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Guia gastronômico de Florianópolis: do clássico às novidades

Os últimos anos viram aumentar a população, o número de visitantes e até o de praias. E os bairros assumirem perfis distintos...

Thiago Momm, Especial para O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2015 | 03h00

FLORIANÓPOLIS - Desde 2010, pelo menos 39 restaurantes gastronomicamente interessantes estrearam em Florianópolis. Várias das melhores cozinhas de bares, padarias e cafés também são recentes.

A autoria que os chefs de fora trazem nas panelas obriga os nativos a se retemperarem. Alguns manezinhos, em todo caso, se destacam. O primeiro restaurante local com uma estrela do Guia 4 Rodas em anos, Ponto G, é de um florianopolitano, Vitor Gomes. Assim como um dos restaurantes de frutos do mar que melhor utilizam o quintal marítimo da ilha, o Recanto dos Açores.

Manezinhos são ressabiados com o desembarque alheio. Mas isso faz pouco sentido em uma cidade em que a clientela só aumenta: a população cresceu 35% nos últimos 15 anos (de 342 mil para 462 mil) e o verão soma mais de um milhão de turistas. 

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Para Vitor Gomes, a chegada de novos moradores aumenta o nível de exigência nos restaurantes, e os chefs têm respondido à altura. Ele diz que Florianópolis “tem faculdades de gastronomia, tem cliente, tem matéria-prima”, fatores que corrigem a arraigada lógica pega-turista, de preços iguais aos de restaurantes nacionais mais qualificados.

Alguns chefs locais convivem perfeitamente com os de fora. O nativo Nivaldo Souza, do Recanto, e o paulista Emerson Kim, do japonês Black Sheep, são amigos que conversam sobre pesca. No fim, cada um acaba fisgando o seu quinhão.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Onde jantar em casal?

Na Santo Antônio Spaghetteria e Café (Rua Cônego Serpa, 30; 48-3235-2356), com mesas à meia-luz sob uma pitangueira; no Porto do Contrato (Rodovia Baldicero Filomeno, 5544; 48-3337-1026), com mesas para dois em uma varanda com colunas de pedra e telhado de troncos de madeira, bambu e palha avançando sobre a água no Ribeirão da Ilha; no bistrô João de Barro (Rodovia Haroldo Soares Glavan, 1166), com vista distante das luzes da avenida Beira-Mar Norte; no Bistrô Santa Marta e no Ponto G (leia abaixo). 

2. Onde petiscar frutos do mar em um lugar secreto?

Na Lagoa da Conceição se esconde a Toca da Lontra (48-9122-9162), depois de uma trilha de cinco minutos com entrada ao lado do Bar do Boni, no fim da Avenida das Rendeiras. A cozinha tem delícias como a lula recheada com camarões. Peixes e siris ficam em um pequeno viveiro e são escolhidos na hora. Quem quiser pode se hospedar ali (R$ 280 por dia, para dois), na casa encravada no sopé do morro. Para isso ou para os petiscos, o pagamento é apenas em dinheiro.

3. Quais as melhores comidas fora de restaurantes?

A melhor padaria é a François (SC-401, 8600; 48-3333- 9995), capitaneada pelo viajado francês Benoît Cousin. O Uai di Minas (Rua Bocaiúva, 1959; 48- 3224-0019) dulcifica e encachaça os clientes. Ótimas hamburguerias começaram a pulular, caso da rede Madero (Beira-Mar Shopping, térreo; 48- 3039-0388) e da Gourmet Burguer Market (Rua Desembargador Pedro Silva, 2045; 48- 3024-2462). O Café Cultura (Rua Manoel Severino de Oliveira, 669; 48-3365-9700) trabalha com blend próprio e é a principal referência na Lagoa, enquanto o Uma Origem Café (Rua Brejaúna, 43), com café de outras regiões e países, é um dos grandes atrativos do mercado São Jorge.

4. Onde tomar os melhores sorvetes?

Na Max Gelateria e na Monte Pelmo, ambas com alma italiana e algumas pinceladas brasileiras. A primeira é uma rede com quatro unidades na cidade, incluindo Lagoa da Conceição (Avenida Afonso Delambert Neto, 619; 48-3207- 9110). A segunda, responsável por filas em uma isolada rua da Praia dos Ingleses (Rua Brisamar, 360; 48-3369-3049).

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ONDE COMER

Os dez restaurantes a seguir, testados e aprovados, sinalizam uma nova Florianópolis.

Bistrô Santa Marta. Rua Laurindo Januário da Silveira, 1350, Canto da Lagoa; 48- 3371-0769

A entrada batizada de jardim de cogumelos traz um mix de cogumelos, azeitonas pretas em pó e molho à base de shoyu e limão siciliano. A ela se somam o atendimento, o vinho da casa, o pequeno ambiente à luz de velas e arandelas e os confiantes pratos principais, como camarões e vieiras flambados em vodca, servidos com nero di sépia ao molho provençal e finalizados com ovas de capelin (R$ 63). Igualado por poucos na proposta, o bistrô com frequência testemunha pedidos de casamento. 

Black Sheep. Avenida Beira-Mar Norte, 2746, Centro; 48-9189-1005

Depois de funcionar na Lagoa, abriu no último andar do hotel Majestic e ali rompe com a mesmice da culinária nipônica local. O salmão karashi vem com mostarda picante japonesa. O black sheep é um enrolado de salmão com aspargos e abacate em perfeita fusão com um creme quente gratinado de vieiras, ovas e kani. O omakase, com diversas seleções do chef (R$ 110), resolve o conflito sobre o que pedir. Kim passou por grandes cozinhas, como a da unidade suíça do Nobu.

Jay Bistrô. Avenida dos Búzios, 1136, Jurerê Internacional; 48-3364-5997

O confit de pato com aligot (purê com queijo gruyère) de baroa e molho de jabuticaba (R$ 58) é puro equilíbrio. De sobremesa, o chocolate em texturas traz cinco microdoces – mas o pudim de leite cremoso com doce de leite e flor de sal defumada vai além. O chef Eudes Rampinelli passou por cozinhas espanholas e se estabeleceu em Jurerê no último verão.

La Cave. Rua Altamiro Guimarães, 260, Centro; 48-3037-2828

Aberta há dois anos, a casa levou para Florianópolis o conceito de gastrobar, refletido no ambiente confortável, mas informal, ideal para happy hour. Os sócios, um francês e três brasileiros, se conheceram na Europa, onde acumularam experiências em bares e na gastronomia. Servidos em taças, os espumantes vêm de pequenos produtores de diversas regiões francesas. O cardápio oferece tapas e pratos contemporâneos. O tartar de filé mignon com azeite defumado e mousse de Dijon (R$ 32) é adorado pelos clientes. 

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Le Petit Comité. Rodovia João Paulo, 1338; 48-3304-6301

O francês Cedric Pesché, de 27 anos, deixou em 2013 as cozinhas do seu país para viver em Florianópolis. O bistrô tem apenas 24 lugares, cardápio conciso, informalidade, preços generosos (entrada mais prato principal até R$ 60 por pessoa) e frutos do mar escolhidos do outro lado da rua, nos ranchos do bairro João Paulo. Prove o tartar de bife com pesto à moda do chef e o burguer de Paris.

Marisqueria Sintra. Rua 15 de Novembro, 147, Sto. Antônio de Lisboa; 48-3234-4219

O proprietário é João Henrique Franco, natural de Sintra, e a capitã da cozinha é a brasileira Andreia Arruda de Paula, que teve sua formação culinária em Lisboa. As ostras gratinadas com purê de maçã mostram a assinatura da casa. Oferecido em seis versões, o bacalhau divide o menu com polvos, robalos e atuns. As casas açorianas do bairro terminam de aportuguesar o dia. 

Meat Shop Grill. Rodovia SC-401, 10954; 48- 3234-9548

Em uma cabana amadeirada com ares de Patagônia, Elisabeth Schreiner conversa com os habitués do seu restaurante e da loja de carnes nobres anexa. A carta de vinhos tem 150 rótulos e a casa produz uma dúzia de linguiças artesanais, como a suína com queijo grana padano, um dos hits. Ojo de bife de 400 gramas com chimichurri, purê de aipim e farofa (R$ 55) é uma bela pedida. Às sextas e sábados, há shows de MPB.

Pellegrino Massas Artesanais. Avenida Afonso Delambert Neto, 315, Lagoa da Conceição; 48-4009-2091

A aposta é em leves porções individuais. A foccacia de cortesia, as massas e as cervejas são produzidas ali. Os paulistanos Fabrício e Fabiana Pellegrino, após passagem por grandes cozinhas (incluindo estágio dela no El Bulli), decidiram criar os filhos na ilha. O domínio da técnica molecular é usado eventualmente, como na cocção do polvo sous vide (R$ 58).

Ponto G. Rua Padre Rohr, 1717, Sto. Antônio de Lisboa; 48-8815-0608

Abriu há dois anos e se resguarda depois de 1,7 quilômetro de estrada de terra e uma subida serpenteada de asfalto. Ali é a casa de Vitor Gomes, manezinho com experiência em cozinhas francesas. O menu-confiança (R$ 150) é reconfigurado a cada semana. No que experimentei, os itens mais prodigiosos foram uma salada de brotos; uma paleta de cordeiro assada com purê de inhame; e um bolinho de mandioca e coco embebido em calda de cachaça e acompanhado de sorbet de limão. O som de grilos, o verde do entorno e a brisa selam a experiência. 

Recanto dos Açores / Recanto dos Brunidores. Brunidores: Praia dos Ingleses, Canto Sul, s/nº; 48-9937-3914; Açores: Caminho dos Açores, 1595, Sto. Antônio de Lisboa; 48-8432-0500

O Recanto dos Brunidores veio quebrar a mesmice de Florianópolis no preparo de frutos do mar. A casa foi aberta em 2012 por um chef praticante de pesca submarina, Narbal Corrêa, e passou às mãos de outro, Nivaldo Souza, que também pesca parte do cardápio. O menu degustação (R$ 130) prova a singularidade da cozinha em oito etapas, entre elas camarão rosa com purê de mandioquinha e tartar de garoupa com caviar de tapioca. Em 2014, o restaurante ganhou um duplo, o Recanto dos Açores. 

PEDIDAS CERTAS PARA COMER E PETISCAR

Como no caso dos restaurantes, vários dos melhores bares de Florianópolis são recentes. Na lista a seguir, nenhum tem mais de seis anos.

Books and Beers. Rua Senador Ivo d'Aquino, 103; Lagoa da Conceição; 48- 3206-6664

A casa tomate cereja vazada por janelas de madeira verde-água agrada por dentro e por fora. O nome se reflete em algumas prateleiras de livros, na oferta de cervejas e no cardápio literário, com receitas associadas a escritores, como o Hot Entrecôte, inspirado nos picantes Henry Miller, Anais Nïn e Hilda Hilst. 

Cervejaria Sambaqui. Rua 15 de Novembro, 181, Sto. Antônio de Lisboa; 48-9946- 4365

Há quatro rótulos saborosos de cerveja própria e ótima música autoral aos domingos, em um ambiente com mesas espalhadas pelos distintos espaços a céu aberto de uma casa. Para chegar ali o cliente passa, no térreo, por um café e estúdio com som ao vivo às quintas-feiras e sábados. 

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La Guirlanda. Avenida Madre Benvenuta, 1572, Santa Mônica; 48- 3028-8728

Um bar e creperia com muitas boas escolhas: as bandas de chorinho, jazz e blues entre quarta-feira e sábado, os garçons zelosos, as cervejas artesanais (mais o chope catarinense Schornstein), a meia-luz. Os crepes coroam a visita. O Indiana, com camarões grelhados, alho poró, abacaxi e curry, é resultado dos oito anos de vida do dono em terras gaulesas.

The Black Swan. Rua Manoel Severino de Oliveira, 592, Lagoa da Conceição; 48-3234-5681

A costelinha de porco no molho barbecue, os garçons bilíngues, a oferta de cervejas e de esportes nas TVs já faziam do Black Swan a opção infalível dos gringos na Lagoa. O inglês Simon criou um jardim e um novo ambiente interno. De quinta-feira a sábado, dias de pop-rock ao vivo, o amplo público fiel quer beijar sem ir a baladas. 

Sunset Bar. Rodovia Jornalista Manoel de Menezes, 631, Praia Mole; 48- 3232-0141 

O bar, parte do principal albergue de Florianópolis, o Backpackers Sunset, melhora a cada ano. Faz cinco cervejas próprias (tente a IPA), tem espaços abertos e música ao vivo. A vibe é inigualável.

Zé Mané. Rua Des. Pedro Silva, 2360, Coqueiros; 48-3204-8652

Os preços do cardápio foram ajustados de acordo com a fama, mas essa fama não veio por acaso. Da melhor cozinha de boteco da cidade é só escolher sem receio: hambúrguer de frescal com mil folhas de aipim, coxinha de marreco, caipirinha de bergamota com manjericão e pimenta-rosa, e vai longe. Às sextas-feiras e sábados, há petiscos inéditos. A carta de cachaças tem 120 rótulos.

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