Guadalquivir une e separa o melhor de Sevilha

Tema de canções flamencas, o Rio Guadalquivir divide antigo e novo em Sevilha. Conecta passado e presente, está onipresente na longa história de conquistas e riquezas da capital da Andaluzia e simboliza a dualidade que caracteriza a cidade e o pensamento de seus moradores. Ao mesmo tempo, para quem vem de fora, une e separa os endereços imprescindíveis em qualquer visita a um dos principais destinos da Espanha.

SEVILHA, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2013 | 02h14

Soberano, o Guadalquivir corta ao meio uma cidade de dupla identidade. De um lado está Triana, bairro de ciganos, de artesãos especialistas em cerâmica e azulejos e também dos pescadores, cuja história está intimamente ligada ao rio.

Da margem oposta, alguns dos endereços mais tradicionais e modernos da urbe se encontram: ali o centro antigo congrega bairros como Arenal, Macarena e Santa Cruz, onde estão os ícones arquitetônicos da cidade e as inovações urbanísticas mais recentes.

Passeios de barco pelo Guadalquivir são uma bela maneira de apreciar Sevilha desde seu ponto de referência mais importante. As embarcações turísticas partem a cada hora da Torre Del Oro, construída durante o domínio árabe no século 12 e, posteriormente, símbolo da época em que Sevilha concentrava as riquezas trazidas do Novo Mundo, no século 16. O tour de uma hora sai a 15 por pessoa (crucerostorredeloro.com).

Ao cruzar a Ponte de Triana você estará no rumo do Mercadão que hoje ocupa parte do antigo Castelo de São Jorge, onde na Idade Média funcionou o Tribunal da Santa Inquisição. Ali, onde um dia arderam as fogueiras da intolerância, uma experiência gastronômica única aguarda os visitantes.

Os clientes podem acompanhar a compra do peixe do dia, da carne e do vinho, entre outros produtos, ciceroneados pelo dono do estabelecimento - no caso, o Bar la Muralla, número 72, de Luis Fernández Bonilla. Uma excelente maneira de travar contato com tapas caseiras de primeira qualidade. Provei ali algumas delícias que só a Andaluzia tem.

Comecei com o salmorejo, o gazpacho encorpado de Córdoba, também chamado de porra em terras andaluzas. Depois foi a vez do pisto - legumes cozidos com tomate triturado e ovo por cima. Logo veio o garbanzo com espinaca (grão de bico com espinafre), o boquerón (peixe frito típico de Málaga parecido à sardinha e servido com pimentões), o choco (molusco parente da lula), a espetada de cordeiro e até hambúrguer de touro. Tudo isso por 9.

Foi uma bela introdução à cultura de tapas - petiscos de balcão de bar - que Sevilha desfruta como poucas cidades espanholas. O circuito para curtir as noites nesse embalo é amplo e diversificado, há bares e mais bares pelo caminho, sobretudo no centro histórico.

Como os clássicos são sempre infalíveis, procure por El Rinconcillo (elrinconcillo.es), no número 40 da Calle Gerona, perto da Praça de los Terceros, uma das tabernas mais antigas de Sevilha, fundada em 1670.

Patrimônios. Profano e sagrado convivem esquina a esquina no centro histórico sevilhano. Além dos inúmeros restaurantes e bares de tapas, a região concentra igrejas, conventos, palácios e casas históricas. A vizinhança, toda tombada pela Unesco, tem La Giralda (a Catedral de Santa Maria da Sé, gótica e barroca, que guarda a suposta cripta de Cristóvão Colombo e o Pátio de los Naranjos); o Archivo General de Índias (acervo onde a saga espanhola na América até 1760 é narrada em 43 mil documentos, mais de 80 milhões de páginas); e o Real Alcázar, o encontro de mouros e cristãos nas linhas rebuscadas da arquitetura mudéjar e endereço de belos e labirínticos jardins.

No bairro Santa Cruz também fica a "Judería", o antigo reduto judeu, outro clássico das cidades da Andaluzia. Suas ruelas brancas e estreitas remetem ao passado e vivem cheias de turistas. Lojas, bares e restaurantes disputam a atenção da audiência. Talvez seja o pedaço mais concorrido - e, por isso mesmo, caro - de Sevilha. Tanto que ali ao lado fica nada menos que a residência de verão dos reis espanhóis./ FÁBIO VENDRAME

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