Guilin e seu visual de gravura antiga

Seqüência de montanhas às margens do Rio Li é puro deleite para as retinas (e para as lentes das câmeras)

Mário Viana, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 02h30

Se o morro do Pão de Açúcar criasse vida e saísse procurando seus entes queridos, iria desembarcar de mala e cuia em Guilin, no sudoeste da China. Ali, às margens do Rio Li, o Pão de Açúcar encontraria a família toda espalhada, formando uma das paisagens mais bonitas daquele país - e de muitos outros. Um lugar tão marcante que foi escolhido para ilustrar o verso da nota de 20 yuans.Um cruzeiro de aproximadamente seis horas leva turistas a desfrutar de um visual que parecia só existir nas velhas gravuras chinesas. As montanhas de carste - nome das formações de calcário atingidas pela erosão natural - chegam a ter 300 metros de altura. Elas se amontoam e se sucedem até perder de vista, criando um efeito deslumbrante nas retinas. O roteiro do navio, que liga Guilin à pequena Yangshuo, inclui uma parada exatamente no trecho que aparece no verso da nota de 20 yuans. É a hora de você gastar todos os cliques.A viagem pelo rio não tem sobressaltos, mas oferece surpresas além da paisagem. Uma delas é a aproximação dos vendedores - até lá! -, que chegam a bordo de frágeis canoas de bambu. É um verdadeiro fenômeno a maneira como eles se equilibram sobre aquela arapuca flutuante e ainda encontram fôlego para vender estatuetas do mais falso jade.Deixe para gastar seus yuans em Yangshuo, já que há uma inexplicável espera de quase duas horas ali. Depois de passear pela cidade - e rir com o trocadilho infame do Minnie Mao''s Café -, entregue os pontos e visite a feira de artesanato. Ceda à tentação de comprar novos relógios Rolex e Bulgari, além de toalhas, camisetas, leques, estatuetas, jogos de porcelana... A China se vende inteira para os turistas.SORRIAGuilin não é só o ponto de partida para o cruzeiro pelo Rio Li. Antiga capital de província, a cidade é pequena para os padrões chineses - ''apenas'' 700 mil habitantes, praticamente uma aldeia - e mantém um jeito de interior. Um passeio pelo calçadão do centro mostra que há ingenuidade no ar. Se um ocidental pára e toma uma cerveja Tsintao num dos bares locais, logo aparece algum chinês tirando fotos dos visitantes. O assédio não o impedirá de jantar num dos bons restaurantes espalhados pela rua principal.Outra visita bacana em Guilin fica debaixo da terra: é a Caverna da Flauta de Bambu, ou Ludi Yan, no idioma local. O complexo abrigou os moradores de Guilin quando os japoneses invadiram a China, durante a Segunda Guerra Mundial.Hoje, a caverna é invadida diariamente por turistas do mundo inteiro. Os visitantes percorrem cerca de 500 metros debaixo da terra, observando espantosas formações rochosas, devidamente iluminadas com luzes néon.

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