Igrejas e ruínas dão fama a Braga

Da mistura nasceu o apelido, Roma da Península Ibérica; um dia na cidade deve contemplar as duas facetas

, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2008 | 03h04

Braga é conhecida pelo Santuário de Bom Jesus do Monte, para onde acorrem devotos do mundo inteiro, especialmente durante a Semana Santa. Mas a cidade tem um histórico de ocupação visível de mais de 2 mil anos; a região já era habitada quando os romanos ali chegaram, em 250 a.C. - eles permaneceram até o século 5º. Para os romanos, Braga era Bracara Augusta - escavações sugerem que se tratava de uma grande e importante cidade daquele império na Península Ibérica. Por isso - e por causa da concentração de arquitetura religiosa, com 16 igrejas, 6 conventos e mosteiros, 5 capelas e muitos outros monumentos -, leva o apelido de Roma portuguesa. O centro histórico conta com construções e ruínas exemplares de várias épocas, concentradas numa pequena área, que deve ser percorrida a pé. Um dos possíveis pontos de partida é o Arco da Porta Nova. O original foi erguido em 1512 e durante muito tempo serviu como a principal entrada da cidade. A construção atual, porém, é de 1772 e tem estilo barroco. Perto dali está a Sé, a mais imponente das muitas igrejas de Braga, considerada a catedral mais antiga do país - o templo foi erguido numa área onde teriam existido edifícios de culto romano, que, nos séculos 4º e 5º, deram lugar a uma primeira construção cristã. O prédio exibe vários estilos, do românico ao barroco, em decorrência de diversas reformas ao longo do tempo. Na igreja podem ser visitados os túmulos de d. Henrique de Borgonha e de dona Teresa, condes do Condado Portucalense e pais de d. Afonso Henriques (d. Afonso I). Faz parte da Catedral o Museu da Sé, composto de peças sacras dos séculos 16 a 18, como a pequena cruz de metal utilizada na primeira missa no Brasil. Próximo da Sé está um outro destaque do barroco local, o Paço Episcopal, constituído por um conjunto de edifícios dos séculos 14, 17 e 18 que serviram de residência a arcebispos. A ala medieval do Paço dá acesso ao Jardim de Santa Bárbara. SINGELOS (E CAROS) Dali, pela Rua do Souto, chega-se à Praça da República. Na pequena feira de artesanato, o charme são os ''lenços dos namorados'' - bordados coloridos, de versos simples e românticos, em tecido branco. Pela tradição, as moças da área rural, de pouca instrução, bordavam lenços à noite, à luz de velas, para oferecer aos namorados. Eram versos como: ''Quem me dera ser camisa/Quem me dera ser butão/Para andar sempre contigo/Junto do seu curação''. Assim mesmo, com erros de grafia, de acordo com o som das palavras. Hoje, vários artesãos reproduzem esses lenços. A unidade quadrada, de cerca de 30 centímetros, custa 68 (R$ 170). Ceramistas repetem a tradição pintando os versos em xícaras (cerca de 15 ou R$ 37,50) e em ímãs para geladeira ( 3 ou R$ 7,50). ESCADARIA Mas é o santuário de Bom Jesus do Monte o grande chamariz de Braga. A igreja fica em um parque com mata, jardins, lagos artificiais, campo de tênis, praças e hotel. O local passou a ser ponto de peregrinação em 1629, com a construção de uma capela. A igreja atual, barroca, foi concluída em 1725. O santuário está a 400 metros de altura. Para chegar ao alto, há três opções: por estrada, por escadaria e por elevador (funicular). A escadaria, o meio mais difícil, mas que garante as melhores fotos, tem início no Jardim do Bom Jesus e está dividida em três partes: Escadaria do Pórtico (trecho inicial, concluído em 1723); dos Cinco Sentidos e a Escadaria das Três Virtudes (de 1837, com três fontes, dedicadas à fé, à esperança e à caridade). O elevador de Bom Jesus é um funicular sobre rampa e foi inaugurado em 1882. Uma curiosidade: é o mais antigo do mundo a utilizar o sistema de contrapeso de água para locomoção. O tempo de viagem é curto, cerca de 3 minutos, e o percurso, de 274 metros. Bom para não se cansar. R.D. Museu da Sé: Rua d. Paio Mendes; ingressos a 2 (R$ 5) Paço Episcopal e Jardim de Santa Bárbara: Largo do Paço; grátis Santuário de Bom Jesus: Jardim de Bom Jesus do Monte; grátis. O funicular custa 1 (R$ 2,50) e o transporte funciona das 8 às 20 horas Informações: diferentes roteiros estão no www.cm-braga.pt

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