Camila Anauate/AE
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Horizonte dégradé

Há várias formas de conhecer o Grand Canyon. Encaramos quatro, que você confere nesta série de matérias

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2009 | 04h41

O Grand Canyon ainda é uma expectativa quando o táxi para na porta do Bright Angel Lodge. "Atravesse por dentro do hotel", indica o motorista, sem dar mais detalhes. Passo pelo lobby, cruzo a porta dos fundos, perco completamente o fôlego. Estou à beira do abismo. E agora entendo por que o taxista resolveu poupar palavras.

Impossível explicar a beleza do Grand Canyon - e seu efeito hipnótico sobre qualquer ser humano. Fotos, vídeos, nada consegue preparar você para a real dimensão dessa paisagem. Basta debruçar sobre o penhasco para ver a sequência infinita de montanhas marcadas por faixas coloridas em dégradé: rosa, marrom, verde, cinza, branco. Seus picos formam um horizonte milimetricamente alinhado.

Ainda estou no "quintal" do Bright Angel Lodge, num dos muitos mirantes da Rim Trail, a trilha pavimentada que beira por quilômetros a encosta, sempre acompanhada por esse visual. Turistas passeiam sem pressa. O caminho é longo e revelador. A cada curva, um ângulo novo - e mais um clique.

 

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A aventura pode e deve começar assim, com uma caminhada de reconhecimento do parque nacional. À esquerda na trilha logo surge o Kolb Studio, uma casa de 1905 onde viveram os irmãos Kolb, fotógrafos pioneiros no Grand Canyon. Depois de ver a pequena exposição de imagens e passar pela loja de souvenir, desça até o Lookout Studio. O mirante invade o cenário e, sem se dar conta, você vai passar longos minutos ali, extasiado.

Na direção contrária, o percurso leva a pontos mais isolados. O burburinho do centro vai ficando para trás enquanto a tarde cai. O caminho agora está vazio. Um ou outro atleta passa correndo, o casal senta no braço da montanha e admira o cânion no mais absoluto silêncio.

É bem capaz que o cartão de memória da câmera esteja cheio antes de chegar à Yavapai Observation Station. Mas sua memória visual não vai falhar diante dessa panorâmica. Dentro do edifício histórico, imagens e modelos tridimensionais explicam a complicada geologia da região.

As forças da natureza levaram milhões de anos para esculpir essa maravilha da Terra. O cânion tem 1.400 metros de profundidade e se estende por 450 quilômetros na região noroeste do Arizona. Acompanhando com atenção os desenhos da exposição, é possível notar na paisagem o relevo acidentado.

A trilha continua margeando o cânion até o Mather Point. A essa altura, o sol está baixo. Espere, se puder, para ver um espetáculo inigualável. Turistas se reúnem em diversos pontos pelo caminho, com câmeras (e tripés) a postos - libere espaço no cartão da máquina, se for o caso.

À medida que a bola de fogo se esconde, as montanhas ganham movimento. Um mar de sombra cobre os platôs, mas os últimos raios ainda deixam os picos intensamente avermelhados. Pássaros, gaivotas e condores cortam o azul do céu, que logo vira cinza. E fim de show.

De olho na lua, penso que esse foi apenas o primeiro impacto. Existem inúmeras possibilidades de descobrir o Grand Canyon, por terra, água e ar. A expectativa para os próximos dias só aumenta.

Já é noite demais para voltar caminhando. Pego um dos ônibus gratuitos que circulam pelo parque e desço na porta do Bright Angel Lodge. Espero um táxi para retornar ao meu hotel, na vila de Tusayan, nos arredores da reserva.

O motorista, coincidentemente, é o mesmo. Ele pergunta se gostei do passeio e se contenta com meu simples aceno. Fiquei sem palavras.

VEJA ONDE PISA

linkTúnel do tempo

As camadas do cânion se formaram em eras geológicas distintas. Enquanto as pedras de cima surgiram há 270 milhões de anos, as da base têm mais que 1.840 milhões de anos

linkComo tudo começou

Há 70 milhões de anos, o calor e a pressão decorrentes da colisão de duas placas tectônicas fizeram erguer a cadeia montanhosa. A área conhecida como Colorado Plateau subiu cerca de 3 mil metros. O cânion, porém, é mais recente. Geólogos afirmam que ele surgiu há cerca de 6 milhões de anos

linkGraças ao Colorado

Sem esse rio perene, que corre numa região absolutamente desértica, o Grand Canyon não existiria. As águas do rio, misturadas com cascalho e muita areia, invadiram as camadas das rochas e foram esculpindo, com o passar do tempo, o Colorado Plateau. Do Yavapai Point, no South Rim, até o rio são 1.400 metros - e o rio ainda corre 750 metros acima do nível do mar

linkErosão pura

A largura do cânion é resultado da colisão entre as camadas das rochas e do processo de erosão. Ao longo dos 450 quilômetros do Rio Colorado, ela varia de 13 e 26 quilômetros

linkEspetacular

Em nenhum outro lugar há cânions com essas dimensões impressionantes, nem rochas coloridas em camadas. O Grand Canyon é único

 

COMO IR

linkConfira preço de passagem aérea e de pacotes para o Grand Canyon. Os valores são por pessoa em quarto duplo e já incluem o bilhete aéreo.

 

PASSAGEM AÉREA

linkO trecho de ida e volta entre São Paulo e Flagstaff custa a partir de US$ 943 na Delta Airlines (4003-2121)

 

PACOTES

linkUS$ 1.450: 4 noites em Las Vegas e 1 no Grand Canyon (com acomodação em tenda). Inclui café e passeios. Na Keith Prowse (0--11-3167-2757; www.keithprowse.com)

linkUS$ 1.492: 2 noites no Grand Canyon, 2 noites em Las Vegas e 7 diárias de Harley Davidson com milhagem livre. Embarque de agosto a novembro. Com a Apex Travel (0--11-3722-3000; www.apextravel.com.br)

linkUS$1.523: 5 noites no Grand Canyon e 6 dias de carro econômico. Saída 17/8. Com a Inside (0--11-4508-8010; www.insideviagens.com.br)

linkUS$ 1.593: 4 noites entre Las Vegas e Grand Canyon. Inclui café e passeios. Saída: 28/8. Com a Sem Fronteiras (0--11-2091-3595; www.semfronteiras.tur.br)

linkUS$ 1.716: 6 noites entre Los Angeles, Phoenix, Grand Canyon e Las Vegas. Inclui passeios. Saídas em agosto, com a Flot (0--11-4504-4544; www.flot.com.br)

linkUS$ 1.732: 6 noites entre Los Angeles, Phoenix, Grand Canyon e Las Vegas. Com passeios. Saídas em agosto. Na Turismo 10 (0--11-3253-7300; www.turismo10.com)

linkUS$ 1.783: 4 noites entre Las Vegas e Grand Canyon. Com café e passeios. Saídas em agosto. Monark Turismo (0--11-3235-4322; www.monark.tur.br)

linkUS$ 1.875: 6 noites entre Scottsdale, Sedona e Grand Canyon. Inclui aluguel de carro com quilometragem livre. Válido até 5/9, na CI (0--11-3677-3600; www.ci.com.br)

linkUS$ 2.170: 7 noites entre Los Angeles, Phoenix, Grand Canyon e Las Vegas. Com café e passeios. Saídas em agosto. Maktour (0--11-3818-2222; www.maktour.com.br)

linkUS$ 2.354: 10 noites entre Los Angeles, Grand Canyon, Las Vegas, Fresno, São Francisco, Monterey e Santa Maria. Inclui passeios. Saídas de agosto a dezembro. Na Natural Mar (0--11-3236-6969; www.naturalmar.com.br)

linkUS$ 2.450: 10 noites entre Los Angeles, Grand Canyon, Fresno, São Francisco e Santa Maria. Na Abreutur (0--11-3702-1840; www.abreutur.com.br)

linkUS$ 2.678: 8 noites entre Los Angeles, Grand Canyon, Las Vegas, Fresno e São Francisco. Inclui passeios. Saídas em agosto, na CVC (0--11-2191-8911; www.cvc.com.br)

linkUS$ 2.818: 11 noites entre Los Angeles, Grand Canyon, Las Vegas, Fresno, São Francisco e Santa Maria. Com café e passeios. Saídas de setembro a novembro. Na Visual (0--11-3235-2000; www.visualturismo.com.br)

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