Schloss Panthermedia
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Heidelberg dos filósofos

A 100 quilômetros de Frankfurt, cidade encanta pela força da paisagem urbana e os encantos de seus arredores; presença de estudantes mantém sua atmosfera viva e dinâmica

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 04h50

Em 1838, o poeta Victor Hugo descreveu em uma carta suas impressões a respeito de uma visita a Heildeberg. O antigo castelo, que até hoje encanta turistas, provocou no escritor enorme reflexão. “É absolutamente essencial falar do castelo, e eu deveria ter na verdade começado por ele”, anota. “Por quantas coisas ele passou. Há cinco séculos, tem sido vítima de todos os conflitos que sacudiram a Europa. E se hoje restam apenas suas ruínas, isso é porque este castelo sempre assumiu uma postura de oposição aos opressores e poderosos.”

O comentário de Victor Hugo é simbólico da história de Heidelberg, a 100 quilômetros de Frankfurt. No século 12, as áreas à margem do Rio Neckar se tornam um pilar do poder do Império Romano – e, mais tarde, centro de disputas políticas que ajudariam a definir a cara do império germânico

Apesar de estar no centro de antigas batalhas, a cidade não foi atingida por bombardeios na Segunda Guerra. Preserva, em sua arquitetura, uma janela aberta em direção à própria evolução da cultura ocidental. 

O castelo, que domina a paisagem da cidade no alto do Monte Königstuhl, começou a ser construído no século 16, durante a Idade Média, à qual suas arcadas de estilo gótico remontam. O que resta de seu interior, contudo, nos aproxima do Renascimento e de uma nova visão de mundo, menos pautada no medo e mais aberta ao pensamento e à razão. É o que nos mostram, por exemplo, seus amplos jardins, de onde se vê toda a cidade – e onde Goethe, um dos pais da cultura alemã, gostava de passar o tempo.

A universidade

A referência aos filósofos não é gratuita. É em Heidelberg que está a mais antiga universidade alemã, de 1386 – e a presença até hoje de estudantes dá à cidade uma atmosfera viva e dinâmica. Heildelberg também foi um dos centros de irradiação da Reforma Protestante, com a qual Martinho Lutero propunha uma atuação religiosa menos pautada pela relação com a igreja e mais voltada ao que ele considerava os verdadeiros ensinamentos divinos – espírito preservado na arquitetura da Igreja do Espírito Santo, localizada na Marktplatz.  Mais tarde, no fim do século 18, um grupo de poetas e escritores, formado por nomes como Joseph von Eichendorff e Clemens Brentano, propôs um novo caminho para a arte germânica, baseado na relação com a natureza, abrindo espaço para o Romantismo.

Como Chegar

Heidelberg pode ser visitada num bate-volta a partir de Frankfurt, embora o castelo ocupe um dia inteiro. Há várias opções de trens. Descendo na Estação Central, pegue o ônibus 33 e depois o funicular para chegar ao castelo. Entrada 7 euros; schloss-heidelberg.de.

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Arquitetura

O encontro em primeira mão com a história continua quando se desce em direção à antiga cidade. Caminhe com calma pela rua principal, onde estão os mais importantes marcos da cidade: as grandes praças; a Casa do Cavaleiro São Jorge, construída no final do Renascimento; a Igreja do Espírito Santo (exemplar refinado da arquitetura gótica); e a fascinante mistura, na antiga ponte de pedra, de ruínas medievais e torres de orientação barroca.

 

Caminho dos filósofos

Goethe e Victor Hugo não foram os únicos a se encantar com a força da paisagem urbana de Heidelberg e os encantos de seus arredores. Do outro lado do Rio Neckar, por onde passa o visitante que chega de carro à cidade, está o Caminho dos Filósofos, espaço que, pelo contato com a natureza (e a vista privilegiada da cidade), sugere reflexão e contemplação. O local conta ainda com um anfiteatro construído pelos nazistas nos anos 1940, onde, na Noite das Bruxas (na passagem de 30 de abril para 1º de maio), ocorre uma grande celebração em homenagem à chegada da primavera. 

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