Hotelaria, sustentabilidade e foco no futuro

Antes exclusivo de ONGs e de ativistas, o tema desenvolvimento sustentável permeia hoje a vida de todos

Orlando de Souza*,

11 Novembro 2008 | 03h38

Antes exclusivo de ONGs e de ativistas, o tema desenvolvimento sustentável permeia hoje a vida de todos e é um dos mandamentos mais repetidos pelos cidadãos e nas organizações - públicas e privadas. Isso vem ocorrendo mesmo de forma involuntária: quem ainda não debateu, por exemplo, a questão da lei seca iniciada no País? Ou deu sua opinião sobre a proibição do cigarro em locais públicos fechados e em vôos comerciais? No mundo atual, cada vez mais, valores coletivos se sobrepõem aos interesses individuais. Além de ser um argumento jurídico, essa questão ganha força na comunidade. Neste novo cenário, desenvolvimento sustentável e responsabilidade social, mais do que projetos ou ações, tornam-se conseqüência das atividades econômicas. Entre os segmentos mais engajados da economia, o turismo ganha projeção e se envolve, levantando como bandeiras prioritárias o meio ambiente, o combate ao turismo sexual e à prostituição infanto-juvenil - que, infelizmente, pela impunidade, ainda ferem muito a imagem do Brasil no exterior. Para nós, hoteleiros, levando em conta todos esses fatores e a diversidade do público atingido, fica o grande desafio de fazer a conexão entre a premissa da sustentabilidade em um mundo coletivo e o nosso negócio, considerando como individuais os interesses dos investidores do setor. É natural que o segmento tenha foco no futuro e no coletivo. É neste contexto que a nossa atividade deve se posicionar em relação ao desenvolvimento. A qualidade do turismo depende desta conexão e deste equilíbrio. Para dar o exemplo de dentro de casa, na Accor Hospitality trabalhamos com dois pilares: Eco e Ego são programas que caminham de forma transversal e também individual nas nossas mais de 160 unidades em operação na América Latina. Apoiado em políticas de redução de recursos físicos, o programa Eco garante que todas as nossas unidades só saiam do chão se estiverem alinhadas com a Carta Ambiental, o documento que contém as premissas regentes das questões sobre preservação do meio ambiente nos hotéis Accor. É o foco na preservação ambiental, considerando a sensibilização e o envolvimento das equipes. Em outra frente, sustentado em programas comunitários e de apoio a projetos sociais, temos o programa Ego. Com foco na solidariedade e no envolvimento com entidades locais, as redes Sofitel, Novotel, Mercure, Ibis e Formule 1 tratam de temas como alimentação, saúde, desenvolvimento e, principalmente, proteção à criança. À parte, o programa de proteção à saúde é um dos que mais nos motivam. Com foco no futuro coletivo e considerando a boa condição da criança e do adolescente como prioritária no desenvolvimento do setor, em 2005 fomos pioneiros em criar e adotar o Código de Conduta do Turismo Contra o Turismo Sexual Infanto-Juvenil, documento que conta com a aprovação da End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purposes, a mais importante entidade mundial no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. No entanto, toda essa discussão sobre o desenvolvimento sustentável mostra uma realidade ainda bastante complexa. A consciência do futuro coletivo tem levado pessoas, empresas e líderes governamentais ou de ONGs à busca de um novo comportamento. Mas algum comodismo, por incrível que pareça, ainda existe - e continua a nadar contra a corrente dos novos tempos. Refletir sobre o papel de cada um e sobre o caminho já trilhado em direção ao bem comum é a tônica que tem nos levado a compreender o mundo ao nosso redor. E a encontrar caminhos para prepararmos para o futuro. * Orlando de Souza, diretor de Operações das marcas Novotel e Mercure para a América Latina

Mais conteúdo sobre:
opinião viagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.