Mônica Nóbrega/Estadão
Mônica Nóbrega/Estadão

Imersão artística para os muito pequeninos

Quem visse a criaturinha de menos de um metro de altura largada entre os braços do pai e da mãe ao longo dos últimos metros até o restaurante, facilmente entenderia que a brincadeira tinha sido boa. Mais que isso, longa. Eram quatro da tarde, o que significava que estávamos ali, entre os jardins e galerias de Inhotim, havia seis horas completas.

MÔNICA NÓBREGA / BRUMADINHO, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2013 | 02h08

E só naqueles minutos finais o garotinho de dois anos e meio cedera ao cansaço. Ou seja, a aposta de passar o fim de semana com um filho tão novinho entre obras de arte contemporânea se revelou, afinal, acertada. Divertida para os três envolvidos e sem grandes apertos.

Inhotim é daqueles passeios com predicados para agradar gente de qualquer idade e variados níveis de conhecimento de artes plásticas - inclusive nenhum. Mas quem tem filho sabe: criança pequena é outra história. Precisa de pausas, alguma rotina, da sagrada soneca. Infraestrutura, em outras palavras.

Coisa que o museu-galeria-jardim botânico que colocou a cidadela de Brumadinho no mapa tem da melhor qualidade. As galerias são construídas entre alamedas e gramados, com bancos por toda parte. Sempre há um quiosque ou lanchonete por perto. E banheiro - não necessariamente com fraldário, mas, no aperto, recorri à troca de fraldas num banco de jardim. Ninguém olhou feio. Só deixar tudo limpinho depois.

Estratégias. Como era minha segunda visita a Inhotim, sabia que o ideal era dedicar dois dias ao local. Mas achei que seria demais para a idade do pequeno. Adotei a estratégia de dividir o fim de semana em duas partes - a segunda foi a visita ao museu. O primeiro dia foi para voar a Belo Horizonte, ir de carro alugado até Brumadinho e curtir o hotel calmamente, com direito a comer bem e dormir cedo.

Com menos tempo para exploração, escolhi previamente as obras que fazia questão de ver. Começamos por onde quase todo mundo começa: a Galeria Praça, a do famoso mural Rodoviária de Brumadinho, com um ônibus azul. Troca Troca, os fuscas coloridos de Jarbas Lopes que costumam habitar o espaço estavam em outro ponto.

Cildo Meireles era outra parada inescapável - e a instalação Através, feita com transparências entre as quais se caminha por trilhas cheias de cacos de vidro fez tanto sucesso quanto a consagrada Desvio Para o Vermelho. Ainda na seara das galerias de um nome só, a de Adriana Varejão, monumental e cheia de escadas e espelhos d'água, se mostrou outro bom investimento de tempo. Difícil foi explicar ao visitante de dois anos que, com o dia um pouco frio, não entraríamos na Piscina de Jorge Macchi, aberta ao público.

O almoço no restaurante-bufê Oiticica, único aberto na data da nossa visita (há outros dois), ficou para o fim do passeio. A comida mineira e bem caseira é ótima opção para crianças. Depois dela, o pequeno voltou a ficar tão animado que teria topado mais meia hora de visitas, desde que não tivesse de caminhar. Pena que os pais haviam esquecido o carrinho de bebê - e Inhotim não tem mais nenhum para emprestar. Fica a dica.

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