Bruna Tiussu/AE
Bruna Tiussu/AE

Imersão cultural em programas mais que autênticos

Tour que fazem o visitante por a mão na massa. E confeccionar seu próprio queijo, a cerveja dos monges...

Bruna Tiussu/AE, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2012 | 14h55

Vai parecer uma viagem a tempos remotos, mas em pleno século 21. Cabe a você o esforço de entrar no clima, escutar cada orientação do mestre gourmet, aceitar aquele avental característico e por a mão na massa. Porque provar os mais saborosos queijos em solo suíço, todo mundo faz. Mas quem de fato aprende os segredos de uma receita milenar, tem a chance de mexer o tacho e ver um queijo com sua assinatura pessoal ganhar forma?

 

O exemplo suíço é apenas uma das oportunidades que você tem de experimentar tradições ancestrais – mas que continuam vigentes em certos destinos turísticos.Ou você pensava que pisar em uvas nas vinícolas argentinas era a única opção de viver como antigamente?

 

Atividades autênticas pipocam por aí e estão ao alcance dos viajantes que desejam uma imersão cultural. Como se a intenção fosse passar para o outro lado: de turista, transformar-se em local. Ao menos por algumas horas.

 

As opções. Na região italiana de Piemonte ou em Ístria, na Croácia, não se restrinja aos restaurantes especializados em pratos perfumados por trufas. Com a ajuda de cães farejadores, há como colher seu próprio cogumelo, no bosque ao lado do seu hotel. Já para acompanhar a produção de cervejas trapistas é preciso se hospedar em um dos monastérios produtores. O que requer certa obediência para seguir à risca a rotina dos monges.

 

Em Dubai, a opção é aventurar-se como caçador de pérolas nas águas do Golfo Pérsico, exatamente como mergulhadores do passado faziam. Ou prefira assumir seu lado artístico em Limoges, na França, como um esmaltador. Basta seguir cada processo da técnica antiquíssima e soltar a imaginação.

 

Em Limoges, brincando de esmaltador

Nas paredes, obras que misturam cores, texturas, brilhos e materiais, como tecido, bambu, pedras e, claro, o esmalte. Difícil acreditar que tais exemplares tão modernos incluem esta antiga técnica de adorno que, ao lado da porcelana, é marca registrada da região de Limousin, na França. Pois foi exatamente para trazer o esmalte lá do passado e encaixá-lo em expressões artísticas atuais que La Maison de l’Email (ou Casa do Esmalte) foi criada, na capital Limoges.

 

Tudo o que está exposto ali, dentre móveis, luminárias, objetos de decoração e as mais delicadas peças de bijuteria encantam os olhos – e as mãos. Impossível não querer tocá-las para sentir na pele o resultado de uma estrutura esmaltada. É quando o guia do local faz o convite mais esperado: por apenas 9 euros é possível confeccionar sua própria plaquinha usando a técnica. Ou seja: é hora de dar vida ao artista que mora dentro de você.

 

Instalado em uma mesa de trabalho, com sua plaquinha virgem em mãos, espátula e uma série de cores em pó dispostas a sua frente, você está pronto para brincar de esmaltador. Os materiais são exatamente os mesmos usados pelos artistas dos séculos passados, responsáveis pela decoração de igrejas e fachadas de edifícios concentrados, principalmente, no bairro antigo da cidade. Também em nada diferem dos utilizados pelos criadores atuais, que assinam as obras espalhadas pela Maison.

 

Sinta-se livre para fazer a espátula dançar sobre o metal, deixando espaços vazios, arriscando um desenho (vale ao menos tentar, vai). Ou simplesmente faça uma seleção de cores e comece a sobrepor os pozinhos, apostando em figuras abstratas. Nesta etapa, você terá apenas uma vaga ideia do que sua obra de arte se tornará, tudo parece meio solto sobre o metal. Apenas depois de submetida ao calor do forno e devidamente seca é que a peça libera os segredos das cores e texturas de um esmalte.

 

Feita a experiência, diante de sua humilde plaquinha e, ao mesmo tempo, com tantas obras incríveis ao seu redor, a conclusão a que se chega é praticamente unânime: técnica e prática são realmente imprescindíveis para esmaltar com qualidade. E isso independe da época em que tal técnica é empregada.

 

Preciosa tradição do Golfo Pérsico

Muito antes da descoberta do petróleo, as águas do Golfo Pérsico eram almejadas por seus bolsões de ostras que guardavam preciosas pérolas. Um novo passeio do grupo hoteleiro Jumeirah (700 dirham ou R$ 380 por pessoa), com sede em Dubai, faz você se sentir como um caçador à moda antiga. Vista-se com roupas típicas, embarque em um autêntico dhown, o barco árabe, e mergulhe atrás das tais ostras.

 

A profundidade máxima atingida é de cinco metros e o mergulho é feito com o auxílio de cordas, como os velhos caçadores faziam. E caso você encontre alguma pérola nas ostras colhidas, comemore: ela é sua.

 

Cervejas e hábitos dos trapistas

Apenas sete monastérios do mundo – seis na Bélgica e um na Holanda – seguem a tradição de produzir cervejas trapistas, ou seja, confeccionadas sob a supervisão de um monge da ordem trapista. E só alguns recebem visitantes, caso dos belgas Achel e Westmalle e do holandês Koningshoeven.

 

Ficar hospedado neles significa seguir a rotina dos monges, com horário de silêncio, oração e menus pré-estabelecidos. E também ter acesso a detalhes de sua origem, ao processo de fabricação de cada tipo de cerveja, suas tradições e segredos.

 

Um queijo Emmental com sua assinatura

Exatamente entre a paisagem verde e repleta de colinas da região do vale do Emmen, na Suíça, onde nasceu o delicioso queijo Emmental, é que você pode testar seus dotes culinários e produzir sua própria iguaria.

 

A Emmentaler-Schaukaeserei fica na cidade de Affaltern, pertinho da capital Berna, e funciona como uma espécie de queijaria-demonstração. Fabrica e comercializa seus produtos, mas também organiza tours para receber turistas interessados em conhecer de perto – e por a mão na massa – cada etapa que envolve a produção de um dos maiores símbolos suíços.

 

A maior graça da visita está em combinar um tour tradicional pela propriedade, onde você se familiariza com ingredientes, técnicas e tempos de preparo, com a experiência de fabricar um queijo de verdade. A atividade é realizada em um chalé construído em 1741 e tem duração de aproximadamente 2 horas. Sob a supervisão de um queijeiro profissional, você prepara o seu, seguindo passo a passo os métodos artesanais, que incluem mexer o leite em tacho de cobre e cozinhá-lo em fogão à lenha.

 

Caso queira, pode voltar lá para buscar a sua produção após o período de maturação, já que a empresa só entrega em endereços nacionais. Somente a experiência de produzir o queijo custa a partir de 195 francos suíços (R$ 412) e pode ser combinada com tours e refeições no local. Para agendar, acesse o site.

 

Aromáticas trufas para caçar 'in loco'

Outono é época de trufas, ao menos na região italiana de Piemonte e nas florestas de Ístria, na Croácia. Quer saborear carnes, massas e caldos enriquecidos com o perfume de algumas gramas da iguaria? Vá à caça delas, como manda uma das mais antigas tradições de ambos os destinos.

 

Os supervalorizados cogumelos subterrâneos – por muitos chefs chamados de diamantes brancos – são encontrados em pleno bosque, no leito dos rios e próximos à raízes de árvores. Cães farejadores, capazes de vasculhar esconderijos impensáveis, são os guias ideais para essa empreitada.

 

Na cidade de Mombaruzzo, em Piemonte, o Hotel la Villa promove caçadas de setembro a meados de dezembro, na sua propriedade, com duração de 1 hora e meia e com guia expert no assunto. Uma opção é deixar agendado um brunch no retorno, onde as trufas encontradas são ingredientes principais.

 

Já na Croácia, a cidade de Livade é referência no assunto. Tanto que realiza, anualmente, um festival batizado de Dia da Trufa do Zigante que também organiza grupos afim de aprender – e tentar – caçar os tais diamantes brancos. Além disso, há como comprá-las ali e participar de workshops que ensinam como manusear e melhor empregar as trufas em pratos diversos.

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