Heranças do passado imperial em Pequim

Templo do Céu e outros ícones foram erguidos na dinastia Ming

June Locke Arruda, PEQUIM, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2009 | 02h54

Você talvez não saiba. Mas muitas das principais atrações de Pequim foram construídas por ordem do imperador Yongle, terceiro da dinastia Ming (1368-1644). A começar pela própria capital, transferida oficialmente de Nanquim em 1421. Surgiam, assim, a Cidade Proibida, o Templo do Céu e a ampliação da Grande Muralha.

Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Templo do Céu pode ser considerado modelo do equilíbrio arquitetônico e do simbolismo chinês. Erguido em 1420, impressiona pelo tamanho: 2,73 quilômetros quadrados. Yongle tinha por hábito sair duas vezes por ano da Cidade Proibida - distante pouco mais de três quilômetros - para, ali, pedir prosperidade aos deuses.

O passeio começa pela Sala de Oração por Boas Colheitas, templo em formato circular com 30 metros de diâmetro e 38 de altura. Cada cor usada na decoração tem um significado. O azul do telhado representa o céu, enquanto as paredes levam o vermelho (a cor imperial) e o amarelo (em representação à terra). Difícil crer que o edifício foi construído sem utilizar um único prego. Vinte e oito pilares decorados sustentam o telhado.

Percorra a ponte dos degraus vermelhos em direção à Abóbada Imperial do Céu, templo menor onde os soberanos veneravam seus antepassados. A Abóbada é circundada pelo Muro do Eco, famoso por transmitir até o mais leve sussurro de um lado para o outro.

A última parada é o Altar Redondo, espaço aberto onde o imperador oferecia sacrifícios aos deuses, pedindo colheitas abundantes. Retrato do simbolismo chinês, o piso é formado por círculos com placas de mármore, sempre em múltiplos de nove, o número imperial.

CAMINHO DOS ESPÍRITOS

Já na Grande Pequim, a 45 quilômetros do centro, há outro importante Patrimônio da Humanidade. Os Túmulos Ming guardam as tumbas de 13 dos 16 imperadores da dinastia, espalhadas por 40 quilômetros quadrados. Foi Yongle, mais uma vez, quem escolheu a localização para os túmulos reais, seguindo os princípios do feng shui. Para ele, a cadeia de montanhas de Tianshou protegeria os mortos dos maus espíritos trazidos pelos ventos do norte.

Você terá, obrigatoriamente, de passar pelo Caminho dos Espíritos, via de 7 quilômetros onde 36 grandes estátuas delicadamente esculpidas dividem a paisagem com imensos chorões. As peças, sempre aos pares, representam soldados, figuras mitológicas e animais.

Restaurados recentemente, os túmulos Chang Ling, Ding Ling e Zhao Ling são os mais concorridos. É no primeiro, o mais impressionante deles, que descansa o imperador Yongle.

O local é escuro e austero. Monges budistas com vestes vermelhas realizam cerimônias discretas. Com a cabeça baixa, repetem mantras e acendem velas ou incensos.

ANTES DE IR

PASSAGEM AÉREA

O trecho SP-Pequim-SP custa a partir de US$ 1.932

na United (0--11-3145-4200; www.united.com), US$ 2.081 na Emirates (0--11-5503- 5000; www.emirates.com)

e US$ 2.118 na Lufthansa (0--11-3048-5800; www.lufthansa.com). Com conexão

PASSEIOS

Templo do Céu: a entrada que dá direito a visitar todas as atrações do complexo custa 30 yuans (R$ 7,50). Informações: www.tiantanpark.com

Túmulos Ming: muitas excurções para a Grande Muralha param ali. Entrada: 30 yuans (R$ 7,50). Site: www.mingtombs.com

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