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Inhotim reabre, com restrições

Para garantir a segurança, quatro galerias foram fechadas e a capacidade de público está menor

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

14 de novembro de 2020 | 11h00

As longas trilhas em meio a lagos e florestas do Instituto Inhotim voltaram a ser percorridas. Depois de quase oito meses fechado por conta da pandemia do novo coronavírus, o maior museu a céu aberto do mundo, e considerado um dos mais ricos em arte contemporânea, reabriu para visitação há uma semana.

Há uma série de restrições e recomendações, porém. O número diário de turistas foi limitado a 500. Galerias estão fechadas e rotas que poderiam ser percorridas em veículos elétricos foram suspensas. Como todos os locais públicos durante a pandemia, a temperatura de quem chega é medida. Há avisos para uso de máscara e pedindo que seja mantida distância entre as pessoas.

O Inhotim fechou em 18 de março e a reabertura, no dia 7, teve ingressos esgotados nos dois dias do fim de semana, segundo a administração. Para efeito de comparação, o Inhotim já chegou a registrar 350 mil visitantes por ano, cerca de 980 por dia, em conta rápida. Agora, o instituto abre apenas de sexta-feira a domingo e nos feriados.

Totens com álcool em gel foram colocados na entrada das galerias que podem ser visitadas. Houve limitação no número de turistas permitido em cada uma delas. Na do artista Carlos Garaicoa, o acesso é liberado para quatro visitantes por vez. Sem pandemia, entram 15.

Antes do coronavírus, o ônibus que faz a ligação entre Belo Horizonte e o museu, em Brumadinho, a 60 quilômetros da capital, executava trajeto de ida e volta de terça a domingo. Agora, é realizado apenas de sexta a domingo. O Inhotim informa que a compra de ingressos precisa ser feita por sistema na internet.

Ao todo, sete espaços – entre galerias, obras e instalações – estão fechadas ao público por enquanto. A informação na entrada do Inhotim é que estão paradas por conta da pandemia, mas na entrada de duas – Fonte e Cosmococa – há placas de manutenção. O quadro de aviso que fica na entrada do museu, próximo aos guichês de compra de ingresso, e que normalmente mostra obras e galerias em recuperação, estava vazio na sexta-feira, 13, pela manhã. De um total de nove rotas feitas pelo carros elétricos, quatro estão suspensas.

A pé, entre intervalos de pancadas de chuva, o casal João Paulo Freitas, de 31 anos, servidor público estadual, e Melissa Maia, 34, enfermeira, moradores da cidade de São Paulo, visitava as obras de arte do museu. Os dois afirmaram que se sentiam seguros no passeio. “Há controle na entrada e álcool em gel”, justificou Melissa. A paulistana, porém, lamentou as galerias fechadas. “Vamos voltar quando estiverem todas abertas”, afirmou.

João Paulo disse que o fato de ser um museu ao ar livre e extenso também passa mais segurança. “Andamos muito tempo sem encontrar ninguém”, pontuou. Outro casal, este de Betim, na Grande Belo Horizonte, também aproveitou a sexta para visitar o museu. Larissa Germano, de 21 anos, auxiliar de marketing, que estava no Inhotim pela segunda vez, disse não ter notado diferença da visita anterior. “Só mesmo o uso do álcool em gel e máscara”, explicou. “A chuva atrapalhou um pouco, mas foi tranquilo”, disse Luiz Fernando Dias, de 22 anos, autônomo, namorado de Larissa.

A administração do Inhotim afirma que já há dias de novembro e dezembro com 50% de ingressos vendidos. O diretor-presidente do Instituto Inhotim, Antonio Grassi, avalia de forma positiva a reabertura do instituto. “Ficamos muito satisfeitos com o primeiro final de semana de reabertura e percebemos o quanto as pessoas estavam precisando de um ambiente como o do Inhotim neste momento de reclusão e distanciamento social. É muito bom voltar a proporcionar às pessoas o contato com a arte, a botânica, a natureza.”

Grassi afirma que os visitantes vêm cumprindo as normas de segurança. “Percebemos, mesmo com as máscaras, os visitantes com expressões de alívio e contemplação, com sensação de liberdade. Também nos chamou a atenção positivamente o fato de os visitantes seguirem as novas regras de proteção sanitária, um cuidado com eles mesmos e com os outros.”

O diretor-presidente disse que o instituto optou por um retorno com menos público para oferecer mais segurança para os visitantes. “Nós optamos por uma reabertura mais conservadora (10% da capacidade de público habitual) exatamente porque, para nós, mais importante do que a quantidade de público, é a segurança e o conforto que as pessoas terão nos nossos espaços. Continuaremos observando e reforçando as regras do protocolo de saúde implantado, para que todos se sintam seguros no Inhotim. Mas continuaremos também com nossa agenda de atrações online, para quem preferir deixar a visita presencial para outro momento.”

Segundo Grassi, uma nova atração no museu ficará pronta no ano que vem. “A próxima inauguração do Inhotim está prevista para o segundo semestre de 2021, que é o pavilhão dedicado à artista Yayoi Kusama.”

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