Rodrigo Cavalheiro/ Estadão
Rodrigo Cavalheiro/ Estadão

Imersão nas aldeias do norte, entre campos de arroz

Chegamos a Sapa depois de passar a noite em um trem de Hanói a Lao Cai e meia hora serra acima em uma van que nos largou na praça principal da cidade, coberta de nuvens e com uma temperatura abaixo de 10 graus. Sapa é mesmo conhecida pelas temperaturas frias, que podem chegar a zero grau de janeiro a junho, a estação seca.

Cenário: Adriana Plut, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2013 | 02h19

A cidade fica no extremo norte do Vietnã, quase na fronteira com a China, no topo de uma encosta íngreme, cercada de plantações de arroz feitas em escalões - semelhantes às que se veem no Peru, criadas pelos incas. Além das paisagens deslumbrantes, a cidade (que foi fundada como uma estação de trem francesa em 1922) é cercada por pequenos vilarejos onde vivem etnias com línguas e costumes particulares. O lugar é ideal para fazer longas caminhadas, em meio às lindas paisagens formadas pelos campos de arroz e passando por algumas dessas vilas. Há opção de se hospedar na casa de uma família local, uma experiência sem luxo algum, mas de uma riqueza cultural incomparável. Prepare-se para dividir quarto, limpo e de chão batido, com outros andarilhos. O banheiro se resume a um buraco no chão e fica fora da casa. Se não se importar com isso, provavelmente vai adorar todo o resto: o calor do fogo de chão, a excelente comida caseira e a comunicação por meio de olhares e sinais.

Seguimos direto para a agência recomendada por alguns amigos, a Sapa O'Chau, criada por uma garota da etnia Hmong. O dinheiro pago pelos turistas ajuda no treinamento de crianças em um centro de aprendizado de línguas. Depois de aprenderem a ao menos "se virar" em uma língua estrangeira, elas se tornam guias. Nossa viagem não teria sido a mesma sem a guia Peng Mong, que tem 19 anos e uma filha, mas aparenta ter 10 e ser uma criança perdida da mãe. Ela aprendeu inglês há pouco tempo, mas, depois de alguns minutos, foi fácil se acostumar ao seu sotaque. No caminho até a casa de família onde nos hospedaríamos, ela nos divertia mostrando quais plantas os Hmong utilizam para tingir tecidos, as ervas que usam para curar. Ou apenas fazendo chapéus esquisitos com as plantas que encontrava.

Depois de sete horas caminhando em ritmo lento, com paradas e subidas e descidas leves, chegamos à casa da etnia Red Dao, povo originário da China que vive em Sapa, facilmente reconhecíveis pelos seus chapéus vermelhos. O jantar é preparado em uma fogueira, e todos se sentam ao redor, em banquinhos no chão de terra batida.

De volta à cidade, não deixe de dar uma passadinha pelo mercado central para conferir o artesanato e, quem sabe, provar a gastronomia local. Mas tome cuidado com as pegadinhas chinesas. Os Red Dao e Hmong são comerciantes insistentes e sagazes e, se perceberem que você se encantou por algum objeto ou tecido fabricado na China, farão acreditar que eles mesmos fizeram aquilo à mão.

Existe também a opção de encarar vários dias de trekking e parar cada noite em uma casa de família diferente. A agência Sapa O'Chau oferece até quatro dias de caminhada - assim, é possível ir bem mais fundo na cultura dos povos do norte e chegar aonde poucos turistas se aventuram a ir. Anote: trek.sapaochau.org. Os preços variam de acordo com o tamanho do grupo.

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