Gruyères, muito além de seu famoso queijo

O destino mais famoso do cantão de Fribourg é o distrito de La Gruyère, formado por uma dezena de vilarejos, dos quais o mais importante é a medieval Gruyères. Com apenas 28,4 quilômetros quadrados, fica aos pés dos Pré-Alpes e tem o castelo de Gruyères como principal atração turística.

Camila Hessel / Gruyères, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h10

A edificação do século 13, que hoje pertence ao governo de Fribourg, funciona como museu desde 1938. Em dias de tempo bom, os jardins rodeados de muralhas e as ladeiras de pedra da vila no entorno são as opções mais bacanas do pedaço. Dá para fazer fotos lindas, respirando o ar fresquinho das montanhas. Mas se você não der sorte, como eu, e se deparar com nuvens traiçoeiramente rápidas que levam o sol embora em dez minutos, espante o tédio e a frustração com um passeio pelo interior do castelo (10 francos suíços, R$ 23). Dispense o aborrecido filme que conta a história do lugar e explore demoradamente as amplas salas e escadarias. Há detalhes arquitetônicos interessantes, como os afrescos que mudam de salão para salão, e janelas imensas que se abrem para pedaços da paisagem que você só pode ver do alto. A coleção de arte abrigada ali é uma das atrações mais interessantes da visita, com destaque para a sala dedicada à arte naïf. Busque as pinturas atipicamente coloridas de Nikolai Stoev. E torça para a chuva dar uma trégua e você poder dar uma volta no jardim que, mesmo molhado, é espetacular.

Outra opção para se abrigar da chuva é o museu HR Giger, artista suíço que ganhou o Oscar de efeitos visuais por Alien. Fica a poucos passos da entrada do castelo e exibe esculturas e cenários de filmes desenhados por Giger. A entrada independente custa 12,50 francos suíços (R$ 28). Há também uma opção combinada, que dá acesso ao castelo e ao museu por 17 francos suíços (R$ 39).

Na trilha dos queijos. Batizado com o nome do distrito, o queijo mais famoso do cantão de Fribourg é produzido nas fazendas fincadas em meio às montanhas de Gruyère. Seu sabor único é atribuído às pastagens da região. E os números são curiosos: moldada em formas de 35 quilos, uma única peça de queijo gruyère requer 400 litros de leite. A cada ano, 460 toneladas são produzidas ali, em cerca de 50 fábricas - apenas um terço de todo esse queijo é exportado. O resto os suíços, nada bobos, comem tudo.

E, sim, é possível ver o processo de fabricação de perto, visitando uma fazenda produtora. A Fromagerie Vuadens, da família Olivier Philipona, recebe somente turistas com hora marcada para demonstrações e degustações. É preciso enviar um e-mail com antecedência para o.philipona@websud.ch.

Outra opção, um tanto menos autêntica, é a Maison du Gruyère (lamaisondugruyere.ch). Organizada como atração de parque temático, a pequena fábrica organiza tours de cerca de de meia hora, que explicam o processo de produção em uma mostra com cartazes e instalações onde se pode sentir aromas da grama, das flores e do queijo - um prêmio de consolação para quem não tem tempo suficiente ou precisou cancelar a visita à fazenda por causa da chuva...

Ali também é possível ver (atrás de uma parede de vidro) as cubas onde o leite é trabalhado para virar queijo e uma cave com as grandes rodas do produto armazenadas para maturação. A entrada custa 7 francos suíços (R$ 16). Há também uma opção combinada que dá acesso ao castelo e à fábrica por 14,50 francos suíços (R$ 33).

Mas a experiência mais suíça possível é caminhar pela trilha do queijo. Há duas rotas, a de Proveta e a de Reybes. Demarcadas por plaquinhas amarelas, têm níveis de dificuldade semelhantes e podem ser feitas até por crianças. As duas levam cerca de 2 horas para serem percorridas, partem da Maison du Gruyère (onde você pode pedir um mapa) e terminam na Fromagerie d'Alpage, instalada em um chalé alpino do século 18, onde se pode ver os caldeirões de leite em plena atividade.

Uma vantagem da rota via Reybes é o chalé Les Mongeron, tocado de maio a setembro pelo simpático casal Marcel e Odile. Ali é possível provar pratos típicos, preparados de modo caseiro no forno à lenha. Mais difícil do que dizer não ao próximo bocado é criar coragem para tomar o caminho de volta.

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