Xihao Jiang/Reuters
Xihao Jiang/Reuters

Hotel na China tem robô recepcionista e reconhecimento facial

Inaugurado no fim do ano passado, hospedagem do grupo Alibaba fica em Hangzhou é totalmente comandado por sistemas de inteligência artificial

Paula Escalada Medrano, EFE

16 de maio de 2019 | 05h00

Robôs para fazer o serviço de quarto, portas que se abrem por reconhecimento facial e iluminação ajustável com um simples comando de voz do hóspede. Assim é o FlyZoo, hotel futurista do grupo do gigante tecnológico Alibaba, em funcionamento desde o fim do ano passado em Hangzhou, na China.

"Graças às tecnologias avançadas do Grupo Alibaba, todo o hotel é coberto pelo sistema de reconhecimento facial e com inteligência artificial que melhora a experiência do hóspede", afirmou à Agência Efe uma porta-voz do hotel em uma visita ao espaço.

Já na recepção fica claro que aquele não é um hotel tradicional. Uma enorme parede de tela dá as boas-vindas aos hóspedes, que podem fazer seu check-in por meio de um aplicativo no próprio celular ou em prateleiras com telas touch screen. Tudo sem recepcionista ou fila de espera.

O rosto do hóspede fica registrado logo depois da entrada e essa será a chave de acesso ao quarto ou para utilizar o elevador, por exemplo. A foto feita com a câmera do telefone ou da prateleira no check-in serve ainda para liberar a utilização de áreas comuns, como a academia e o salão futurista equipado com parede e piso inteligentes e interativos para que o cliente possa fazer exercícios exclusivos.

Mordomo virtual

Dentro do quarto, um assistente pessoal - o Tmall Genie, desenvolvido pelo Alibaba -, dá as boas-vindas ao hóspede e ajuda com detalhes, como a temperatura do ambiente, a luminosidade, abertura das janelas ou programação da televisão.

Além disso, ele responde perguntas do tipo "qual a senha do Wi-Fi?" e pode reproduzir uma música determinada. E se o hóspede quiser comer, beber ou pedir algum item de higiene, o Tmall Genie também ajuda.

É nesse momento que surgem os personagens principais dos corredores do FlyZoo: os robôs que percorrem o hotel, sobem e descem o elevador, até chegar ao quarto do hóspede levando o que foi solicitado.

"O objetivo deste tipo de tecnologia não é reduzir a quantidade de funcionários necessários, mas aumentar o rendimento e a eficiência do hotel, usar as pessoas nos lugares certos em vez de profissionais fazendo trabalhos repetitivos", explicou a porta-voz. Apesar de toda a inovação, o hotel conta ainda com 100 funcionários.

Assim, com a liberação das tarefas mais rotineiras, a equipe pode se concentrar em oferecer a melhor experiência aos hóspedes. "É um hotel do futuro, mas não quer dizer que seja completamente sem humanos para operá-lo porque isso é obviamente impossível", reforçou a porta-voz, que não quis dar números sobre quanto a empresa economiza com mão de obra.

O FlyZoo conta com 290 quartos, e os preços da diária vão de 600 a 2.300 iuanes (R$ 340 a R$ 1.300, aproximadamente), embora Jack Ma, o fundador do grupo, não tenha criado o espaço com a intenção principal de aumentar seu rendimento, e sim para mostrar as possibilidades existentes no setor hoteleiro.

De acordo com um comunicado do diretor-executivo do Alibaba Future Hotel, Andy Wang, o FlyZoo "representa o esforço do Alibaba para unir hospitalidade e tecnologia e, em última instância, inspirar e empoderar a indústria do turismo para adotar a inovação".

Privacidade

No país das câmeras e do reconhecimento facial, a privacidade parece ser algo quase impossível, mas a porta-voz do hotel enxerga a situação de forma diferente.

"Não é preciso ter preocupações sobre o direito à privacidade. Tudo o que é gravado vai ser eliminado depois da saída", garantiu.

Uma saída na qual o hóspede também não terá de ir à recepção, já que o check-out é feito através do telefone. Basta clicar, pagar o que foi consumido pelo celular e sair, deixando para trás a tela gigante que agradece sua visita. 

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