Hotel-cápsula japonês: uma noite dentro de uma 'gaveta' de solteiro

Repórter dorme em quarto cubículo e econômico em Tóquio; saiba como fazer reserva ou, se sentir claustrofobia, escolher outra opção 

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

10 Março 2015 | 03h00

TÓQUIO - Dormir em um cubículo com pouco mais de um metro de largura por um metro de altura pode soar claustrofóbico. Fúnebre, talvez. Mas pernoitar em uma dessas “gavetas” é uma experiência típica do Japão. Com uma vantagem que talvez convença quem viaja com orçamento igualmente diminuto: preços de diárias mais baixos que os praticados pelos hotéis, digamos, normais. É possível encontrar “quartos” a partir de 2 mil ienes, o que dá menos de R$ 50. 

Tradicionalmente, só homens podiam dormir nos chamados hotéis-cápsula. No passado, apenas eles trabalhavam, e este tipo de hotel era a solução para quem perdia o último trem de volta para casa. É por isso que os estabelecimentos mais antigos não têm alas femininas. Nas novas redes, as acomodações para mulheres começaram a fazer parte do projeto. Ainda assim, achar uma vaga para a hóspede ainda é um desafio. 

Separar homens de mulheres permite um pouco mais de conforto na hora de compartilhar os banheiros, onde se toma banho coletivamente, sem cercadinho, seja nos chuveiros ou nas banheiras termais onde é vetada a entrada de quem usa sunga ou biquíni. Sim, já existem hotéis-cápsula com cabines individuais para a merecida chuveirada. Ufa.

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Sites em inglês para facilitar a reserva por estrangeiros também são comodidades dos novos tempos e presentes quase que só nas redes mais novas e espalhadas. Antecipar-se é fundamental: as vagas femininas são as que primeiro esgotam. 

Reservei a minha cama no Capsule Inn (capsuleinn.com/en) do bairro boêmio de Shinjuku. Ali estão acostumados a receber mulheres, há pacotes promocionais e recepcionistas que falam inglês. 

Fui à procura de um prédio com entrada ao menos reconhecível, sem saber que hotéis-capsula costumam ser discretos e compartilhar prédios com outros estabelecimentos comerciais. Depois da saga para reservar o “quarto” veio a demora para achar o endereço. Como o olhar ajuda pouco, o GPS do celular me socorreu. 

Na recepção, a impressão ruim sobre a entrada se desfez. A ala das mulheres fica em um andar separado e já no saguão há placas proibindo a entrada de homens ali. O espaço tem armários com chaves para bolsas de mão e mochilas. Malas grandes ficam em prateleiras abertas. A hóspede recebe um kit com quimono, toalha e pantufas descartáveis. 

As cápsulas são numeradas e não têm porta nem chave, apenas uma cortina presa por um gancho. Se bater a claustrofobia durante a noite, dá para sair rapidamente de lá de dentro. A organização lembra beliches, com uma fileira de baixo e uma de cima, acessível por uma escadinha, em cada parede. No pouco espaço, que é bem limpo, cabem televisão, relógio despertador, rádio e tomada. O inconveniente é escutar todos os ruídos feitos pelos vizinhos durante a noite. 

O check-in começa geralmente às 17 horas e o check-out, às 10 horas. Não há café da manhã. Mesmo quem fica mais de um dia deve liberar sua cápsula pela manhã – as malas podem ficar na recepção e, em alguns hotéis, nos próprios armários. Confirme no momento da reserva. 

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Um respiro. Se o orçamento é pequeno, mas está fora de cogitação encarar um hotel-cápsula, tente os chamados business hotels. São o equivalente dos hotéis três-estrelas no Brasil. As diárias, obviamente um pouco mais caras, começam em R$ 130 por um quarto com cama de casal e banheiro. Não se engane: são acomodações apertadas, onde mal cabem as malas no espaço entre a cama e a mesa. 

Os business hotels da rede Apa (apahotel.com/en) incluem o café da manhã no preço da diária. Como ficam perto de centros comerciais, a maioria está a poucos passos de distância do metrô ou trem, o que resolve a locomoção por Tóquio. 

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