Felipe Mortara/AE
Felipe Mortara/AE

Grafite, cerâmica e arte contemporânea

A inspiração está por todo lugar, mas a arte permanece nos detalhes. Entre uma paisagem e outra, é possível dar de cara com obras não naturais. E se influenciar por essas criações.

O Estado de S. Paulo

15 Maio 2012 | 15h52

 

Foi andando pelas ladeiras de Lençóis que o artista paulistano Stephan Doitschinoff, o Calma, se encantou pelo estilo de vida pacato. Sua irmã, Deborah, já era proprietária do restaurante Cozinha Aberta, quando, em 2007, ele resolveu fazer uma série de trabalhos pelas paredes da cidade. Algumas nada óbvias.

 

Questionando a relação entre sagrado e profano, conferiu novos ares ao interior da Capela de Santa Luzia, diante do cemitério municipal – onde já havia pintado vários túmulos. Os traços modernos, adquiridos nos muros de São Paulo, colocam em xeque a morte, a religião e o tempo. Visto que já estão na igreja há cinco anos, as imagens parecem ter agradado aos moradores, que receberam o presente em um Dia de Finados. Imagens e um documentário sobre as intervenções estão disponíveis no site do artista, stephandoit.com.

 

Da terra.Ao entrar em um restaurante ou hotel de Lençóis, repare nas paredes e balcões. Se houver alguma arte feita em cerâmica, certamente foi produzida por Jeovaldo Chaves Araújo, mais conhecido como Jotacê.

 

Autor de um trabalho com mosaicos e azulejos, este desconfiado senhor de 78 anos, sobrancelhas e cabelos brancos, é uma lenda local. Em seu ateliê, ele fala de suas criações. “Inspiração é de fora, não vem de dentro. Somos robôs, captamos coisas e realizamos. Não sei explicar o que faço”, despista. Escutar suas teorias sobre forças cósmicas e uma tal “planície racional” faz parte da visita. Marque pelo telefone (75) 3334-1678.

 

Inusitado. Nem o mais criativo arquiteto de cidade cenográfica seria capaz de criar um lugar que parece tão parado nos tempos do garimpo quanto Igatu. O pequeno distrito de Andaraí, que foi lar de mais de 10 mil pessoas por volta de 1860, hoje abriga cerca de 400 habitantes e um clima deliciosamente anacrônico.

 

Bastam alguns passos para sair dos limites da cidade e entrar no parque municipal, com ruínas das tocas de garimpeiros do bairro Luís dos Santos. Em 2002, mesmo ano em que Igatu virou Patrimônio Histórico nacional, o artista Marcos Zacariades ergueu, no meio destes bucólicos escombros, a inusitada Galeria Arte e Memória.

 

Um bem arranjado jardim, separado por antigas paredes, reúne peças que contrastam o passado minerador com o presente de preservação. Enxadas, equipamentos de extração e itens usados para açoitar escravos se opõem a trabalhos de artistas contemporâneos, como Gabriela Lavezzari. No terraço, peça o cappuccino feito com café da região. E fuce a lojinha, com artigos caprichados. / Felipe Mortara

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