sempre emoldurados pelos campos amarelos de mostarda. No topo de uma colina, a Artesa (artesawinery.com) oferece uma das mais belas vistas de todo o vale. A vinícola se estabeleceu em Napa em 1991 - mas a família proprietária, os Codorníu, está no negócio do vinho desde meados do século 16.

Mesmo com o fim do verão no Hemisfério Norte - e da alta temporada - os vales continuam sendo boas opções. Em dezembro, quando o clima é seco e fresco, você evita o calor e as multidões.

Para ir e ficar. Caso decida fazer o tour entre as vinícolas do jeito certo, de carro alugado, e aproveitar as outras atrações do vale, faz ainda mais sentido estabelecer uma base na região. As rígidas leis de trânsito dos Estados Unidos e a vontade de aproveitar cada gota nas numerosas degustações são motivos mais que suficientes para evitar o bate-volta a partir de São Francisco.

Napa tem opções de hospedagem à altura dos vinhos produzidos no vale. A mais nova, o hotel butique Avia, deu fôlego ao centro da cidade (aviahotels.com; desde US$ 396 o casal), que foi revitalizado e recuperou o apelo turístico (leia mais à direita). Debruçado sobre o Rio Napa está o cinco-estrelas River Terrace Inn (riverterraceinn.com; diária para casal desde US$ 219).

Em Rutherford, a 25 quilômetros, o Auberge du Soleil (aubergedusoleil.com; diária para casal a partir de US$ 870) é o favorito de celebridades e dos que estão em lua de mel. No ano passado, o resort ganhou um parque de esculturas, filial da galeria Ira Wolk (iwolkgallery.com), localizada em Santa Helena e frequentada por figuras como a apresentadora Oprah Winfrey.

Oficialmente, a galeria do resort está aberta apenas aos hóspedes. Mas você pode arriscar um jantar no restaurante, que tem uma estrela Michelin, e tentar pedir ao maître para destrancar a porta para o ondulado jardim onde estão 90 esculturas.

Exposições. A ligação de Napa com a arte surgiu nos anos 1970, quando Margrit Mondavi, a matriarca da família, abriu uma galeria, o primeiro combo de vinho e arte da região. As mostras, com trabalhos figurativos e abstratos, mudam a cada dois meses.

A coleção mais dinâmica fica em um prédio de três andares dedicado à arte moderna e contemporânea, o Hess Art Museum, na Hess Collection Winery (hesscollection.com). Gratuito, o museu fica numa longa estrada emoldurada por pinheiros.

Enquanto há vários lugares para acompanhar a produção do vinho em Napa, ver o passo a passo da arte é um raro prazer. Passe no Clos Pegase (clospegase.com), onde Jim Stallings pinta em meio a tanques de carvalho de fermentação. Ou apareça no Gordon Huether (gordonhuether.com), enorme celeiro reformado onde o vidro é fundido, prensado e laminado em arte abstrata.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NOS TRILHOS

Trem do vinho

O The Napa Valley Wine Train é um dos restaurantes mais originais da região. Fica em um antigo trem que percorre 40 quilômetros pelo vale e tem três cozinhas que servem pratos de culinária regional, além de bons vinhos, claro: Informações: www.winetrain.com

 

 

 

 

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