Mônica Nóbrega/Estadão
Mônica Nóbrega/Estadão

Histórias de apartheid na África do Sul, da prisão ao Soweto

Segregação chegava à ala de prisioneiros políticos encarcerados no Constitution Hill; bairro a sudoeste concentra pobreza e lembranças

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2015 | 03h00

JOHANNESBURGO - Apesar da força da história de Nelson Mandela, foi a passagem pela ala das celas destinadas às presas políticas negras o momento mais dolorosamente marcante da visita ao Constitution Hill. O complexo de edificações no limite entre Braamfontein e Hillbrow começou com uma fortaleza; foi ampliado e transformado em prisão; e chegou a ser bunker militar. Hoje um museu, narra episódios trágicos da história da África do Sul desde o fim do século 19. Com ênfase, claro, no apartheid. 

Winnie, uma das esposas de Mandela, ficou presa ali. Em um dos cubículos está exposto o vestido de noiva da ativista Nikiwe Deborah Matshoba, que não chegou a usar a bonita roupa amarela: foi presa no dia de seu casamento. Detalhe: a seção destinada às prisioneiras brancas tem celas com o triplo do tamanho. 

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Mahatma Gandhi foi prisioneiro no Velho Forte, uma das alas, em 1908, junto com outros indianos integrantes da resistência às leis de imigração que prejudicavam asiáticos.

Há vários tipos de tours guiados, diurnos e noturnos. Custam até 70 rands (R$ 18) por pessoa: www.constitutionhill.org.za.

Um ícone. A tarde em que finalmente iria ao Soweto foi a mais chuvosa e gelada enquanto estive em Johannesburgo. Era para ter sido um passeio de bicicleta; o possível foi uma volta de SUV.

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O guia Mlungisi fez o que pôde para compensar o confinamento. Contou histórias, piadas. Explicou o significado de palavras em zulu, sua língua-mãe: sawubona, “olá” ou “eu vejo você”; sharp sharp, “tudo bem”; ubuntu, “humanidade” ou “compaixão”. 

Enquanto isso, o carro seguia numa espécie de “favela tour”, que deve impressionar mais americanos e europeus. Vimos as casas de Mandela e Desmond Tutu, o Orlando Stadium, o Memorial Hector Peterson, homenagem a um jovem morto em revolta estudantil. Tudo com potencial para ser um passeio inesquecível sem chuva. 

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O almoço foi no hostel Lebo’s, que organiza os tours (sowetobackpackers.com; desde 430 rands, R$ 108). Serviram comida africana: chakalaka, tipo de tutu de feijão misturado com verduras; ugali, uma papa branca que lembra cuscuz; e churrasco. Apesar das condições adversas, siyabonga (obrigada), Soweto.

*Viagem a convite da Four Seasons e South Africa Airways, com apoio de South African Tourism. 

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