Guia para curtir a temporada de inverno em Campos do Jordão

Novos restaurantes, bares e os clássicos que todo mundo adora: veja o que fazer para aproveitar o friozinho na cidade serrana em julho

Marina Azaredo, Especial para o Estado

02 de julho de 2019 | 04h00

É difícil resistir ao charme de Campos do Jordão. A cidade mais alta do Brasil, com 1.628 metros de altitude média, tem uma vocação invernal capaz de conquistar até os maiores fãs do combo coqueiros + mar turquesa + água de coco, como esta repórter que vos escreve. Tudo começa pelo clima: no inverno, o frio serrano pode levar os termômetros a marcar temperaturas próximas a zero na madrugada. No resto do ano, a temperatura é agradável – nada de calorão, suor pingando no rosto e aquela moleza que dá as caras em dezembro. 

E o friozinho, não se engane, tem o seu próprio combo de sedução. No lugar do mar azul-turquesa, entra a imponente Serra da Mantiqueira, que se estende por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Mata Atlântica substitui com louvor e exuberância os coqueiros das praias paradisíacas. E quem vai pensar em água de coco quando se tem vinho, cerveja artesanal e chocolate quente? 

É no inverno, principalmente em julho, que o turismo explode – só para o Festival de Inverno é esperado um público de 150 mil pessoas. Uma multidão em busca da atmosfera europeia, da boa mesa e, claro, do ver-e-ser-visto: muita gente se encontra na Vila do Capivari, seu principal reduto turístico. Além do mais, não há oportunidade melhor – geograficamente falando – para desfilar aqueles casacos que ficam guardados no armário o ano inteiro. 

Por isso mesmo, como todo bom destino turístico, a cidade, a 180 quilômetros de São Paulo, ganha novidades e atrações sazonais específicas para a alta temporada. Além de novos restaurantes, bares, hotéis, shows e baladas, há reformulações no que já existe, para atrair também antigos frequentadores. 

Recheado de construções no estilo enxaimel, o Capivari ainda concentra o fervo. Ali ficam restaurantes disputados, como o clássico Baden Baden, focado na gastronomia alemã, e endereços de guloseimas típicas, como a Sabor Chocolate, onde é possível degustar diversos tipos de chocolates produzidos localmente. 

Mas há cada vez mais opções também fora dessa região, que, a bem da verdade, não é lá muito autêntica – o estilo alpino foi apenas uma inspiração para os primeiros empresários locais, que construíram seus empreendimentos em uma época em que se valorizava mais o que era de fora, e não resultado de uma real colonização germânica. 

Ninguém nega o charme do enxaimel, mas a cara original de Campos do Jordão é outra: casas simples de madeira, com fogão à lenha na cozinha e um belo leitão caipira à mesa. Hoje, empresários atentos às mais recentes tendências de valorização do que é local lutam para recuperar e transformar essa história em mais um produto turístico da cidade. 

Trânsito

Nesta temporada de inverno, Campos ganha, portanto, não apenas atrações no tradicional estilo europeu, mas também novidades que valorizam as suas raízes culturais e históricas. Não faltam ainda tendências quase onipresentes quando se fala em turismo, como as cervejarias artesanais. E uma boa nova também no trânsito: pela primeira vez será implantada a Operação Montanha, com faixas no contrafluxo e faixas reversíveis até 5 de agosto. O objetivo é garantir maior fluidez no trajeto entre Campos e São Paulo nos fins de semana.

Novas e velhas atrações de Campos do Jordão são coroadas neste mês pela 50.ª edição do Festival de Inverno, que ganha apresentações também de MPB e volta a ocupar um dos mais tradicionais hotéis da cidade. O Toriba, inaugurado em 1943, quando o turismo na região ainda era incipiente, receberá 12 concertos, quatro deles gratuitos. Confira a seguir as novidades desta temporada e o que sempre vale a pena rever na cidade.

FIM DE SEMANA TERÁ TEMPERATURA PRÓXIMA A ZERO

Se você estava esperando um friozinho mais intenso para marcar sua viagem para Campos do Jordão, pode se preparar: a partir de quinta-feira, a chegada de uma massa de ar frio de origem polar vai derrubar as temperaturas na região Sudeste. Em Campos do Jordão, os termômetros podem marcar zero grau – ou mesmo temperaturas negativas no fim de semana. Segundo o instituto meteorológico Climatempo, a máxima na cidade no sábado e no domingo não vai passar dos 11 graus. Ou seja: luva, gorro e cachecol serão itens fundamentais na mala. 

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Novidades quentinhas para degustar

Comer e beber é programa perfeito para o frio - e há novas opções para provar os sabores típicos da Mantiqueira

Marina Azaredo, Especial para o Estado

02 de julho de 2019 | 03h00

Comer e beber é programa perfeito para o frio. E não faltam boas opções em Campos do Jordão – o fondue é um clássico do inverno, e há muitas casas especializadas na receita. Mas a região começa a ganhar endereços que valorizam também os ingredientes e as tradições da Serra da Mantiqueira. 

Moringa Mantiqueira

Aberto em junho no Capivari, o Moringa Mantiqueira apresenta um cardápio que privilegia ingredientes artesanais de produtores da região. O jarret de leitão com angu de fubá de milho crioulo, banana grelhada e couve refogada (R$ 48) é um dos pratos criados pelo chef Vitor Rabelo. O ceviche de truta (R$ 34) leva, além do peixe, pipoca de canjiquinha, azedinha fresca e batata-doce assada. De sobremesa, o doce de pão da vovó servido com creme inglês e cacau (R$ 24) é inspirado em uma receita de mais de 70 anos da avó do chef. 

A carta de vinhos, desenvolvida pelo sommelier Francisco Lima, é composta exclusivamente por rótulos brasileiros, com destaque para os vinhos da Mantiqueira, como os da vinícola Guaspari, de Espírito Santo do Pinhal. A casa é resultado de uma parceria dos chefs Vitor Rabelo e Vitor Pompeu com Anderson Oliveira. Este último também comanda o Dona Chica. A partir de agosto, o Moringa Mantiqueira terá também expedições gastronômicas. Em visitas a propriedades da região, será possível acompanhar a produção dos ingredientes e participar de degustações.

Casa Petrópolis

Com ares mais badalados, a Casa Petrópolis acaba de abrir as portas no Capivari. O espaço foi dividido em dois ambientes: um dedicado à gastronomia de Mario Portella e Rafa Bocaina. Outro, à coquetelaria de Jean Ponce (do Guarita Bar, em São Paulo) e à harmonização de cervejas de Carolina Oda, que tem passagens pelos restaurantes Jun Sakamoto e D.O.M. Da cozinha saem cortes nobres de carnes e acompanhamentos feitos na brasa, privilegiando produtores locais. 

Cervejarias artesanais

A onda das cervejarias artesanais (que está mais para tsunami) também chegou a Campos. A Cerveja Campos do Jordão inaugura até o fim do inverno um parque cervejeiro com múltiplas experiências relacionadas à bebida na região do Gavião Gonzaga. 

Entre as novatas, a nanocervejaria Gård entra em seu segundo ano. Seu espaço diminuto é parada indispensável no Horto Florestal para degustar rótulos especiais em meio à natureza.

Hospedagem

A Pousada Dreams abre as portas em uma antiga casa familiar construída em um bosque nativo com árvores centenárias como pinhos-bravo, jacarandás e castanheiras. São cinco suítes de luxo com vista para a Serra da Mantiqueira; diárias de R$ 820 a R$ 920, para julho. 

Já a rede Sabor Chocolate, tradicional loja de chocolates da região, inaugura no dia 12 uma pousada com oito quartos: Chocolate ao Leite, Chocolate Branco e Chocolate Amargo são os nomes de algumas suítes. Pacotes de duas diárias desde R$ 1.000; (12-99176-5969).

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Vale a pena ver de novo

Do burburinho do Capivari ao sossego do Horto Florestal, não faltam motivos para revisitar atrações icônicas da cidade

Marina Azaredo, Especial para o Estado

02 de julho de 2019 | 03h00

O footing no Capivari é programa inevitável de Campos do Jordão. Entra ano, sai ano, o centrinho de atmosfera europeia reforça a sua vocação de ponto de encontro para os turistas. Ali, o Baden Baden é um dos endereços mais tradicionais. Focado na gastronomia alemã, o restaurante serve desde 1985 pratos típicos germânicos, como o joelho de porco defumado com chucrute, repolho roxo e batatas cozidas (R$ 138,80, para duas pessoas), e especialidades locais, como a truta grelhada (R$ 72,80, porção individual).

É do Capivari também que parte o passeio de bonde turístico pela estrada de ferro que liga a cidade a Pindamonhangaba, em um simpático trajeto até o bairro de Abernéssia, onde teve início a cidade de Campos do Jordão. Se as paisagens não impressionam (o trecho é feito dentro do perímetro urbano), o passeio ganha em singeleza - as crianças adoram; R$ 12, ida e volta.

Cultura

Na seara cultural, o Palácio Boa Vista (Av. Dr. Adhemar de Barros, 3.001; R$ 5) abriga um acervo com cerca de 2 mil peças. Há de mobiliário dos séculos 17 a 20 a peças religiosas, passando por obras de mestres como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Cândido Portinari

No Mosteiro Beneditino de São João, pode-se apreciar o canto gregoriano nas missas diárias, às 8h (7h15 aos domingos). E, no Museu Casa da Xilogravura, a arte de imprimir com tipos de madeira - são milhares de obras de mais de mil artistas.

 Um dos meus favoritos, no entanto, é o Museu Felícia Leirner  (R$ 10), em uma área de 35 mil metros quadrados com vegetação remanescente da Mata Atlântica. A escultora nascida na Polônia adotou Campos do Jordão como casa em meados da década de 60 em busca de uma vida mais próxima da natureza. Ali, o visitante encontra um conjunto de 85 obras de bronze, cimento branco e granito distribuídas ao ar livre. De brinde, a vista da Pedra do Baú.

Natureza

Para continuar o contato com a natureza, o Parque Estadual Campos do Jordão é o endereço certo. Mais conhecida como Horto Florestal, a reserva tem araucárias centenárias, trilhas para caminhadas, áreas para piquenique e uma fauna riquíssima - são 186 espécies de aves catalogadas e animais ameaçados de extinção, como a onça-parda, a jaguatirica e o papagaio-de-peito-roxo. 

O local também conta com uma atração gastronômica de peso. No Restaurante Dona Chica, Anderson Oliveira serve receitas tradicionais para dois, como a truta grelhada (R$ 98) e o leitão caipira (R$ 115) em uma casa construída aos moldes da residência de sua avó. 

E quem não gosta de uma foto panorâmica? Com uma vista de várias cidades do Vale do Paraíba, o melhor local para os cliques nas alturas ainda é o Pico do Itapeva, com 2.030 metros de altitude. Além do panorama, um campo de lavandas bastante instagramável faz sucesso ali.

Outros ícones

Pedra do Baú

O principal cartão-postal da região fica na vizinha São Bento do Sapucaí. A rocha pode ser escalada, com o auxílio de monitores, após uma caminhada de 2h. Mas também é possível apenas curtir a vista, a 1.950 m de altura, que alcança até as montanhas de Minas Gerais. Ingresso: R$ 10. Estrada da Campista, km 21. Informações: (12) 3663-1977.

Borboletário 

Uma fazenda de preservação ambiental próxima ao Horto Florestal abriga um dos poucos berçários de borboletas do País. Em um grande viveiro, 35 espécies voam, acasalam e põem ovos, livres de predadores. Além de observá-las, o visitante assiste a um vídeo que explica as fases de vida desses insetos, que só voam em dias de sol. Entrada R$ 35.

Parque Amantikir

Inaugurado em 2007, o parque (foto) tem uma coleção de mais de 20 jardins e 700 espécies de plantas. O cenário é emoldurado por uma bela vista da Serra da Mantiqueira. Entre os destaques, há um fotogênico labirinto forrado de vegetação. O parque fica na região de Gavião Gonzaga e pode ser visitado diariamente, das 8h30 às 17h, com ingressos a R$ 40.

Fábrica de chocolate

Chocólatras inveterados podem ver seu doce predileto sendo produzido na loja de fábrica da Araucária. É possível acompanhar a produção por uma área envidraçada. Um espaço cultural em que se conta a história do chocolate completa a visita, que é gratuita e não requer agendamento.

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Ícones de cara nova

Programas e atrações tradicionais de Campos também foram renovados

Marina Azaredo, Especial para o Estado

02 de julho de 2019 | 03h00

Campos do Jordão não para. Mesmo atrações consagradas têm sido reformuladas para atrair um turista mais exigente. E nem o tradicional Festival de Inverno de Campos do Jordão escapou dessa tendência. Em sua 50ª edição, o evento em 2019 mantém a música clássica como carro-chefe, mas traz outras influências. 

LEIA TAMBÉM: Guia para curtir a temporada de inverno em Campos do Jordão

Festival de Inverno

Entre os 150 espetáculos agendados para o festival, que começou em 29 de junho e segue até dia 28, há nomes da música popular, como Mônica Salmaso, Carlinhos Brown, Fafá de Belém e Diogo Nogueira. Para não perder a essência do evento, todos os artistas serão acompanhados pela Orquestra Jazz Sinfônica. Há apresentações pagas (a partir de R$ 50) e gratuitas.

Ao ar livre

Na programação diurna, o Parque Capivari deve entregar novidades em breve. A Eco Parques do Brasil, empresa que administra o Parque Nacional do Iguaçu, ganhou a concessão do parque de Campos do Jordão, famoso pelo teleférico do Morro do Elefante, uma das atrações mais antigas da cidade. Além de reformulação do teleférico (R$ 16, ida e volta) e do pedalinho (R$ 15 por 10 minutos), a empresa promete inaugurar uma pista de patinação no gelo com 200 metros quadrados e uma “game zone” com jogos de realidade virtual.

Para atrair famílias, o Parque Tarundu, um complexo recreativo ao ar livre, também investe em novidades. Entre as mais de 30 atividades disponíveis, há um circuito de tirolesas com 800 metros de extensão e 60 metros de altura, passeios a cavalo, patinação no gelo, paintball, arco e flecha e boia cross. A boa nova mais recente é o Tubo Insano, um escorregador cheio de curvas no escuro e em forma de tubo. 

É possível optar por pagar as atrações separadamente (a partir de R$ 20) ou adquirir um passaporte para múltiplas atividades (a partir de R$ 125).  Dependendo das condições climáticas, ainda é possível fazer um voo de balão – há a opção de voo cativo (R$ 90) e voo livre (R$ 750). O parque também conta com um bom restaurante, o Tainakan.

Mais frequentada pelos locais do que pelos turistas, a Festa das Cerejeiras em Flor (ingresso R$ 20) chega à sua 51ª edição a partir de 20 de julho no Parque da Cerejeira. Há apresentações de música e dança e comidas típicas japonesas – boa pedida para dar uma pausa no cardápio clássico invernal.

Consumo consciente

Fora do circuito tradicional, mas perfeito para fugir das lembrancinhas de praxe, o Mãostiqueiras, na região do Gavião Gonzaga, é o endereço certo. O projeto reaproveita a lã da tosquia das ovelhas de propriedades da região que seria jogada fora. Dezenas de mulheres da comunidade produzem artesanalmente peças quentinhas e aconchegantes como mantas, almofadas e golas. 

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