Marco Pomárico/AE
Marco Pomárico/AE

Inesperada fusão entre Europa e Bollywood

Clima psicodélico do restante do país foi amenizado em Mumbai, abrindo espaço para herança inglesa

Rachel Verano, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2009 | 02h53

A maior cidade do segundo país mais populoso do mundo. Um universo de 16,5 milhões de habitantes. Coração de Bollywood, a indústria cinematográfica que mais produz filmes no planeta. Mumbai. É tudo superlativo na enorme metrópole indiana, onde qualquer arrogância se curva às belas fachadas art déco de Colaba ou à imponência rendida do Hotel Taj Mahal, que já voltou a funcionar depois dos ataques terroristas de novembro de 2008.

Aqui os táxis substituem bem os tuc tucs e o mais próximo da psicodelia reinante no resto do país são as carruagens prateadas decoradas com flores de plástico. As indianas vestem mais jeans que sáris e os pés descalços perdem em número para os saltos altos na Avenida Shivaji Marg.

Mumbai tem ruas largas, calçadas arborizadas, um trânsito infernal. Por isso mesmo (e na contramão da sua impessoalidade cosmopolita), torna-se perfeita para ser explorada a pé. Nosso ponto de partida é a Shivaji Marg, com lojas de grifes internacionais. De lá, basta andar duas quadras em direção ao mar e você estará no Portão da Índia, erguido em 1924 para comemorar a visita do rei inglês George V.

 

Veja também:

Dicas de viagem e sugestões de hotéis nos destinos visitados

Do Rajastão às Ilhas Andaman, um país além do cartão-postal

Thar: mar de areia e de estrelas

Na imensidão do Himalaia, pedidos coloridos a Buda

Segredo com cenários e cores da Tailândia

Igrejas e bacalhau na Lisboa indiana

Nova Délhi: 48 horas na frenética capital 

Se o mar colorido funciona como um imã, basta virar de costas para outra surpresa: o Taj Mahal, obra do milionário indiano J.N. Tata em 1903, época em que os hotéis de luxo da cidade proibiam a entrada de nativos. Desde os ataques, as obras no prédio estão a mil e o hotel já voltou a funcionar.

A beira-mar e as ruas dos arredores estão cheias de lojas de roupas e artigos de decoração. Depois de bater perna, um lugar perfeito para almoçar é o Basilico. Não interessa o prato principal escolhido. Só não deixe de pedir o Bali Hai, shake de manga com leite de coco. De lá, entre à direita na Arthur Bunder Road e vire na Colaba Causeway, também à direita. Lá está o mercado de rua.

A avenida segue com tendas até terminar numa enorme praça chamada Regal Circle. Ali, merecem uma visita o antiquário Phillips, com mapas e fotos do período do Raj a esculturas de madeira e móveis, e a Galeria Nacional de Arte Moderna.Um pouco adiante, na Mahatma Gandhi Road, o Museu Príncipe de Gales tem um acervo interessante de esculturas e pinturas minimalistas de todo o país.

Seguindo na mesma avenida, encontra-se a Universidade de Mumbai. Mais inglesa, impossível. Virando à esquerda na University Road, outro tributo aos colonizadores: no Oval Maidan, um enorme gramado. Por lá, o passatempo de crianças e de adultos é o críquete.

Quem ainda tiver pique pode pegar a Dr. Dadabhai Naoroji Road e andar meia hora até a Estação Chhatrapati Shivaji, antiga Victoria Station, concluída em 1887 (caso contrário, vale pedir para um táxi passar por ela). Encerre o dia no Tea Centre, casa de chá que não faria feio em Londres. Mumbai é, mesmo, a mais perfeita transição entre a Índia e o restante do mundo.

MODELO EXPORTAÇÃO

Com produção de mil longas por ano, Bollywood é a maior indústria cinematográfica do mundo. Tem 3,6 bilhões de espectadores - 1 bilhão a mais que Hollywood. E está mais na moda do que nunca, depois de inspirar Quem Quer Ser Um Milionário?, do inglês Danny Boyle, vencedor de oito Oscars. Por essas e outras, um bom programa em Mumbai é se embrenhar nos sets de filmagem. Seja como figurante - em Colaba os caça-talentos andam atrás de estrangeiros - ou em um tour da Bollywood Tourism (www.bollywoodtourism.com/bollywoodtourism.html). Custa US$ 75 dólares (R$ 165) por pessoa.

Mais conteúdo sobre:
Viagem Índia

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.