Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Haia

Barroca e cosmopolita

Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h12

Se em Amersfoort eu “visitei” o apartamento nova-iorquino para ver onde Mondrian criou sua última obra, foi em Haia que vi de verdade Victory Boogie Woogie, a pintura na qual ele trabalhou até sua morte, em 1944. O trabalho, que representaria a esperança de vitória na 2.ª Guerra Mundial, ficou incompleto. A guerra acabou no ano seguinte.

Nenhuma performance tecnológica substitui o prazer estético de estar mesmo diante da tela. Luzes, projeções e interatividade não são capazes de revelar detalhes que fazem toda a diferença. Foi preciso chegar muito perto do quadro, que tem uma sala só para ele no Museu Municipal de Haia (o Gemeente) para constatar que no canto inferior direito de Victory Boogie Woogie Mondrian substituiu as pinceladas por fita adesiva colorida. Teria sido impaciência, vontade de experimentar ou algum outro motivo que nunca saberemos?

O Gemeentemuseum tem a maior coleção de Mondrian no mundo. São 300 itens de todas as fases da carreira do artista. Você anda e esbarra no Moinho ao Sol (1908); logo adiante, no Autorretrato de 1916. Outros artistas de De Stijl, como Theo van Doesburg e Gerrit Rietveld, têm obras aqui. 

Clássicos. A arte holandesa tem muita história antes de chegar ao século 20 e a De Stijl, e Haia, última parada deste roteiro, é uma cidade de museus excepcionais – além de vibrante e deliciosa. Merece fácil três dias inteiros. 

Na Real Galeria de Arte Mauritiuhuis – aquela onde fica A Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, de Rembrandt – está também a chamada Monalisa holandesa. Trata-se de Moça com Brinco de Pérola, de Johannes Vermeer, pintado em 1665, e que inspirou filme com o mesmo nome em 2003. A história do cinema é pura ficção: Vermeer não retratou uma mulher real, mas uma figura imaginada. 

Para brasileiros, a Mauritiushuis tem uma curiosidade adicional. O nome significa Casa de Maurício, e o tal Maurício é ninguém menos que o de Nassau, que governou a colônia holandesa no Nordeste brasileiro no século 17. Outro quadro de destaque aqui é O Jardim do Éden com a Queda do Homem (1615), criação conjunta de Brueghel, o Velho, e Rubens, o de Antuérpia. Dá para ver as assinaturas na obra e identificar as diferenças de estilo entre as pinceladas dos dois mestres. 

Pertinho da Mauritiushaus está Escher in het Paleis (Escher no Palácio). As obras do artista gráfico Maurits Escher (1898-1972), mestre da ilusão de óptica, ocupam o palacete inteiro, diante de uma bela praça arborizada que era frequentada pela nobreza local. 

Veja mais em Haia

Museu Beelden aan Zee 

No distrito litorâneo de Scheveningen, a 8 km do centro de Haia (“20 minutos de bicicleta”, dizem os moradores), o museu privado, cujo nome traduzido significa “imagens sobre o mar”, é dedicado à arte contemporânea de vários países, especialmente ex-colônias holandesas. O terraço de esculturas se destaca pela vista.

 

Píer de Sheveningen 

Scheveningen é onde os moradores de Haia vão à praia (que tem larga faixa de areia escura). O píer, reaberto após reforma em 2015, tem lojas, restaurantes e atrações como a roda-gigante de 40 metros de altura e uma tirolesa. 

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