Viviane Jorge/Estadão
A Serra do Espírito Santo como cenário para os competidores do Bota pra Correr, realizado em julho Viviane Jorge/Estadão

Jalapão: para conhecer correndo ou com muita calma

Participamos de uma corrida que teve como cenário as paisagens repletas de cachoeiras e piscinas naturais do Parque Estadual

Viviane Jorge, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 05h00

Correr 10 quilômetros? Se você estiver treinado e se for no asfalto liso, tranquilo. Na esteira, com ar condicionado, fica ainda mais fácil. Mas e se essa corrida for realizada em um cenário inóspito e de natureza selvagem no coração do Brasil? Esse foi o desafio que me propus a encarar para o Viagem: participar de uma corrida para atletas amadores em pleno Jalapão, no Tocantins. Uma oportunidade de unir duas paixões: viajar e correr. 

De acordo com o estudo State of Running, realizado pelo site RunRepeat.com, em parceria com a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), nos últimos dez anos, houve um aumento de 57% nas corridas no mundo inteiro (embora nos últimos dois anos esse número tenha caído nos Estados Unidos e na Europa). O estudo englobou mais de 107 milhões de resultados de corridas obtidos em 70 mil eventos entre 1986 e 2018. 

Observou-se também que a participação de mulheres nunca foi tão grande: em 2018, elas ultrapassaram o número de homens corredores e correspondem 50,24% dos competidores. A idade média dos corredores também aumentou: de 35 anos em 1986, saltou para 39 no ano passado. 

E, por fim, constatou-se que viajar para correr é uma tendência global. Foram monitoradas apenas viagens internacionais realizadas no mundo inteiro: houve um salto de 0,2% para 3,5% nas viagens para maratonas e de 0,2% para 1,4% nas viagens para corridas de 10k. 

No Brasil, há diversas agências especializadas em organizar viagens variadas para corredores (embora você também possa se inscrever por conta própria na maioria das provas). Isso inclui as corridas na Disneyworld, em Orlando, para a Patagônia argentina ou para maratonas de grandes cidades como Paris, Barcelona ou Berlim.

Mas também há opções no Brasil. A prova do Jalapão foi minha primeira fora das ruas de São Paulo desde que decidi, há dois anos, colocar a corrida na minha rotina. Já havia participado de outras mais longas, de 16 quilômetros, mas nada tão desafiador - afinal, o solo e o clima interferem na performance do corredor. 

A viagem em si foi uma verdadeira maratona: apenas quatro dias para explorar as belezas da região e correr pelas paisagens de solo vermelho e horizonte verde que encantam os viajantes. Ainda assim, deu para conhecer alguns dos principais atrativos do destino - e voltar para casa com as energias renovadas depois de flutuar nos fervedouros, boiar em piscinas naturais e ser massageada por cachoeiras. Não gosta de correr? Tudo bem: você também pode percorrer esses lugares sem nenhuma pressa.

VIAJAR E CORRER

Bota pra Correr

Organizado pela Olympikus, o evento tem o objetivo de levar atletas amadores para participar de corridas em pontos turísticos do Brasil. Os participantes podem escolher entre os circuitos de 10 km ou 21 km. A próxima etapa, no Pantatal, será em 28 de setembro. A largada e a partida serão na APA da Baía Negra, em Ladário, vizinha a Corumbá (MS). As inscrições estão abertas e custam R$ 250, com kit corredor (inclui copo de silicone dobrável, viseira e camiseta) e transfer para o ponto de largada a partir do Porto de Corumbá. Em 16 de novembro, a corrida será em Alter do Chão (PA). 

Running Tour 

A Rio Running Tour é uma agência que leva para conhecer os principais pontos turísticos do Rio não andando, mas correndo. Há circuitos com propostas e níveis de dificuldade variados - é possível, por exemplo, correr pela orla, na zona sul (moderada, 10 km) ou pela Lapa e Sambódromo (leve superior 5 km). Outra opção é correr em cenários naturais, como a Pedra Bonita (moderada, 12 km) ou pela Praia do Meio e Praia Funda (moderada, 9 km). Os tours são privativos (R$ 190) e também podem ser personalizados para o corredor, embora haja grupos abertos esporádicos. As explicações sobre os lugares ocorrem durante a corrida e há paradas para fotos.

XTerra

Com provas em diversas modalidades e dificuldades, o evento também realiza corridas em trilhas pelo Brasil, com distâncias de 5, 10 e 21 km - e até uma versão para as crianças, para agregar a família. A próxima etapa será em Itaipava, Petrópolis (RJ) nos dias 24 e 25 de agosto. As inscrições custam a partir de R$ 165 - quem se inscreve em mais de uma etapa ganha descontos progressivos.  

COMO IR

De Palmas a Ponte Nova do Tocantins são 153 km. Há diversas empresas de transfer e tours - fizemos parte dos passeios com a Jalapoeiros Ecotur (preços começam em R$ 180; 63-99225-3534). Há também roteiros completos como o da Korubo, que leva os visitantes em expedições pelo Jalapão em caminhões adaptados. As acomodações são em tendas confortáveis, com refeições.

ONDE FICAR

Ponte Alta

Águas do Jalapão

A hospedagem inclui café da manhã, piscina, hidromassagem, Wi-Fi e banho natural na vereda. Diárias a partir de 

R$ 150 no quarto single (há valores mais baixos para quartos coletivos). Reservas pelo telefone: (63) 8467-8049.

 

Pousada Coelho

Simples, mas sem descuidar da limpeza, a Pousada Coelho (63-98447-1989), tem ótimo café da manhã, Wi-Fi e piscina. Diárias a partir de R$ 120.

 

Mateiros

Pousada Aconchego

Tem acomodações simples, com Wi-Fi e um farto café da manhã. Diárias a partir de 

R$ 170 o quarto duplo. Reservas: (63) 99983-8988.

 

Pousada Beira da Mata

A pousada tem chalés(diárias a R$ 230 no quarto duplo) e área para camping (R$ 50 por pessoa), com Wi-Fi nas áreas sociais. Ali também há um restaurante que oferece refeições caseiras a R$ 35 por pessoa (reserve). Telefone: (63) 99966-4421.

VIAGEM A CONVITE DA OLYMPIKUS

 

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Primeira parada: Ponte Alta

Conhecida como Portal do Jalapão, a cidade é boa opção para uma primeira base na região

Viviane Jorge, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 04h40

Depois de voar de São Paulo a Palmas, partimos em direção ao Jalapão. As estradas perto da capital do Tocantins ainda são boas, mas chegando perto de Ponte Alta se tornam esburacadas e, em alguns pontos, estreitas, o que exige perícia do condutor. Em certos trechos, o motorista tem de guiar na contramão em razão dos buracos. Esses primeiros solavancos são apenas um aperitivo do que está por vir pelas estradas da região.

Mais de 150 quilômetros e muitos chacoalhões depois, paramos em Ponte Alta para almoçar. A cidade é conhecida como Portal do Jalapão – o primeiro contato com a região para quem vem de Palmas. De lá, é possível seguir para outras bases, onde estão as principais atrações: Mateiros (a 160 km dali) ou São Félix do Tocantins (a 90 km).

Geralmente, os guias e empresas de turismo que levam os turistas de Palmas já fazem reserva nos restaurantes – mas se você for por conta, não arrisque e ligue antes para não ficar sem almoço. Fomos ao Tamboril (63-98467-8049), que serve ótima comida caseira em sistema self-service e também tem opções à la carte. O destaque do almoço foi o purê de batata-doce com banana da terra (R$ 35 por pessoa).

Para fazer a digestão, vale aproveitar para conhecer as lojinhas de artesanato que vendem produtos feitos com capim dourado, típico da região. Dá pra comprar bijuterias, chapéus, bolsas... Fique à vontade para pechinchar: o pessoal aceita negociar. 

Deu tempo ainda de conhecer a Praia do Tamburi, no Rio Ponte Alta. Os moradores se aliviam do calor de mais de 35 graus nessa pequena praia de água doce – e alguns corajosos até arriscam um mergulho das estruturas da ponte. Dali, seguimos para a próxima parada: o Cânion do Sussuapara

Fonte da juventude

Sussuapara, que dá nome ao lugar, é um cervo de grande porte que habita a região. Localizado a 14 quilômetros do centro de Ponte Alta, é uma ótima recompensa para tantas horas de estrada. 

O cânion é uma formação rochosa de 12 metros de altura que se mistura à vegetação, formando pequenos dutos de raízes aéreas por onde a água escorre. O lugar tem uma beleza surpreendente e ao final dele, depois de um caminho de pedrinhas massageadoras pelo curso d'água, há uma pequena cascata que verte água mineral geladinha. É possível beber essa água sem medo – os moradores dizem que essa é a verdadeira fonte da juventude. Só para garantir, encho minha garrafinha por ali. A entrada custa R$ 20 por pessoa, e há um limite máximo de 30 visitantes no local; (63) 99236-5168.

À noite, jantamos na Pousada Águas do Jalapão (63-99108-6678. A comida caseira, em sistema self-service, é reconfortante. Na casa há drinques e picolés feitos com frutas da região, como a caipirinha de açaí (R$ 15) e o sorvete de murici, que tem uma textura diferente, um pouco farinácea e sabor que lembra um queijo doce (!). Estranho, mas é bom. Leve dinheiro – a casa não aceita cartão.

 

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Cachoeira da Velha e rafting, para contemplação e adrenalina

Depois de um passeio entre as corredeiras do Rio Novo, podemos contemplar a cascata

Viviane Jorge, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 04h40

Bem cedinho no segundo dia, seguimos rumo ao Parque Nacional do Jalapão. A estrada de Ponte Alta a Mateiros é bruta e tem de tudo: alguns poucos trechos de asfalto, terra, cascalho e muita areia fofa. Por isso é preciso contratar um guia com veículo 4X4. Não é um local fácil para se aventurar dirigindo por conta própria. 

Durante três horas seguimos balançando na estrada, em direção à primeira parada, a Cachoeira da Velha. No caminho, no meio do nada, há uma pista de pouso de aviões, e algumas poucas casas próximas. Paramos rapidamente e nosso guia conta que a lenda na região diz que aquela foi uma das fazendas do traficante Pablo Escobar. 

Logo depois dessa parada curiosa, paramos e seguimos por uma pequena ponte. No final, há uma plataforma de onde se avista a impressionante queda d’água. Com 100 metros de largura e 15 metros de queda, a cachoeira proporciona um espetáculo para os turistas. Como a correnteza é forte, o banho ali não é permitido, mas quem quer conhecer essa maravilha mais de perto tem a opção de descer as corredeiras de rafting

Corredeira abaixo

É possível mergulhar nas águas ainda calmas e rasas do Rio Novo, em algumas pequenas clareiras de areia na beira do rio, onde esperamos nossos guias para o rafting. Dá pra nadar observando os peixinhos nas águas transparentes.

Antes mesmo de entrar no bote eu já sentia o frio na barriga, só de ver as quedas gigantescas do Rio Novo. Enquanto eu me preparava psicologicamente, os guias passavam as instruções para o caso de cair n’água: ficar deitado e desça no estilo correnteza; não tente nadar. 

Já munidos de colete salva-vidas, capacete e remo, entramos no bote num grupo de sete pessoas, mais o instrutor. Calma, ainda não é hora das corredeiras: apenas atravessamos o rio até a outra margem e seguimos a pé por uma trilha.

O bote desce sozinho a primeira queda, de 15 metros, enquanto o grupo vai pela trilha. Em segurança, embarcamos e o primeiro desafio é remar contra a correnteza. O objetivo – o qual alcançamos com tranquilidade – é chegar atrás do véu d’água. A sensação é de pura emoção.

Depois de curtir esse momento é que começa a descida. Apesar de durar por volta de 20 minutos, o trecho é muito emocionante. A força das águas joga o bote para os lados, gira e nos coloca de volta no caminho. Em alguns momentos, tenho certeza de que vamos virar, mas isso não acontece. O passeio termina na prainha do Rio Novo, de areia fina e branca, onde você pode se banhar nas águas mornas e curtir o visual deslumbrante da Cachoeira da Velha. O passeio custa R$ 200 por pessoa com a Equipe Novaventura: (63) 99993-1978.

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A experiência da corrida: suor, cenário e superação

Calor de 35 graus e os diferentes tipos de solo foram os principais desafios do trajeto realizado no Parque Estadual do Jalapão

Viviane Jorge, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 04h40

Em 2017, aos 41 anos, decidi mudar minha rotina e começar a correr. Os seis quilos a mais que a gravidez trouxe não queriam ir embora, e achei que praticar um esporte que me deixasse independente poderia ser uma solução. Um ano depois e 12 quilos a menos, já havia tomado gosto pela coisa. 

Nesse tempo, só havia corrido nas ruas de São Paulo quando surgiu a oportunidade de participar da prova de 10 quilômetros da etapa do Jalapão do circuito Bota pra Correr da Olympikus. A proposta do evento é levar atletas amadores para vivenciar a experiência de participar de provas diferenciadas em locais de natureza intocada. A que participei, em julho, teve 200 participantes e distâncias de 10 e 21k. 

Algo bem distante da minha zona de conforto, com trechos de terra batida (algo como correr na praia), barro, pedregulhos e um calor de 35 graus. Uma coisa, contudo, não foi diferente das provas que participo na capital paulista: o sacrifício de acordar cedo. São cinco da manhã, acordamos para um café da manhã rápido e saímos para o local da prova.

Uma hora e meia e muitos solavancos na estrada depois, chegamos à sede do Parque Estadual do Jalapão. O cenário da nossa corrida é deslumbrante: o pé da Serra do Espírito Santo. Por volta das 7h, a temperatura ainda é amena, em torno dos 20 graus, e há muitas nuvens no céu, o que enche os corredores de esperança de que o percurso não seria tão duro.

Pergunto o nosso guia: “Está bastante nublado, acho que deve chover, não?”. Ele sorri e diz: “Não, nesse mês a chuva não chega ao chão por aqui. Daqui a pouco o céu se abre." Às 7h30, a profecia do guia se concretiza, as nuvens desaparecem e o sol inclemente começa a dar as caras.

A largada

Perto das 8h, começamos a nos aquecer e alongar, o frio na barriga aumenta e o sol ardido me faz pensar: será que vou conseguir? Agora não dá mais pra desistir. Às 8h em ponto, largamos pela estrada de terra do parque.

Apesar de não ser uma prova de aventura, o percurso é duro: na terra batida, é preciso estar atento aonde pisar. A umidade do local é muito baixa e a respiração fica ofegante mesmo na descida. Entendo agora porque a cada 2,5 km há um posto de hidratação. Detalhe interessante: a Olympikus ofereceu copos de silicone, não descartáveis para evitar a produção de lixo no parque. Seria uma ótima ideia a ser adotada nas corridas urbanas, porque em provas de rua há uma produção de lixo muito alta devido ao uso de copos plásticos. 

Mudanças no solo

O primeiro quilômetro é uma grande descida na terra batida, então seguimos bem. Já no segundo entramos em estrada de areia fofa e aí a coisa começa a complicar. É praticamente como correr na praia, as pernas e pés pesam muito e o calor só aumenta a dificuldade. Penso que vai ser difícil cumprir a prova, mas sigo. Nesses trechos mais lentos, aproveito para fazer algumas fotos do trajeto: o céu azul e o contraste avermelhado, salpicado do verde do cerrado das montanhas da Serra do Espírito Santo fazem tudo valer a pena.

O circuito é praticamente reto, mas a altimetria é variada e a dificuldade fica nas subidas e no tipo de solo, que muda a cada quilômetro. E também o mato, que pode atingir as pernas dos desavisados. Uma boa dica é usar meias de cano médio a longo para evitar esses atritos.

Ainda descendo em direção ao quinto quilômetro começamos a encontrar os atletas que já estão voltando. Nessa hora, o tênis já está cheio de terra e areia e a parada para hidratação é obrigatória.

O trecho mais duro

Começo a volta dos cinco quilômetros, onde normalmente eu tentaria dar um pique de velocidade e percebo que o retorno é só de subida. Acelerar fica impossível, o calor e a poeira atrapalham e o detalhe da areia fofa transforma essa subida leve num grande desafio. O trecho é duríssimo e muitos atletas caminham por aí. 

Pouco depois das 9h, entro no último quilômetro: uma subida dura de terra vermelha batida que tem a melhor paisagem da corrida. O visual compensa tudo e sigo firme em direção ao fim da prova. Passar pela faixa de chegada, depois de uma corrida tão difícil e num calor tão forte, foi realmente emocionante. Uma experiência inesquecível, e como dizem os atletas, de verdadeira superação. 

Fico na 34ª posição entre os 66 competidores na categoria e com a endorfina a mil. Ness momento, já penso que nem foi tão difícil. E divago: será que no ano que vem dá pra tentar os 21k? 

O que levar

Proteção contra o sol 

Use filtro solar com FPS acima de 50 para se proteger. Não esqueça também o boné e os óculos escuros. 

Proteção contra insetos

Você não vai precisar do repelente durante a corrida, mas no antes e depois os insetos atacam sem dó.

Proteção contra  a vegetação

Meias de cano médio ou longo são recomendáveis para não voltar com as canelas cheias de marcas dos matinhos do caminho.

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'Ferveção' em águas cristalinas

Os fervedouros, nascentes de águas puras que formam piscinas naturais, se espalham pelas proximidades de Mateiros

Viviane Jorge, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 04h40

Depois da prova, pudemos relaxar em um espaço de convivência com DJ, um belo café da manhã e massagistas – algo providencial. Afinal, ainda iríamos visitar lugares emblemáticos da região naquele mesmo dia. Um deles é o Fervedouro Do Ceiça, em Mateiros

Foi ali que paramos para almoçar. O Fervedouro do Rio do Sono (63-9938-4920) conta com um restaurante que serve almoço self-service (R$ 35 por pessoa; reserve) e um convidativo redário. Se quiser também visitar o fervedouro, é preciso pagar mais R$ 20.

Os famosos fervedouros do Jalapão são nascentes de água poderosas, que brotam do chão borbulhando. A temperatura é agradável, e as águas, cristalinas. Estima-se que existam pelo menos 20 entre Mateiros e São Félix do Tocantins, embora nem todos estejam abertos a visitação. 

Depois do almoço, partimos em direção a outro fervedouro, a 15 minutos dali. O Fervedouro do Ceiça (R$ 20 por pessoa) tinha uma pequena fila – apenas seis pessoas podem se banhar no local por vez. 

Quando finalmente chega a nossa vez, entendemos o porquê da fama. Pense num lugar paradisíaco, com águas incrivelmente cristalinas e cercado de densa vegetação. É importante gravar uma imagem mental do fervedouro, porque a câmera não consegue captar a beleza do lugar. 

É impossível afundar

Além da beleza estonteante, a flutuação é muito divertida. A água sai da nascente com pressão tão forte que não deixa o visitante afundar. Esse fervedouro tem 35 metros de profundidade e o banhista boia tranquilo (e maravilhado) na superfície. A vontade é de ficar ali muito mais do que os 20 minutos permitidos. 

Cansados da corrida, da estrada e do passeio, ainda temos mais uma parada em Mateiros: a Cachoeira do Formiga, no rio de mesmo nome. O local tem uma queda linda de 2 metros de altura de água morninha, esverdeada e transparente. O local é o mais cheio dos que visitamos no Jalapão, mas é muito bonito: a areia branca que se vê no fundo e a correnteza suave são um convite ao mergulho. A queda ainda proporciona uma hidromassagem natural, muito bem vinda. A cachoeira ainda esconde uma surpresa: uma piscina natural de águas claras, onde você pode entrar e esquecer da vida. 

Depois de ficarmos na água até enrugar os dedos, passamos no bar da cachoeira, para ver um pouco do jogo da seleção (era final da Copa América). Pudemos também bater um papo com o Seu Simão, dono do lugar, que dividiu conosco o churrasquinho que fazia em família. A entrada na cachoeira custa R$ 20 e você pode passar o dia.

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