Istambul revela uma Europa de mesquitas e palácios

Impossível não se render a essas três atrações num mesmo dia: Santa Sofia, Mesquita Azul e Palácio Topkapi

Natália Zonta, O Estado de S.Paulo

10 Março 2009 | 01h49

A névoa dilui os minaretes na silhueta de Istambul, escondendo a maior cidade turca dos olhares curiosos de quem navega pelo Estreito de Bósforo. Ásia de um lado, Europa do outro. Mas uma Europa de mistérios, mesquitas e palácios de antigos sultões, que parece suspensa no tempo quando o canto dos muezins convoca para as orações. Dividida, também, entre reviravoltas históricas e um presente cheio de perspectivas.

 

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Os novos sonhos da Istambul de 1.400 anos acompanham os turistas. São eles que movem a rotina do Sultanahmet, região mais visitada da cidade. Separadas por uma praça, a Santa Sofia e a Mesquita Azul rivalizam na beleza. Alguns passos mais e eis o Palácio Topkapi.

Impossível não se render a essas três atrações num mesmo dia. Não que isso seja recomendável - cada uma merece longas horas. Dito isso, comece pelo local com a menor fila.

O Palácio Topkapi costuma ser a melhor escolha. Além de seus jardins e suas paredes forradas de um dourado legítimo, estão lá os tesouros do Império Otomano. Tenha em mente que o local era a residência do sultão na então capital de seu império, Constantinopla. Isso explica a exuberância.

O complexo foi erguido por Mehmet II (1432-1481) no século 15 e ganhou anexos ao longo de quase três séculos de uso, quando a corte mudou para o Palácio Dolmabahçe, às margens do Bósforo. Hoje tudo está organizado. As salas que guardam as joias são as mais procuradas.

No mesmo espaço, em uma área reservada, está o harém. Para entrar ali paga-se 10 liras turcas a mais, valor justo diante de belezas como salas de banhos e ambientes forrados por azulejos ricos em detalhes, que serviram de lar para as mais de mil mulheres do sultão.

O caminho até Santa Sofia (igreja convertida em mesquita e depois transformada em museu) é curto, mas com obstáculos. Vendedores e guias turísticos seguem os visitantes por alguns quarteirões. Mas é somente na barraquinha de suco de romã que a parada parece inevitável. O atendente espreme a fruta como se fosse laranja. Uma bebida refrescante e exótica.

A voz do muezim, pelo alto-falante, lembra a hora da oração, ritual cumprido cinco vezes ao dia. Convém evitar o chamado - não-muçulmanos são proibidos de entrar na Mesquita Azul durante a reza - e seguir para o Museu Santa Sofia.

Seus quatro minaretes quase escondem a origem como basílica cristã, sua função por 900 anos. Também no interior as marcas bizantinas foram apagadas. Cobertos de branco por ordem do sultão Mehmet II, os mosaicos foram revelados em 1993, em uma missão da Unesco.

Mulheres enroladas com lenços descem as escadas da Mesquita Azul. Indicação de que, em poucos instantes, os não-muçulmanos poderão entrar. A fila é grande, de pessoas e sapatos (é preciso entrar descalço e as mulheres têm de cobrir a cabeça). O primeiro passo revela um tapete com tramas e desenhos contínuos. Candelabros gigantes, uma abóbada enorme. Tudo à sua disposição até o próximo chamado do muezim.

Topkapi: Babihümayun Caddesi, s/n.º. Ingressos: 10 liras turcas (R$ 14).

Santa Sofia: entrada a 20 liras turcas (R$ 28)

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