Guia rápido para se dar bem com as milhas

Com ajuda de experts, desvendamos os tortuosos caminhos para ganhar um bilhete-prêmio. Tudo para ver se você consegue a tão sonhada passagem antes das próximas férias

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2010 | 02h05

O médico Rodrigo Purisch, de 37 anos, já visitou Estados Unidos, Uruguai, Colômbia, Argentina e vários destinos brasileiros sem pagar pelas passagens aéreas. Com mais de 50 países no currículo, a economista Sylvia Lemos, de 56, também perdeu as contas de quantas vezes decolou sem ter de desembolsar nenhum real (ou dólar) pelo bilhete.

Não há segredo nessas histórias, todo turista sabe: basta usar milhas para obter a chamada passagem-prêmio. Mesmo assim, a situação mais comum é dos que colecionam pontos esparramados por diferentes programas de fidelidade sem nunca atingir a cota mínima para resgatar benefícios em nenhum deles. Poucos dominam os caminhos para chegar ao sonhado bilhete gratuito. Que nem sempre são simples, é bem verdade.

Desde que o Smiles foi relançado, em outubro de 2008, Gol/Varig e TAM iniciaram uma verdadeira batalha pela fidelidade de seus passageiros, com promoções agressivas como a que permitiu resgate de passagens por a partir de 2 mil milhas (em geral, são exigidas 10 mil milhas para o trecho na América do Sul). As duas principais empresas aéreas do País têm se dedicado também a conseguir fechar novas parcerias e aumentar as possibilidades para que seus passageiros juntem - e gastem - as milhas conquistadas.

Até no supermercado. O recém-lançado Multiplus Fidelidade, por exemplo, une várias empresas - livraria, posto de combustível, supermercado - sob o guarda-chuva do programa TAM Fidelidade. E permite acúmulo de pontos e descontos nas compras feitas em todos os estabelecimentos conveniados.

Facilidade que será ainda mais vantajosa a partir de maio, quando a empresa passa a fazer parte do quadro da aliança internacional Star Alliance, com possibilidade de emitir passagens-prêmio em quase 30 empresas aéreas internacionais e desfrutar de salas vip e check-ins exclusivos mundo afora.

A Gol/Varig, mesmo sem integrar nenhuma aliança internacional, tem parcerias com a American Airlines e a Air France/KLM. Os pontos obtidos em trechos voados por essas companhias estrangeiras podem ser creditados no cartão Smiles. Da mesma forma, contas de restaurantes, estacionamentos e hotéis valem pontos.

Cartão. O cartão de crédito é outro valioso aliado na hora de acumular pontos. A maioria das bandeiras e bancos, hoje, concede bônus aos gastos feitos no cartão - que você transfere para um determinado programa de fidelidade aérea e troca, em seguida, por passagens-prêmio. A transferência, claro, precisa ser feita com antecedência.

Nada é de graça. Os viajantes experientes nem chamam de gratuito o bilhete emitido com milhas. "Considero uma passagem paga em prestações por meio da minha fidelidade a uma empresa", diz Rodrigo Purisch, que, desde agosto de 2006, mantém o blog Aquela Passagem (www.aquelapassagem.com.br), um dos melhores guias de viagens aéreas na internet brasileira.

Como nem todo mundo tem tal experiência, montamos um passo a passo de como acumular e gastar suas milhas. Com seu conhecimento do assunto, Purisch ajudou o Viagem a reunir as dicas ao lado. Veja como conquistar mais depressa, e com vantagens, o seu bilhete-prêmio.

Sabendo usar, não vai faltar

Como acumular

Seja fiel a uma empresa:

Concentre as viagens - e os pontos - no menor número possível de companhias aéreas. Se tiver opção, concentre seu foco numa só aliança internacional (1)

Conquiste status:

Fidelidade ajuda a ter upgrade de categoria (2) no programa de pontos das empresas. Clientes avançados acumulam mais milhas por trecho voado que os passageiros ocasionais

Escolha a rota mais longa:

Algumas empresas fixam cota de pontos para o voo completo, mas muitas somam as milhas referentes a cada trecho. Dessa forma, encarar uma conexão pode render mais pontos

Sobreponha vantagens (3): No Smiles, por exemplo, você pode usar o cartão de crédito do programa de fidelidade para pagar o bilhete aéreo, conquistar status melhor e, com isso, ganhar mais milhas

Use o cartão de crédito (4):

Pague todas as contas assim, mas só se tiver certeza de que vai conseguir quitar 100% da fatura no vencimento. Os juros da dívida acabam com a vantagem de acumular pontos

Como gastar

Vá mais longe: Com os mesmos 10 mil pontos resgata-se tanto um bilhete SP-Rio (que custa desde R$ 99) quanto um SP-Caracas (a partir de R$ 470)

Aproveite os feriados:

Ao se planejar com antecedência, você pode conseguir um bilhete-prêmio nas datas de maior procura, as mais caras (mas atenção, os lugares são limitados)

Reserve para emergências: Tente guardar uma quantidade certa de milhas para quando

precisar voar de última hora. Nessas ocasiões, a passagem área acaba custando bem mais,

Controle os vencimentos:

Para não deixar expirar a validade dos pontos, tente upgrade de categoria ou complete em dinheiro o que falta para emitir um bilhete (o Smiles aceita a opção até junho)

Persiga promoções (5): Com sorte, é possível emitir uma passagem nacional, que costuma exigir 10 mil pontos, por apenas 2 mil. Basta procurar bem

(1) Star Alliance (26 empresas, inclusive a TAM, a partir de maio), Sky Team (12) e One World (11) são as maiores

(2) A Diamante, do Smiles, rende bônus de 100% sobre milhas voadas. O cartão vermelho da TAM dá bônus de 50%

(3) Ao unir as vantagens do cartão, do programa de fidelidade e do valor da tarifa, você acumula pontos mais depressa. Faça a conta: o cartão básico Smiles/Bradesco ou Banco do Brasil rende 1,33 milha por dólar; e o status Smiles Diamante premia com 2 pontos cada milha. Assim, para o voo SP-Rio-SP, a passagem comfort (a mais cara, a R$ 1.025) renderia 6.779 milhas

(4) Em média, 10 mil pontos valem um bilhete. Cartões básicos rendem 1 ponto por dólar. Seria necessário gastar US$ 278 mensais para obter uma passagem em três anos. Se você não tem tal gasto, não deve adquirir cartão de crédito pensando nas milhas

(5) O www.ofertastam.com.br mostra destinos em promoção

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.