Hospedeiros cordiais

O leitor Jurandir Doratiotto Jr. enviou-nos correspondência estimando que mr. Miles tenha uma idade "entre 90 e 120 anos". Foi o que ele pôde concluir ao ler, recentemente, que nosso correspondente britânico presenciou a inauguração do Copacabana Palace, em 1923.

O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2013 | 02h09

Enviamos a observação de Jurandir ao grande viajante e recebemos a seguinte resposta: "Dear friends: jamais me guiei pela fria lógica dos números e não vejo - a não ser que me digam - no que minha vasta experiência pode prejudicar meus relatos. As contas do sr. Jurandir, however, não são acuradas. Um homem de 120 anos não poderia, of course, ter participado da Exposição Mundial de Paris, sobre a qual já discorri neste espaço." A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: meu filho e eu iremos para Portugal em junho e passaremos 15 dias. Gostaria de sua sugestão quanto aos hotéis que poderemos ficar, com café da manhã. Vamos para Lisboa, Porto, Cascais, Fátima, Coimbra, Sagres, Ilha da Madeira. Noêmia Baptista, por e-mail

"Dear Noêmia: escolho a sua questão, dentre tantas que recebo a cada semana para, once again, esclarecer que sou um péssimo interlocutor para quem busca dicas pontuais como a que você me pede. As you know, costumo hospedar-me em hotéis e pousadas aos quais sou convidado por meus inumeráveis amigos, compadres, afilhados e afilhadas. Muitos deles são de ótima categoria, outros nem tanto. Há, in fact, alguns que são verdadeiros pardieiros mas, quando o carinho é muito, as pulgas não têm importância.

Essa condição peculiar, darling, não me permite fazer indicações de qualquer espécie, para não ferir a ética ou, pior, meus laços afetivos.

Admito que estou com as mãos coçando de vontade de dar-lhe duas ou três dicas de hospedagem para suas andanças lusitanas mas, desde já, adivinho as mágoas que vou causar em concorrentes que me são igualmente queridos. Besides, Portugal é uma terra de hospedeiros cordiais e será muito difícil que você e seu filho não encontrem um abrigo agradável, com comida farta.

Tenha em mente, dear Noêmia, que o mês de junho é bastante quente e já muito concorrido na terra de Camões. Quando Fernando (N. da R.: Fernando Pessoa, célebre poeta português) e eu tomávamos ginjinhas ao cair da tarde na Praça do Commércio, em Lisboa, o tema do calor já era recorrente. 'Haja ou não deuses, deles somos servos', dizia-me o bardo enquanto o sol fazia o Tejo evaporar-se em miragens.

Faço essas observações para que você escolha quartos bem ventilados ou dotados de condicionadores de ar. E não esqueça de reservá-los com antecedência, para garantir seu espaço em uma época que hordas de europeus do Norte (sobretudo, I'm sorry to say, meus conterrâneos) invadem a Península Ibérica em busca do calor das águas que a banham.

Há mais alguns motivos, Noêmia, pelos quais não posso lhe dar dicas pontuais. Exceto seu nome, a época da viagem e a companhia de seu filho, nada sei sobre você. Am I right? Não posso fazer a menor ideia em que padrão a querida leitora costuma viajar. Não sei se seu filho é, ainda, um infante ou um adulto - informação que pode levar a caminhos diametralmente opostos. Falta-me, besides, saber se há algum lugar, entre os mencionados, onde vocês pretendem ficar mais tempo no caso de, for instance, a viagem também tiver a intenção de encontrar ou reencontrar Baptistas de além-mar.

Como se vê, dear Noêmia, sou muito mais um contador de histórias do que um cicerone. E espero que você não deixe de ler minhas colunas em função dessa inaptidão. Have a nice trip!"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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