Histórias de reis, lendas e religião. No Minho

Região também tem entre seus atrativos os açucarados e tradicionalíssimos doces de ovos

Rosangela Dolis, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2008 | 03h03

Depois de desbravar o Porto, um dos roteiros mais indicados, ali perto, é a região do Minho, entre os Rios Douro e Minho. Lá está o ponto alto da história e das tradições portuguesas - a trajetória do país como nação começou naquela área, no século 12, em Guimarães, onde nasceu seu fundador e primeiro rei, Afonso I. O Minho é terra também de muita devoção religiosa, com santuários como o de Bom Jesus do Monte, em Braga, e de uma natureza exuberante e diversificada, desde o litoral, onde está Viana do Castelo, até as serras do único parque nacional do país, o Peneda-Gerês. Da região ainda sai o vinho verde, produzido com uvas colhidas antes da hora. Foi no Castelo de Guimarães que em 1109 nasceu d. Afonso Henriques, filho dos condes d. Henrique de Borgonha e dona Teresa, aliados do reino de Leão. Em Guimarães também ele travou a primeira de muitas lutas pela independência do país, na época denominado Condado Portucalense. Braga é famosa por seu apelo religioso, com tantas igrejas que se tornou conhecida como a Roma portuguesa. Barcelos, onde se originou a lenda do galo de Portugal, representado em cerâmica colorida, se destaca pelo artesanato. Ponte de Lima é, oficialmente, a mais antiga vila do país e Viana do Castelo, à beira do Atlântico e na foz do Rio Lima, foi importante porto na época dos Descobrimentos. DELEITE DIRETO DO CLAUSTRO Pausas durante o circuito pelo Minho são altamente recomendáveis, principalmente se no caminho houver um café charmoso ou uma pastelaria (em Portugal, elas vendem doces). Dispense o cardápio e vá direto ao balcão de tentações. O pedido clássico é o pastel de nata (entre 1,20 e 2 ou de R$ 3 a R$ 5), mas há também toucinho do céu, pudim de ovos, tíbia, cardeal... Os doces portugueses sempre levam ovos, por causa da origem conventual de suas receitas. As freiras e os frades usavam a clara para engomar suas vestimentas, sobrando, assim, um grande número de gemas. Para não desperdiçá-las, os religiosos criavam doces. Em 1834, com a extinção das ordens religiosas pelo regime liberal que se instalou no país, os frades foram expulsos e os mosteiros, fechados, mas as freiras tiveram permissão para continuar nos conventos até morrer. Com o passar do tempo, essas freiras envelheceram e precisaram de ajuda para sobreviver. Assim, muitas moças das comunidades próximas passaram a freqüentar o local para prestar auxílio. Ali, aprenderam as receitas dos doces conventuais e as trouxeram para fora dos claustros. Como no resto do país, a gastronomia da região põe à mesa deliciosos pratos de bacalhau preparados das mais variadas maneiras, ao preço médio de 15 (R$ 37,50). Aposte no bacalhau à Brás, com batatas fritas em tiras e ovos batidos. Rojões (carne de porco) à moda do Minho ( 13 ou R$ 32,50) são também tradicionais. Para lembrancinhas especiais, os destaques da região são os bordados, as jóias em filigranas (em fios de ouro ou de prata) e as cerâmicas.

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