Horizonte asiático em estado puro

Os homens e mulheres de Mianmar usam saias longas, o rosto delas é coberto por uma pasta esbranquiçada que as protege do sol e a boca de muitos deles é vermelha pelo hábito de mascar noz de areca, uma semente cor de sangue. Não existe McDonald's, Pizza Hut, Starbucks nem caixas eletrônicos, um reflexo do isolamento do país nos últimos 50 anos, quando foi governado por uma das mais brutais e longevas ditaduras militares do mundo.

CLÁUDIA TREVISAN / BAGAN, O Estado de S.Paulo

13 Março 2012 | 03h11

Mas a situação começa a mudar, com indícios de que as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e Europa poderão ser suspensas em um futuro não muito distante. Isso caso o governo de Mianmar mantenha o processo de normalização institucional iniciado em novembro de 2010 com a libertação de Aung San Suu Kyi, a mulher que simboliza a resistência ao regime e que passou 15 dos últimos 20 anos em prisão domiciliar.

Portanto, se você quer ver Mianmar antes que a influência ocidental se estabeleça, é bom colocar logo o país em seus planos de viagem. Em 2010, a Liga Nacional pela Democracia (LDN), partido de Suu Kyi, abandonou a posição favorável ao boicote turístico a Mianmar, que havia adotado em 1995 como forma de pressionar por mudanças no regime, um dos mais corruptos do mundo e responsável por inúmeras violações de direitos humanos.

A líder oposicionista, no entanto, continua a ser contra grupos de excursão, por considerar que eles beneficiam principalmente empresas e pessoas ligadas ao governo. Para a Liga, a melhor forma de favorecer os moradores locais é viajar de maneira independente, o que não é difícil.

A população de Mianmar é afável, ávida por contato com o mundo exterior e vive em um país que tem alguns dos monumentos mais deslumbrantes do sudeste da Ásia. Capital do primeiro reino que unificou o território que daria origem a Mianmar, a cidade de Bagan por si só justifica a visita. Mas o país tem outros pontos de interesse, como o Lago Inle, a cidade de Yangon, com seu deslumbrante pagode Shwedagon, e as praias pouco exploradas do mar Andaman, o mesmo que banha a costa oeste da Tailândia.

Com cerca de 2.500 monumentos budistas construídos entre os séculos 10 e 14, o horizonte de Bagan é salpicado pelas torres dos templos e pagodes que ocupam uma área de 13 quilômetros de extensão por 8 de largura, como se vê na foto acima. Construídas em madeira, as demais estruturas da antiga cidade há muito desapareceram.

Charrete e bicicleta são os melhores meios para navegar pelos monumentos - a menos que você tenha tempo de sobra, é aconselhável contratar um guia local. Os que são certificados pelo governo cobram 20 mil kyats por dia, o equivalente a US$ 25. Também há jovens que conhecem os templos, mas não sabem detalhes de sua história e deixam ao viajante a tarefa de arbitrar quanto merecem por seu trabalho. Mesmo durante o dia, é aconselhável sair sempre com uma lanterna - há ao menos uma disponível na maioria dos quartos de hotéis. Isso porque muitos templos têm afrescos, mas não iluminação.

Bagan é um centro religioso vivo e os fiéis budistas não se intimidam com a presença de turistas para fazer sua reverências e orações. É obrigatório tirar os sapatos - e as meias - antes de entrar em qualquer templo.

Assistir ao nascer e ao pôr do sol faz parte dos rituais imperdíveis de Bagan. Nos terraços de Shwesandaw, visitantes se acotovelam à espera do espetáculo. Outra opção é ver o sol se esconder de um barco no Rio Irrawaddy, venerado pelos moradores de Mianmar. A mais espetacular - e cara - plateia para o amanhecer são os balões que sobrevoam os templos durante uma hora todos os dias, ao custo de US$ 290 por pessoa. O preço não afugenta interessados. Por isso, é bom reservar com antecedência para garantir o seu lugar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.