Hann.Münden e seu dentista maluco

 Ao chegar em Hann. Münden, tive a impressão de estar entrando em uma cidade cenográfica. Ruas estreitas, vazias em razão do tempo frio e chuvoso. As tradicionais casinhas em estilo enxaimel (tão comumente encontradas ao longo da Rota dos Contos de Fadas). Tudo ali era deliciosamente autêntico - e me conquistou logo de cara.

Adriana Moreira/Estadão

06 Agosto 2013 | 12h26

A cidade se formou na confluência dos rios Fulda e Werra, que se unem dando origem ao Wesser. Graças a essa geografia peculiar, se transformou em um entreposto comercial e, assim, se desenvolveu. Hoje, passeios de catamarã levam por um tour fluvial de aproximadamente duas horas de duração (9 euros).

No centro, 700 casas com mais de 600 anos mantêm a atmosfera medieval. A cada dois anos, é realizado o festival Denkmal! Kunst - Kunst Denkmal! (Monumento! Arte! Arte-Monumento), em que as construções históricas ficam abertas ao público. Este ano, o evento será de 28 de setembro a 6 de outubro. Está prevista a participação de mais de 50 artistas, que exibem ali seus trabalhos de pinturas, esculturas, instalações, projeções, recitais, entre outros.

A reconstrução de uma das casas históricas, destruída em um incêndio, vai se transformar em arte na edição 2013 do evento. O trabalho será realizado 24 horas por dia, e será transmitido ao vivo no site da cidade: hann.muenden-tourismus.de. Uma forma de entender melhor a estrutura das casas enxaimel.

Também em 2013 a cidade comemora os 350 anos do Doutor Eisenbart, personagem que enche Hann. Münden de orgulho. Ele existiu de fato: viajava levando seus serviços médicos pela Alemanha (leia no quadro). Mas a cidadela nem precisaria dele para se fazer interessante.

Ainda assim, e sem entender uma palavra de alemão, dei risada com a simplicidade e inocência do teatrinho pastelão no qual o tal doutor arranca o dente de um voluntário da plateia. De maio a outubro (este ano, até 5/10), o espetáculo é realizado aos sábados, às 13h30, no hall da prefeitura.

E como você já entrou no clima do tal cirurgião, faça uma parada em frente ao relógio da prefeitura. Ao meio-dia, às 15 e 17 horas, as peripécias do médico passeiam frente aos ponteiros. Preste atenção na porta lindamente decorada, com desenhos de leões.

De médico e louco...

Nascido em 1663, Johann Andreas Eisenbart nunca estudou medicina. Ele era filho de médico - e foi assim que aprendeu os procedimentos. Ao longo de sua vida, viajou por 83 cidades do interior da Alemanha. Como na época não havia anestesia, Eisenbart usava métodos nada tradicionais para tentar distrair os pacientes da dor. Colocava música alta e, algumas vezes, realizava performances artísticas. Muitos o consideravam um charlatão, mas ele teria inventado uma agulha eficiente para cirurgias de catarata.

O doutor morreu em Hann. Munden, em 1727. Sua casa é facilmente reconhecível: basta observar a estátua na parede, de cabelos brancos e roupas vermelhas. A tumba onde foi sepultado pode ser visitada - está sempre bem cuidada e florida.

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