Humor a bordo

Não parece verossímil, nem cavalheiresco da parte de nosso surpreendente viajante. Entretanto, o próprio mr. Miles confirma que, desprezando os apelos da Redação e de seus amigos brasileiros, fez uma visita-relâmpago ao Brasil na última semana e já voltou à sua ilha chuvosa.

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2015 | 02h08

Nosso correspondente desculpou-se da seguinte maneira: "Well, my friends, uma das boas coisas da vida é poder mudar de planos ao deus-dará, as you say. Vocês bem sabem que uma existência profícua e grandes amizades dão-me, sometimes, a chance de regozijar deste pequeno prazer. Pois eis que encontrei meu velho camarada Nuno Almeida em uma tasca do Bairro Alto. Entre duas ou três doses, Nuno lastimou que precisava levar umas coisinhas para sua pousada em Trancoso e não dispunha de tempo.

Pois como a minha situação era exatamente oposta - eu não tinha nada para levar e dispunha de muito tempo -, no dia seguinte me vi a caminho da querida Bahia de Todos os Santos.

I'm really sorry about not visiting you, mas apenas comi uma mariscada da Iremir, tomei um banho refrescante no Rio da Barra, duas caipirinhas do Geraldo e, my God, quase me esqueço de entregar os documentos.

Unfortunately, tive de voltar para as bodas de ouro de Sir Fergusson, que prometem ser maçantes como todas as festas do gênero. Mas meu apetite pelo Brasil está definitivamente aguçado. Wait and see!"

A seguir, o excêntrico, mas solerte correspondente, responde à pergunta da semana.

Querido mr. Miles: qual foi a situação mais engraçada que o senhor já presenciou a bordo de um avião?

Rebeca Weinstein, por e-mail

"Well, my dear, basta prestar atenção e qualquer voo pode ser mais divertido que um filme de Groucho Marx. A combinação de seres humanos com estresse é, via de regra, cômica. Ainda outro dia, durante uma decolagem qualquer, justamente no momento em que o avião ganhava impulsão para erguer-se, um cidadão apareceu no corredor, vindo da primeira classe com um copo na mão como se estivesse entrando em sua cozinha. Não havia nada a fazer: o avião subiu e o passageiro desceu corredor abaixo, deslizando sobre sua protuberante barriga. Can you believe it?I did have a lot of fun as well dois ou três anos atrás, durante voo de uma companhia aérea famosa por seu serviço relaxado (vou omitir o nome por uma questão de elegância). Encerrado o jantar - frugalíssimo, I must say - os comissários de bordo desapareceram, cheios de enfado. O passageiro ao meu lado queria uma outra taça de vinho e tentou chamar o serviço através do botão adequado. Nada. Repetiu o gesto por duas ou três vezes. Ninguém apareceu, apesar do ruído e dos avisos luminosos.

'Eles virão, o senhor verá', disse-me o cidadão em questão, com um sorriso entredentes. E, believe me, acendeu um cigarro.

Foi preciso, of course, esperar a rápida ação dos alcaguetas de plantão, mas em um minuto o comissário apareceu para a devida reprimenda. Meu vizinho pediu desculpas, apagou o cigarro e pediu o vinho. Uma garrafa inteira, I must say, que bebemos às gargalhadas."

*Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Ele esteve em 183 países e 16 territórios ultramarinos 

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