Horas de dedicação ao pecado da gula. E à merecida e sagrada siesta

Aprenda com os locais a arte de ir de tapas. Em cada bar, diferentes goles e pitadas para [br]sentir o gosto da região

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2010 | 00h47

A vida para pontualmente às 14 horas. Comerciantes começam a baixar as portas. Museus, igrejas, monumentos históricos: tudo fecha. As ruas ficam vazias. É um momento sagrado. Pelas próximas duas horas, os extremeños vão se dedicar ao prazer da gula. E da siesta.

Movimento mesmo só em botecos e restaurantes. Pelo tilintar de pratos e copos dá para imaginar tamanha satisfação. Melhor aprender com eles a arte do tapeo. Ir de bar em bar, debruçar no balcão, sentir a cada gole, a cada pitada, o gosto da região.

O sabor vem da terra: muitos produtos feitos em Extremadura têm denominação de origem. Dos pimentões vermelhos picantes às cerejas, aos vinhos e ao inigualável jamón ibérico.

Uma porção deles já está à mesa antes mesmo de você sentar. Com pão ou torradas, é assim que se deve começar uma refeição. O melhor jamón vem dos porcos que são criados soltos e se alimentam de uma castanha típica chamada bellota - em Extremadura são criados 65% dos porcos ibéricos da Espanha.

O ritual gastronômico segue com outros embutidos. A morcilla patatera (com purê de batata) é a entrada mais tradicional, mas os cardápios também incluem torresmos, lombo, paio, salsichão e chouriço.

Para variar o paladar, nada como o queijo de ovelha Torta del Casar. Tem gosto intenso, é cremoso, derrete na boca. O tradicional gazpacho e o zorongollo, uma salada de pimentão, cebola e atum, são saborosas opções.

A rica e variada cozinha também é feita de produtos silvestres, como aspargos trigueiros, alcachofra-brava e cogumelos subterrâneos. Eles acompanham tanto carnes de caça quanto peixes.

O azeite de oliva é indispensável em qualquer prato por motivos óbvios. E o que dizer do vinho? A região tem ótimos tintos da terra, de origem controlada e qualidade atestada, sem falar no fortíssimo vino de pitarra, produzido no quintal de cada família.

Um cálice de aguardente de cereja ou de licor de castanha nunca pode faltar. Para finalizar a refeição como se deve, acompanhando o técula mécula, um doce típico à base de ovos, amêndoas e mel.

Depois desse banquete, só a siesta mesmo.

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