'Happy new year'

Nosso viajante britânico enviou-nos um anexo à sua coluna desejando-nos e aos leitores do bravo matutino um ano de muita felicidade e, sobretudo, de grande e proveitosa milhagem.

O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2013 | 02h05

A seguir, a pergunta da semana:

Prezado mr. Miles: adorei a sua última coluna e verifiquei que o senhor estava de partida para o Chile. Vale a pena viajar para esse país?

Laurindo Ferreira Motta, por e-mail

"Well, my friend, aposto que você só vai ler a resposta para sua pergunta very late nesta terça-feira. Tome um chá de boldo e cure a ressaca da passagem para 2013, porque eu farei algo semelhante no primeiro dia do ano. In fact, dear friend, vou ao Mercado Central de Santiago na companhia de meu velho amigo Don Jaime Borquez de Bourbon y Ibañez, um velho conhecido dos leitores habituais desta coluna. Don Jaime, as you know, começou a carreira como cáften nas ruas mais perigosas de Assunção, capital do Paraguai, e tornou-se um magnata em seu Chile natal. No momento, I'm sorry to say, ele passa por momentânea dificuldade financeira, da qual logo se recuperará.

Voltando ao Mercado de Santiago, é uma tradição, na bela capital, que as pessoas comam mariscos do Pacífico para curar suas bravas ressacas. O antigo estabelecimento, projetado por Gustave Eiffel, fica todo lotado de gente degustando locos, picorocos, machas, centollas e outras deliciosas aberrações visuais provenientes das gélidas águas da Corrente de Humboldt. Estes frutos do mar, however, têm um sabor raríssimo e desarmam as mais nefastas bebedeiras.

Sobre a sua questão, Laurindo, não tenho nenhuma dúvida de que o Chile é um dos países geograficamente mais belos do planeta. Estreito, espremido entre os Andes e o Pacífico, ele tem um perfil que lembra pessoas muito altas e magras. Na porção que seriam os pés desse cidadão inventado, há geleiras e montanhas inesperadas como as nunca superadas Torres Del Paine, poderosas agulhas que perfuram o céu.

Going up, no que seriam as canelas deste nosso personagem imaginário, o país de meu bom Pablo (N. da R.: Pablo Neruda, poeta chileno), a terra se esfacela em milhões de ilhas e canais, repletos de uma flora e uma fauna encantadoras. Um pouco acima, na região onde estariam as coxas de nossa esquelética metáfora, vêm os lagos e os vulcões (quantos vulcões!) de uma região que chega a lembrar a Suíça ou a Alemanha - onde, by the way, muitos nazistas refugiaram-se no fim da 2.ª Guerra.

Siempre para arriba, os vinhedos, as estações de esqui, a capital, hoje rica e moderna como poucas no Hemisfério Sul. Da cintura para cima, o verde Chile de baixo transforma-se no avermelhado Deserto do Atacama, onde não há chuva e a vida, com as estrelas despencando sobre mares de sal e formações lunares, parece ganhar outro sentido.

As you see, my friend, o Chile é uma espécie de cardápio de climas e geografias. Escolha a que mais combina com seu perfil de viajante e venha as soon as possible. Como aperitivo, descubra algumas das belezas da porção norte da Patagônia chilena na página 6 deste caderno.

Ah, ia me esquecendo do umbigo do personagem. Trata-se da Ilha de Páscoa, conhecida como umbigo do mundo e que fica a alguns milhares de quilômetros da costa. Para efeitos nacionais, contudo, a pátria dos moais é tão chilena quanto Gabriela Mistral (N. da. R.: poetisa que também ganhou o Prêmio Nobel) ou Don Jaime, anteriormente mencionado."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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