Foundation Claude Monet
Foundation Claude Monet

Jardins de Monet reabrem nesta semana

Depois de permanecerem fechados durante todo inverno, a casa e os famosos jardins de Monet reabrem nesta sexta-feira, dia 23, em Giverny, cidade a 75 quilômetros de Paris, na França

Larissa Godoy, Especial para O Estado de S. Paulo

20 Março 2018 | 04h56

Foi amor à primeira vista. Pela janela do trem, Claude Monet descobriu Giverny, a 75 quilômetros de Paris, na França. Reza a lenda que o que viu já foi o suficiente para sair em busca de uma casa para alugar na cidade.

Ali, em sua residência-ateliê, o artista viveu por 43 anos – morreu aos 89, em 1926. A casa e seus famosos jardins, hoje parte da Fundação Monet , abrem novamente ao público nesta sexta-feira, depois de permanecerem fechados durante todo inverno. É a chance de ver de perto a inspiração para muitas de suas obras famosas, como O Lago de Nenúfares (1897-1899).

Giverny é um bate-volta fácil para fazer a partir de Paris. Só não faça como eu, que saí de táxi na companhia de uma amiga que pegaria um voo internacional no mesmo dia. Afinal, você vai precisar de tempo para curtir a paisagem. No site Get Transfer, custa 156 euros.

A maneira mais indicada é mesmo de trem e ônibus. Você vai partir da estação de Saint Lazare, em Paris – fique de olho, a estação serviu de inspiração para uma série de 12 quadros de Monet (um deles está no Museu d’Orsay, em Paris). Dali, pegue o trem com destino a Vernon-Giverny, a 66 quilômetros. Há vários horários de partida – quanto mais cedo você sair, mais vai aproveitar o passeio. O trajeto direto dura 45 minutos e custa a partir de 9 euros na Rail Europe.

De Vernon a Giverny, o caminho é de ônibus. Logo na saída da estação de trem, placas sinalizam o caminho certo. Compre a passagem (10 euros, ida e volta) direto com o motorista; a viagem dura 10 minutos. Desça no ponto Musardiere, em Giverny, e caminhe cerca de 13 minutos até os famosos jardins. Você pode optar entre conhecer apenas a residência do artista (9,50 euros) ou fazer o combo com o Museu do Impressionismo (16,50 euros).

A visita. Após a morte do artista, a casa, pouco a pouco, foi sendo deixada de lado pelos seus familiares. Até em 1980 ser recuperada pela Fundação Claude Monet e reaberta como museu. Calcula-se que 500 mil pessoas do mundo todo a visitem anualmente.

Na casa, o passeio começa pelo salão de leitura, chamado “petit salon bleu”, cujas paredes são decoradas com uma parte da coleção de estampas japonesas do artista, uma de suas paixões. Monet reuniu uma série delas, e de grandes mestres. São 243 no total, entre eles 46 cópias de Kitagawa Utamaro, conhecido por suas pinturas de mulheres, 23 de Katsushika Hokusai, autor de A Grande Onda, e 48 de Utagawa Hiroshige, famoso por suas gravuras de paisagens.

O “salon atelier”, seu local de trabalho até 1899, oferece uma experiência sensorial. Com pé direito alto e amplas janelas que deixam a luz entrar livremente, quase dá para imaginar Monet exalando boêmia em meio a pincéis e cores, formando imagens em telas parcialmente trabalhadas. Nas paredes, reproduções de quadros do artista completam o cenário, os originais foram transferidos para o Museu Marmottan Monet (11 euros). É cativante.

Ainda no primeiro andar, a copa e a cozinha explodem em cores. Todos os cômodos são muito amplos – afinal, Monet, Alice, sua mulher, e mais oito crianças chamavam o museu de lar. Era uma casa com movimento. No segundo andar, os quartos de Alice, Claude e Blanche são alguns dos destaques. As varandas com vista para os famosos jardins são encantadoras.

Os jardins. Os jardins podem ser divididos em duas partes. O Clos Normand, no mesmo terreno da casa, e o Jardin d’Eau, em área adjacente. O pintor foi responsável por projetar ambos. Aqui, fica claro mais uma vez o fascínio de Monet pela arte japonesa, incorporada em elementos do seu trabalho como jardineiro. É um passeio contemplativo e difícil de desagradar. Mas admito que um dia bonito faz diferença. Por isso, confira a previsão do tempo para garantir boas fotos.

No jardim próximo à casa, as flores são destaque. Preste atenção nos detalhes pois certamente Monet considerou todos eles. No caminho central, capuchinhas e rosas levam até a entrada da casa. Espere encontrar também cerejeiras, que substituíram as antigas macieiras da propriedade, além de narcisos, tulipas, papoulas orientais e peônias. É difícil avaliar qual o melhor mês de visita, já que cada período tem uma floração de plantas diferente, mas aposte na primavera, entre março e junho.

Já no Jardin d’Eau, as ninfeias e os salgueiros chorões, tão bem representados em quadros do artista, são os que mais chamam a atenção – além da ponte japonesa pintada em verde, também construída por Monet. Nessa parte do passeio, o interessante é reconhecer os cenários que serviram de inspiração para as pinturas, muitas delas expostas no Museu L’Orangerie (9 euros), também em Paris.

Mais impressionismo. Desde 2009, o antigo Museu da Arte Americana Giverny (MAAG) atende por Museu do Impressionismo. O novo nome veio com a nova vocação, de conhecer as origens e a influência geográfica do impressionismo, movimento artístico em que Monet foi célebre. A partir de 30 de março, o espaço recebe a exposição Japonismes / Impressionismes, com estampas de Hokusai e obras de Monet, Paul Signac e outros. Fica em cartaz até 15 de julho.

+ Monet pelo Rio Sena

A Viking River Cruises oferece um cruzeiro de oito dias pelo Rio Sena, com saída de Paris e paradas em Vernon, Rouen, Les Andelys e algumas praias da costa. De Vernon é possível visitar o jardim e a casa de Monet, em Giverny (passeio reservado para o terceiro dia). Em Rouen, visitas à catedral gótica de Notre-Dame de l’Assomption (Monet pintou uma série de 28 quadros da igreja; cinco deles estão expostos no Museu d’Orsay, em Paris), ao relógio astronômico Gros Horloge e ao Palácio da Justiça onde Joana d’Arc foi sentenciada à morte são alguns dos destaques. Em Paris, passeios à Torre Eiffel, Arco do Triunfo e Louvre. Disponível a partir de abril, desde US$ 2.949 (R$ 9.545), mais informações no site.

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