Histórias sobre o 'lado de lá'

Impressões de quem visitou o trecho socialista

Bruna Tiussu e Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2009 | 01h41

A sensação era a de entrar em um filme em preto e branco. A aposentada brasileira Laís Kalka, moradora de Colonia, lembra em detalhes sua primeira impressão ao passar para o "lado de lá", em 1968. Ao cruzar o controle de fronteira, depois de uma demorada vistoria de passaportes, encontrou uma paisagem cinzenta e cheia de ruínas. "Todos os clichês que escutávamos estavam ali."

 

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Para entrar nos domínios da República Democrática Alemã, a RDA, era preciso também trocar dinheiro ocidental por marcos orientais. "Lembro disso porque ficamos procurando uma lanchonete para gastar aquele dinheiro", conta Laís. O tempo da visita era limitado. Era obrigatório sair até meia-noite. Para ficar mais tempo, só com visto especial.

Para o representante do Centro de Turismo Alemão no Brasil naquela época, Giovanni Lenard, entrar na RDA era como "voltar no tempo 40 anos". Ele acompanhava grupos de agentes de viagens e jornalistas e lembra das vistorias aos ônibus no Checkpoint Charlie. "Os oficiais colocavam espelhos sob o assoalho."

O guia ocidental era substituído por outro, cuja função era contar as maravilhas do socialismo soviético. Mostrava a Unter den Linden, única avenida mais arrumada. As paradas eram poucas: um café, onde os marcos orientais eram gastos em fatias de bolo, e a Ilha dos Museus - essa, sim, uma bela visita, com direito ao ainda hoje imperdível Pergamon.

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