História e arte no caminho da fé

Este é um roteiro que olha para o alto. Mira as torres pontiagudas que se erguem em direção às nuvens. E, de preferência com ajuda de um binóculo, procura pelos desenhos nas abóbadas localizadas metros e metros acima. Olha, também, para dentro. Momentos de reflexão em que templos, monumentos ou mesmo algum detalhe aparentemente simples se enchem de significados únicos, exclusivos para cada viajante.

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2009 | 01h12

O Natal, celebrado daqui a três dias, pode ser estímulo adicional para os fiéis começarem a planejar um tour espiritual pela França. Uma rota por cidades onde as igrejas são o centro das atenções - e isso num país que é um dos mais católicos do mundo. Foi até sede da religião por mais de 70 anos ao longo do século 14, quando o rei Felipe IV, o Belo, obrigou os papas a se mudarem de Roma para Avignon, para mantê-los sob vigilância e longe das decisões políticas.

Os templos franceses guardam conhecimento arquitetônico, histórias de povos e obras de arte cujo interesse ultrapassa as fronteiras da crença. Ou da falta dela. Caso, por exemplo, da belíssima e intrigante Catedral Notre Dame de Chartres, cuja construção remonta, até onde se sabe, ao século 4º. Sua cripta abriga um poço de provável origem celta - na Idade Média, acreditava-se que as águas dali tinham poder de cura.

Há cerca de 4 mil esculturas em sua fachada e no interior, além de 176 vitrais e um labirinto de pedra desenhado no piso da nave principal, que os fiéis percorrem como metáfora da peregrinação à Terra Santa e os apenas curiosos ou supersticiosos, para meditar e garantir uma dose extra de boa sorte.

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Com origem na primeira década do século 8º, a Abadia do Monte Saint-Michel expandiu há muito o seu público, originalmente formado por peregrinos, que chegaram a somar 600 mil por ano durante o século 13. Hoje, 3 milhões de visitantes vão anualmente à Normandia em busca do templo equilibrado no rochedo que, diariamente, fica rodeado pela cheia da maré.

SEIS PARADAS

Além destes, estivemos em outros quatro pontos da rota francesa da fé. São lugares com significados especiais para fiéis, mas que também são interessantes para quem não tem a religião como foco principal. Marcadas por aparições da Virgem Maria, caso da campeã de visitas Lourdes e da pequena e quase anônima Pontmain, ou por terem sido lar de santos católicos, como Alençon e Lisieux, essas localidades atraem, juntas, 10 milhões de visitantes por ano.

Entre paredes de pedra e pisos marcados pelo tempo, os turistas são recebidos por padres e freiras de todas as idades que dedicam a existência a preservar os patrimônios, fazem papel de guia quando necessário e estão bem longe da imagem sisuda geralmente a eles associada. Só as histórias de vida de tais personagens já seriam motivo para gastar horas na visita detalhada aos monumentos.

Melhor ainda se, depois do passeio guiado e das explicações sobre arquitetura e história, você decidir recomeçar a visita por conta própria. Refaça o caminho na sequência que preferir, oriente seus passos pelas cores e formas, por uma inscrição particularmente tocante, pela dança dos reflexos nos vitrais. E então, admirar o alto - e os lados - será uma forma de também olhar para dentro.

Viagem feita a convite da Atout France

Cidades-santuários da França: www.villes-sanctuaires.com

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