Bruna Tiussu/AE
Bruna Tiussu/AE

Isolada entre lagos e os Alpes, toda a imponência de uma gigantesca obra de arte

Do palácio em que vivia com os pais, Ludwig II conseguia avistar aquele pedaço de terra onde, mais tarde, ergueria o Neuschwanstein. Cercado por lagos, isolado pelos grandes Alpes da Baviera e distante da movimentação de Munique, o topo daquela montanha lhe pareceu o local ideal. O castelo com o qual sonhava, afinal, deveria refletir sua personalidade tão reservada.

Bruna Tiussu, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2011 | 06h00

O imponente edifício (construído de 1869 a 1884, embora sem todos os detalhes finalizados) tem mesmo a cara do seu idealizador. Ao menos em alguns aspectos. Seu interior é frio e com a atmosfera depressiva, graças a poucas luzes e decoração singela - a grande diferença dele para o Linderhof. Por outro lado, a arquitetura que mescla traços românticos, góticos e bizantinos o transformaram em uma obra de arte em tamanho gigante. Que encanta e hipnotiza o olhar.

Como era impossível contrariar a vontade do rei, bastou ele morrer, em 1886, para o castelo deixar de ser um refúgio isolado. Sete semanas após sua morte, o Neuschwanstein foi aberto ao público. Mais tarde, serviu de inspiração para Walt Disney criar o seu Castelo da Cinderela. E, até os dias de hoje, é destino da maioria dos turistas que passa pela Baviera: recebe 1,5 milhão de visitantes por ano.

Nos detalhes

A paixão pela música de Wagner - há quem diga que o sentimento se estendia também ao próprio compositor - era explícita na decoração do castelo. Muitos dos objetos, painéis e quadros têm referência nas óperas ou nas lendas medievais que Wagner usou como inspiração para criar suas músicas.

O maior ambiente do palácio, a sala dos cantores - que Ludwig não teve tempo de estrear -, é a que melhor representa esta devoção. Devidamente aparelhada com palco e cadeiras, exibe desenhos do cavaleiro medieval Percival, que inspirou o compositor na obra homônima.

Imagens bíblicas ilustram a sala do trono, pintada em azul (a cor preferida de Ludwig) e dourado. O lustre que leva pedras preciosas iluminaria o trono, se ele existisse. Mas as extravagâncias do monarca dilapidaram os cofres reais e não houve dinheiro suficiente para comprar a peça.

A suíte que seria reservada para o rei fica no terceiro andar. Quase toda azul, tem as paredes decoradas com cenas da romântica história de Tristão e Isolda, também contada em ópera por Wagner. Sempre à frente do seu tempo, o rei investiu em tecnologias e garantiu confortos raros para a época. Além da calefação central e da magic table, já conhecidas do Castelo de Linderhof, até hoje é possível conferir em todos os andares o sistema de água corrente - a cozinha com opção fria e quente. Alguns cômodos contavam com eletricidade e linha telefônica, e o banheiro era dotado de sistema de descarga automático.

De longe

Antes ou depois da visita, todo turista para na Marienbrücke (a 10 minutos do castelo). Também obra de Ludwig, é desta ponte que você vai clicar as melhores fotos do castelo.

A arquitetura externa, cada uma das torres e suas incontáveis janelas são vistas em detalhes. Ao fundo, os lagos, a imensidão verde e as casinhas de Schwangau compõem o quadro fantástico. É como se Ludwig II, apesar de tudo, desejasse que o mundo todo viesse conferir o cenário dos seus sonhos.

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