'Inglesa do interior' vai virar megalópole

Antigo reduto de brancos, Pretória tem museus que contam a história do ponto de vista dos colonizadores

Daniel Brito, Especial para O Estado

15 Dezembro 2009 | 02h13

É curioso que a capital do executivo da África do Sul se chame Pretória. O nome é uma homenagem a Andries Pretorius, herói da Batalha do Rio de Sangue, no século 19. Com seu exército de 470 homens brancos, ele exterminou 12 mil negros da etnia zulu. Antigo reduto dos brancos, Pretória, a 60 quilômetros de Johannesburgo, é hoje administrada por negros.

 

CENTRO DO PODER - Cidade é limpa e dá ao visitante

sensação de segurança maior que em Johannesburgo

VEJA TAMBÉM:
Com vocês, a seleção titular
Roteiro canarinho
Jo\'burg, a São Paulo deles
Praia no resort e aventura na savana
Nelspruit é a portaria do safári
Tribos e cavernas na cidade dos baobás
Mar e sol? Vá para Durban
Bloemfontein, pit stop seguro

História e lazer em Port Elizabeth

 

Cidade do Cabo e da esperança

Deliciosa rota dos vinhos
Kruger, um exagero
Aproveite para dar uma esticadinha
Há previsão, inclusive, que em 2020, dez anos após a Copa, as duas se unam formando uma gigante megalópole de 20 milhões de habitantes.

Por enquanto, Pretória segue em clima de cidade do interior da Inglaterra. A começar pela arquitetura, os prédios do governo, as casas nas ruas arborizadas perto do centro. É limpa e transmite sensação de segurança maior que em Johannesburgo. Por ter sido governada pelos brancos por muito tempo, há vários museus que contam a história da África do Sul do ponto de vista de ingleses e, principalmente, de holandeses, como o Vorrtrekker e o Paul Kruger House Museum.

Para quem quer pagar pouco, boa opção é o albergue 1322 Backpackers International. É possível ir caminhando de lá até o Estádio Loftus Versfeld. O quatro-estrelas Diplomat Guesthouse era uma casa vitoriana, mas foi adaptado para virar hotel com facilidades do século 21. Mas luxo mesmo está no Sheraton Pretória. É lá que a os herdeiros ingleses se hospedam quando visitam a ex-colônia. Se você não for da família real, terá de desembolsar o equivalente a mais de R$ 500 por noite.

Hatfield Square promete ser o agito da Copa. Há shoppings, lojas, restaurantes e bares com gente jovem e bonita. Aos domingos, no estacionamento de um dos supermercados, artistas locais exibem suas obras. É uma alternativa para fugir do óbvio roteiro de shoppings.

É impossível ir a Pretória e não ficar curioso com um monumento: Museu Voortrekker, a cinco quilômetros da cidade. Parece uma gigantesca caixa de panetone feita de concreto. Se os negros contam suas histórias no Museu do Apartheid, em Johannesburgo, os brancos têm no Voortrekker sua memória preservada. Lá está a trajetória dos trekkers, os holandeses que colonizaram o país desde as montanhas do sul até Pretória. A entrada custa o equivalente a R$ 10.

O nome é de encher a boca: Loftus Versfeld Stadium. Como quase tudo em Pretória, mais uma homenagem a um branco. Robert Owen Loftus Versfeld levou o rúgbi à capital. O estádio era de rúgbi, mas, hoje, é o futebol que dás as regras ali. Com capacidade para 52 mil pessoas, Loftus viu o Brasil golear a Itália por 3 a 0 na Copa das Confederações, em 2008.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.