Nathalia Molina
Nathalia Molina

Intercâmbio em Montreal: aprendendo francês e gastronomia

Descobrir os sabores da cidade é uma das tarefas mais deliciosas de um estudante. Além de ser boa oportunidade para treinar o idioma

Nathalia Molina, Especial para O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2017 | 05h00

Sempre vi o intercâmbio como uma viagem para aprender línguas. Estava errada. Logo nos preparativos, essa experiência no Canadá se revelou diferente. Havia o francês, que eu não sabia, e a acomodação em casa de família, também uma novidade para mim. Pensei que seriam meus maiores desafios durante o curso em Montreal. Novamente, engano meu.

Intercâmbio não é uma viagem qualquer. É uma experiência transformadora, que fala muito sobre nós mesmos, ainda que seja por apenas duas semanas, como foi meu curso de francês. Acostumada a planejar os próprios roteiros, me deparei com uma nova situação – estar no controle não é bem parte da vida de um aluno. Era hora de me manter aberta e aprender.

Aos 46 anos, represento um público que vem se tornando tendência nas agências que mandam alunos para cursos no exterior. Seria difícil para mim? Em duas semanas, quanto aprenderia de francês? 

Montreal já era uma conhecida de longa data, e mesclar o aprendizado do idioma com gastronomia me pareceu a combinação perfeita na cidade. 

Cidade apetitosa. Não é só nas vielas de pedra da Vieux-Montréal, a parte antiga, que o ar europeu marca a cidade. O ato de degustar está na cultura do montréalais. Seja comprando produtos frescos em mercados públicos (Marché Jean-Talon e Marché Atwater entre os principais), ou provando o legítimo xarope de bordo. Quebec responde por cerca de 90% da produção nacional. No dia a dia, comer bem é fácil: dos famosos bagels de Montreal – especialmente os produzidos pela Fairmount Bagel Bakery desde 1919 e os fabricados pela St-Viateur desde 1957 – à alta gastronomia.

Em 2017, o chef Claude Guérin, do Maison Boulud, foi eleito o melhor pâtissier do país pela revista Canada’s Best 100 Restaurants. O chá da tarde do Ritz-Carlton Montreal é tradição desde a inauguração, em 1912, e inclui canapés e muita confeitaria (ah, mil folhas!).

No ranking dos cinco melhores restaurantes do Canadá, de acordo com a mesma revista, há três representantes de Montreal. A MTL à Table, a restaurant week local, é realizada em novembro; consegui conferir um dos menus da sexta edição. Fui fisgada pelas vieiras na entrada do Le Champagnerie.

Toda essa fartura na cidade fez a revista de luxo Town & Country apontar Montreal, em 2017, como a Capital Gastronômica da América do Norte. Pois bem, o que mais poderia ser harmonizado com meu intercâmbio de francês do que atividades relacionadas à gastronomia?

Não sei cozinhar, mas gosto de comer. Me agarrei a essa premissa para me aventurar a fazer profiteroles e éclairs com Jessica McGovern, na sua escola de culinária The Lincoln Apartment Bakery. Com igual espírito, experimentei o que me foi apresentado no tour gastronômico no centro antigo. 

Acomodação. Quem fica em casa de família passa suas preferências e necessidades (alergias a alimentos ou a pelos de animais domésticos, por exemplo) para a agência ou a escola. Mas a escolha da casa é feita por eles. A EC Montreal, onde estudei, prefere manter esse controle, decidindo quem recebe quem. Há uma coordenadora para isso.

Eu soube da família que me receberia dias antes de embarcar. Pela descrição, gostei da escolha, mas tivemos problem ao vivo. Sim, nem sempre a interação com a família funciona no intercâmbio – no meu caso, a escola agiu rapidamente e logo eu estava em outra residência.

O suporte da escola e a tranquilidade dos professores, aliás, me deixaram muito à vontade para arriscar. Nem me dei conta de que a turma era formada, em sua maioria, por alunos jovens, entre 20 e 30 anos. Não fez diferença. Já o curso de francês mudou até a maneira de me relacionar com Montreal.

Falar inglês resolve tranquilamente a viagem. Eu nunca tinha me preocupado, então, em me esforçar tanto para entender as pessoas em francês. Com o curso, me encontrei com a cidade de uma nova (e mais bonita) forma. Foi o ponto alto: estar fora do comando e poder se sentir de novo aprendendo. 

ANTES DE IR

1. Qual idioma?

Brasileiros escolhem Toronto e Vancouver para estudar inglês. Quem vai para Montreal pode fazer cursos de inglês ou francês, ou ambos no mesmo programa.

2. Duração do curso

Há intercâmbio até de uma semana. Mas o indicado é no mínimo um mês para ter tempo de se adaptar, aproveitar o curso e curtir a cidade. 

3. Carga horária do curso

Há opções de 13 a 40 horas semanais de aulas. Lembre-se de deixar tempo disponível para vivenciar a cidade e colocar em prática o que aprendeu na aula. 

4. Estudo e trabalho

Quem faz cursos de idioma não pode trabalhar enquanto estuda no Canadá. Programas em college e universidade dão direito a uma carga horária semanal de trabalho. 

 

5. Tipos de acomodação

Além de casa de família, há dormitório estudantil e albergue. Se você alugar um apartamento, não terá a convivência com um nativo da língua, mas terá mais liberdade para definir sua rotina. É questão de escolha.

*VIAGEM A CONVITE DA EXPERIMENTO INTERCÂMBIO CULTURAL, DA EC MONTREAL E DA AIR CANADA.

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Nathalia Molina, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2017 | 04h20

A hospedagem em casa de família não costuma ser pertinho da escola. Ou seja, geralmente não dá para ir a pé até o curso. No dia da apresentação da EC Montreal, eles já informaram que o tempo de viagem da casa até a escola, para quem fica em homestay, é sempre inferior a uma hora.

Seja como for, a melhor maneira de se locomover em Montreal é de bicicleta ou de transporte público. Afinal, a cidade tem em torno de 500 quilômetros de ciclovias. Com 540 estações de bikes na cidade e em municípios vizinhos, o sistema de aluguel de bicicleta Bixi (montreal.bixi.com) funciona de 15 de abril a 15 de novembro. O passe de um dia custa 5 dólares canadenses (R$ 13), para viagens ilimitadas de meia hora de duração (períodos mais longos têm custo adicional).

Se você preferir usar o transporte público, combinado ou não com um trecho de bicicleta para chegar até onde está hospedado, o indicado é comprar o passe semanal ou mensal da Société de Transport de Montréal (STM), que administra metrô e ônibus em Montreal. Em ambos os casos, o uso dá direito a andar de ônibus e de metrô o quanto quiser.

Para usar os passes, o visitante tem de comprar o cartão Opus, ao preço de 6 dólares canadenses ou R$ 16 (não há devolução desse valor no fim da viagem). Depois, pode recarregá-lo quantas vezes precisar. O passe semanal custa 25,75 dólares canadenses (R$ 72), e o mensal sai a 83 dólares canadenses (R$ 215). Compra e recarga podem ser feitas nas máquinas localizadas perto do guichê nas estações de metrô e podem ser pagas em dinheiro, cartão de débito ou de crédito. Com instruções em inglês e em francês, as operações são muito simples de serem realizadas. 

É a melhor maneira de se sentir parte da cidade. A pé, de bicicleta ou nos ônibus e metrôs, a gente se sente um pouco parte do lugar, vive uma rotina e percebe aspectos que, em uma visita turística tradicional, talvez passassem batidos. Mais um aprendizado para colocar na conta.

NÃO PERCA NA VIAGEM

1. Mont Royal  

O monte que batiza a cidade é seu ponto mais alto, com 234 metros, e nenhuma construção pode ultrapassar sua altura. Do mirante, a vista se estende do parque abaixo até o skyline de Downtown. Desenhado por Frederick Law Olmsted, mesmo arquiteto que projetou o Central Park, em Nova York, o Parc du Mont-Royal é movimentado por festivais no calor e vira playground na neve do inverno.

2. Centro velho e porto

Chamada de Vieux-Montréal, a parte antiga tem as mais charmosas ruas, com calçamento de pedra, butiques, cafés e restaurantes. Percorra a bonita Rue Saint-Paul para ver galerias de arte. Perto da Praça Jacques-Cartier, em formato de rampa, há lojas de souvenir. Do Vieux-Port, saem passeios de barco, de maio a outubro. A novidade no porto é a roda-gigante. Com cabines fechadas, funciona o ano todo. 

3. Notre-Dame

Do lado de fora, a arquitetura gótica rende boas fotos. Por dentro, você vai se encantar com o altar pintado em azul. Em 2017, o espetáculo de luz e som ganhou nova versão, criado pela Moment Factory, empresa multimídia de Montreal responsável também por Living Connections, nova iluminação da Pont Jacques-Cartier para celebrar os 375 anos da cidade. 

4. Museus

Arte moderna ou contemporânea (no Musée des Beaux-Arts e no Musée d’Art Contemporain - MAC) e a história antiga ou atual da cidade (no Pointe-à-Callière e no Musée McCord) estão nos acervos dos principais museus. Até 9 de abril, a vida e a obra de Leonard Cohen estão esmiuçadas numa excelente exposição no MAC.

5. Rue Sainte-Cathérine

É a rua mais agitada da cidade. No miolinho de Downtown, até a Rue Saint-Urbain, concentra muitas marcas (entre elas, Forever 21, H&M, Best Buy e Apple), além de lojas de departamento canadenses (como Simons e La Baie), grandes farmácias (entre elas, Jean Coutu e Pharmaprix) e shoppings (Eaton e Complexe Desjardins). No trecho leste, entre as estações de metrô Berri-UQAM e Papineau, encontra-se Le Village, o bairro gay de Montreal.

6. Réso

Inevitavelmente você vai se perder, e talvez essa seja a graça de andar pela cidade subterrânea de Montreal. Inaugurada em 1962, conecta estações de metrô, shoppings e edifícios de escritórios. Dá para ir da Place des Arts ao Centre Bell ou do Eaton à Place Victoria, sem sentir os tantos graus negativos do inverno local. Chamado em inglês de Underground City, cobre uma área de cerca de quatro quilômetros quadrados, por onde passam em torno de 500 mil pessoas por dia.

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Nathalia Molina, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2017 | 04h20

De Paris, de Lyon; do Marrocos, do Haiti; de Quebec, de Montreal. Em duas semanas, meus ouvidos tiveram de se esforçar para tentar entender os professores da EC Montreal em muitos sotaques da língua francesa. Com um pequeno detalhe: eu não falo francês. E não é que deu certo? Aprendi bastante em pouquíssimo tempo.

Depois de oito aulas, saí do zero para um estágio qualquer iniciante. Meu interesse natural por estudar línguas ajudou a acelerar o aprendizado. Mas o que deu aquele empurrão necessário foi mesmo me jogar nas aulas, sem ter vergonha de falar e escrever, ainda que errando muito. 

O primeiro dia de aula serve para a apresentação da escola. É o momento também da prova de nivelamento para saber em que etapa da aprendizagem o estudante está. Segui a recomendação da diretora de Estudo, Ana Arroyo: “Não se preocupem e escrevam o máximo que puderem para conseguirmos ver o que vocês de fato sabem”.

Continuei assim durante as duas semanas de curso. Eu estudava apenas pela manhã. Tentava entender o que lia pelas ruas e procurava usar frases simples para me comunicar em lojas e cafés.

Extras. Com origem em Malta, a EC tem unidades em cerca de 25 cidades, majoritariamente para o ensino de inglês. 

Estudei com gente de todas as faixas etárias, o que não foi um problema, pelo contrário: proporcionou a troca de experiências entre pessoas, não só de diferentes origens, mas também vivências.

Com a intenção de promover a integração entre os estudantes e a prática do idioma, a escola organiza saídas em grupo (enquanto estive lá, houve para visitar o cassino da cidade e para patinar no gelo). Nesses casos, não se paga para participar – os alunos são informados de quanto se gasta no programa, e cada um cuida das suas despesas. Cidades próximas (entre elas, Quebec e Toronto) ou pontos turísticos como as Cataratas do Niagara estão no roteiro de excursões de fim de semana; todas pagas à parte.

A programação semanal inclui também atividades extras gratuitas feitas dentro da escola. Às quartas, algo mais social, como a hora do chocolate quente ou uma sessão de ioga. Sexta é dia de workshop, para treinar aspectos da língua – fui no de pronúncia. É interessante, especialmente para errar e ser corrigido. Era o que eu mais fazia durante as aulas regulares mesmo. 

Durante os intervalos, português e espanhol dominam os corredores e o espaço para lanche, embora os avisos informem que na escola apenas inglês e francês devem ser usados. Acaba sendo inevitável para um lugar muito frequentado por brasileiros, venezuelanos e mexicanos. 

Mas o que me surpreendeu mesmo foi encontrar vários suíços entre as 26 nacionalidades que passaram pela escola em novembro. Por que sair da Europa, de um país onde a língua francesa está entre os idiomas oficiais, para estudá-la na América do Norte? 

“Para aproveitar para viajar também”, justificou um suíço. Simples assim. Afinal, intercâmbio não é só estudar uma língua, tampouco se limita a visitar um lugar. 

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O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2017 | 04h20

O primeiro tem quarto com cama e aquecimento ruins, mas oferece uma boa ducha e fica colado ao metrô. No outro, você dorme quentinho e confortável, já o chuveiro sai pouca água e a distância até a estação é maior. Conhece esse cenário? Pois é, quem viaja frequentemente se depara com situações assim na hospedagem. E não é diferente para quem fica em casa família (ou homestay, como gostam de dizer as agências). A realidade é que perfeito não existe.

Saí do Brasil com isso em mente, especialmente depois de conversar com a equipe da Experimento Intercâmbio na reunião em que recebi informações sobre o curso em Montreal. “É o viajante que se adapta à família, não o contrário” – levei essa recomendação como um mantra.

Cheguei a Montreal empolgada com a ideia de viver duas semanas no mundo de outras pessoas, ao modo delas. Mesmo diante da surpresa da anfitriã ao saber que eu não era vegetariana, levei na boa e comi os pratos servidos. Busquei me adaptar às tantas regras e ao estilo controlador da dona da casa. Aceitei até a anfitriã passar um creme caseiro no meu rosto, mesmo depois de eu agradecer e explicar que sou muito alérgica (como imaginei, tive de tomar umas doses de anti-histamínico depois).

A única coisa que realmente estava difícil de conviver era com o frio à noite. Eu mal dormia. Como no primeiro dia ela havia me dito algo em francês que usava as palavras “si vous”, “froid” e “demandez”, acompanhadas de uma mímica em que se encolhia, perguntei se ela poderia subir o aquecimento porque eu estava sentindo frio. Ela se irritou, disse que eu já havia perguntado isso e começou a gritar comigo.

Acredito que não se negocia com quem grita. Arrumei minhas malas, tentei dormir naquela legítima noite de terror no Halloween (era 31 de outubro, veja só) e, no dia seguinte, pedi à escola para me trocar de casa. A EC Montreal me deu todo o suporte e foi muito rápida para achar uma nova anfitriã. Ufa.

Problemas de adaptação podem acontecer – e, nesse caso, acione a escola sem constrangimento, como eu fiz. A paulistana Thais Diniz deu sorte: adorou a família que a recebeu. “Por eles, valia até pegar um ônibus e o metrô para chegar à escola”, conta. “Foram muito gentis. Estou sofrendo de deixar o curso e dizer tchau.”

Só tive essa experiência de me sentir acolhida e relaxada alguns dias depois de ter me mudado para a casa de Cynthia Morris. Não por ela, que fez de tudo para eu me sentir bem. Mas por mim, que estava tensa. Quando perguntei a ela se estava indo tudo bem e pedi que me avisasse se eu fizesse algo errado, me tranquilizou. “Se eu pudesse, diria para a escola: ‘me manda só estudantes como a Nathalia’. Você é ótima.” A partir dali, voltei a aproveitar o homestay.

Cynthia é uma mulher muito interessante. Natural de Detroit, foi morar na província francesa do Canadá porque se casou com um québécois. Formada em Artes Plásticas, passou a dar aula de inglês para imigrantes. Teve três filhas, se separou e decidiu seguir vivendo em Montreal. Para ajudar a pagar sua casa, começou a receber alunos em intercâmbio. “Hoje não preciso mais. Recebo estudantes porque gosto de conviver com pessoas de outros países.” 

Cynthia acabou indo estudar espanhol na faculdade e uma das filhas, Rachel, se encantou pelo Brasil. Ela aprendeu a falar português e a jogar capoeira e chegou a morar em Salvador. Depois, as duas fizeram um mochilão pela América do Sul.

Aos 66 anos, Cynthia é muito ativa. Pedala sua bike, cultiva sua horta e cozinha suas refeições. Com tanta bagagem, as conversas com ela eram tão deliciosas quanto os pratos que preparava. Mas imbatível em sabor e simbologia foi seu bolo de abóbora, que desmanchou o que poderia ter sobrado daquela noite de Halloween.

CAINDO NA ROTINA

1. Chaves

O estudante em homestay recebe a chave da porta de entrada. É importante entender o funcionamento da porta – o modo de trancar pode variar. Nem sempre há chaves no quarto. Não havia na primeira casa em que fiquei, mas na segunda, sim.

 

2. Quarto do estudante

O quarto costuma ser individual e ter uma cama, uma cadeira e lugares para o estudante acomodar suas roupas e seu material de estudo – na primeira casa, havia uma prateleira estreita; na outra, uma escrivaninha. O tamanho também varia: meu homestay começou em um quarto pequeno diante da cozinha e terminou, na outra casa, em um cômodo amplo no segundo andar.

 

3. Café da manhã

Se todos os integrantes da família estudam ou trabalham, pode ser raro encontrá-los no café da manhã. Mas, no dia da sua chegada, você deve ser apresentado às áreas da cozinha (para localizar pó de café, açúcar, pão, manteiga, talheres e pratos) e aos utensílios, como cafeteira e torradeira. Aproveite para perguntar em que parte da geladeira pode deixar os produtos extras que você comprar.

 

4. Jantar em família

Em Montreal, janta-se cedo, por volta das 18 horas. Se você não for voltar para comer nesse horário, é de bom tom avisar à família. Você pode negociar para que seu prato seja deixado dentro do microondas, por exemplo.

 

5. Banheiro

As casas antigas de Montreal têm apenas um banheiro. Converse com a família para saber o horário em que os integrantes tomam banho para se encaixar sem atrapalhar o dia a dia.

 

6. Lavanderia

Cada casa tem um sistema. Você tanto pode ter de deixar suas peças para serem lavadas junto com a roupa dos outros membros da família, quanto pode ter acesso à máquina de lavar. Normalmente, você terá de comprar seu próprio sabão. 

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Nathalia Molina, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2017 | 04h20

A atmosfera retrô da The Lincoln Apartment Bakery, escola de culinária em Montreal, e a simpatia de Jessica McGovern me fizeram esquecer por alguns minutos que eu não entendia nada de fazer pães. “Não precisa ser perfeito, só tem de ser gostoso”, diz durante as aulas, tão descomplicadas que você se sente como se estivesse em casa. Terminei a primeira noite degustando focaccia e pão rústico. Na segunda aula, fiz éclaires e profiteroles.

Confeiteira e atriz, a irlandesa está à frente do programa Flour Power, exibido no Canadá na TV a cabo. Na tela e na sua escola, Jessica pretende mostrar como a cozinha pode ser encarada sem mistérios. Fiquei muito à vontade. Ri, tomei chá, comi coisas gostosas, pratiquei inglês e aprendi um pouquinho de francês (ela é bilíngue). É uma aula com as mãos na massa.

É exatamente esse o espírito das atividades realizadas na parte de gastronomia combinada ao intercâmbio de francês. Não há necessariamente um contorno gourmet, como se poderia supor. A intenção é que o aluno vivencie a culinária junto com o idioma estudado (a escola oferece essa combinação também para quem faz inglês). O estudante usa uma das duas línguas locais para se comunicar enquanto experimenta a mais notória vocação de Montreal: a boa mesa.

Visita gastronômica. A escola recomenda que o estudante faça ao menos um tour temático. Optei pela visita guiada a pé pela Vieux-Montréal, o bairro antigo de Montreal. Com partida em frente à Notre-Dame, linda basílica neogótica do início do século 19, o roteiro da Viator Food Tours para em cinco pontos para degustação.

A comilança começou num café português, com minipastéis de nata, e terminou cercada por xarope de bordo (sirop d’érable, em francês, ou maple, em inglês). Da Cantinho de Lisboa Épicerie até a Délices Érable & Cie, passamos no Marché La Villette (para canapés com patês de carne de porco e de boi), na Maison Christian Faure (para macarons) e no Brisket Montréal (para o típico sanduíche de carne defumada, fatiada à mão).

É importante que o aluno aponte suas áreas de interesse antes da viagem, ressalta Elisa Gazzola, diretora da escola de idioma. “Como as aulas de culinária têm espaço limitado e fazem parte da programação dos nossos parceiros, não podemos garantir que uma determinada escola terá vaga. Mas, se o estudante indicar suas preferências, podemos encontrar classes dentro daquele tema”, afirma.

Quando a Experimento Intercâmbio planejava minha viagem, me perguntaram se eu gostaria de fazer aulas de algum assunto. Escolhi patissêrie, por ter curiosidade e atração gustativa pela área. Na lista de parceiros da escola há várias empresas, entre eles a Confiserie CandyLabs, que fazia meus olhinhos brilharem quando criança com suas balas feitas à mão, com desenhos coloridos dentro. 

SAIBA MAIS

Aéreo: SP-Montreal-SP, com conexão em Toronto, custa a partir de US$ 500 na Air Canada

 

Pacotes: na Experimento Intercâmbio, o curso de francês de duas semanas custa R$ 3.444,94 – quatro saem a R$ 5.989,04. Na modalidade combinada com gastronomia, como o que fizemos, sai a R$ 5.080,54 para duas semanas e R$ 9.233,84 para quatro. Os preços incluem 20 aulas de francês por semana, acomodação em casa de família em quarto individual (com café da manhã e jantar), material e taxas.

Na STB, duas semanas a partir de 990 dólares canadenses (cerca de R$ 2.500), mais R$ 387 de taxa. Dá direito a homestay (sem refeições) e a 13 aulas por semana.  

O curso da Intercâmbio Global custa 1.030 dólares canadenses (cerca de R$ 2.700) por duas semanas, com acomodação em casa de família e dez aulas por semana.  

Na Yázigi Travel, o curso de duas semanas tem 20 aulas semanais e acomodação em casa de família (com café da manhã e jantar), a US$ 1.036,78, com material e taxas – valor promocional até 30 de dezembro.

Com taxa de matrícula, material e homestay em quarto individual, com café e jantar, paga-se 1.013 dólares canadenses (cerca de R$ 2.600) na CI.

Na Global Study, quatro semanas de curso com 17 aulas por semana de francês, custam R$ 6.366,60, com acomodação, matrícula e material. 

 

Sites: mtl.org (Montreal) e bit.ly/via-canada (Canadá). 

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