Dustin Chambers/NYT
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Invasão zumbi (e turística) na pacata Senoia

Frank Hollberg III, cuja família vende móveis em Senoia, Geórgia, desde 1894, ri ao lembrar da visão de um homem correndo pelo centro da cidade com uma cabeça nas mãos. A cabeça era falsa e o homem, ator de The Walking Dead - televisionada no Brasil pela Fox, o último episódio da terceira temporada da série foi ao ar na semana passada. Para os pouco familiarizados com a história, o policial Rick (Andrew Lincoln) acorda do coma em um mundo recém-dominado por zumbis. Na terceira temporada, ele e outros sobreviventes descobrem uma cidade murada, comandada pelo Governador (David Morrissey), que resiste em meio ao caos: Woodbury. Ou Senoia, na vida real.

SENOIA, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 02h15

Localizada a 40 quilômetros de Atlanta, a pequena cidade de pouco mais de 3 mil habitantes viu sua rotina se transformar em razão da série: em 2012, 30 mil pessoas visitaram Senoia (lê-se Senói), entre turistas e pessoas relacionadas às gravações. Para filmar as cenas de Woodbury, a rua principal foi fechada, algumas lojas repaginaram suas fachadas e até a grama deixou de ser cortada para dar um ar apocalíptico ao local. Foram criados edifícios cenográficos - que, de tão perfeitos, enganaram até mesmo os moradores.

O sucesso de audiência de The Walking Dead (só nos Estados Unidos, 12 milhões de pessoas assistiram ao último episódio da temporada) se refletiu também no crescimento dos negócios da cidade. Em 2006, Senoia, essencialmente rural, tinha apenas sete lojas - hoje são 49, incluindo um sushi bar, um pub e uma loja de antiguidades. "Tivemos uma série de mudanças por aqui", conta Hollberg.

Senoia, afinal, soube aproveitar os benefícios fiscais do Estado da Georgia para atrair produtoras de filmes. A cidade não cobra pelas locações, mas lucra com a movimentação: foram arrecadados US$ 879 milhões em 2012, contra US$ 260 milhões em 2008.

Apesar do boom trazido pelos zumbis, The Walking Dead não foi a primeira locação de Senoia. A série Drop Dead Diva (aqui exibida pelo canal Sony) e clássicos como Conduzindo Miss Daisy (1989) e Tomates Verdes Fritos (1991) também foram filmados ali.

Lembrancinhas. Com todo esse "know-how", o ar hollywoodiano tomou conta das ruas de Senoia. A cidade ganhou uma versão própria da Calçada da Fama, com plaquinhas que indicam quais filmes (ou seriados) foram gravados em vários pontos da cidade.

E não faltam lembrancinhas para trazer para casa: os zumbis estão em uma marca de café local, em outra de vinho e até em um sabonete que se diz próprio para lavar o sangue dos mortos-vivos depois da batalha. Isso sem falar nos famigerados bonés, camisetas e canecas temáticas. No fim do ano, um hotel-butique deve ser inaugurado.

Os comerciantes comemoram. "Quando suas vendas crescem 40% em comparação ao mês anterior, só pode ser um bom sinal", diz um dos lojistas da cidade, Jim Preece, que recebeu clientes não apenas dos Estados Unidos, mas também da Europa, Ásia e Caribe.

No que depender dos zumbis, Senoia continuará atraindo cada vez mais fãs. A quarta temporada de The Walking Dead já foi confirmada pelo AMC, o canal a cabo responsável por produzir a série nos Estados Unidos. Quando as filmagens recomeçarem, em maio, Scott Tigchelaar, presidente da Raleigh Studios Atlanta (que serve como base para a produção do seriado na cidade), deve colocar um novo projeto em prática. Um bondinho levará os turistas até os points de gravação não apenas da série, mas de outros filmes que deram à cidade a vocação para Hollywood.

Enquanto a empresa de Tigchelaar não decola, os fãs da série podem se valer das dicas do site Walking Dead Locations (walkingdeadlocations.com) e fazer seu próprio itinerário. Criada por Brian Holland, morador de Columbus, também na Geórgia, a página conta com a colaboração de outros fãs da série para desvendar onde foram gravadas cenas das três temporadas - não apenas em Senoia, mas em outras partes do Estado. / COM REUTERS E THE NEW YORK TIMES

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